Marcos Arruda/PACS 14.08.97 leia comentário do ILUMINA
leia Editorial CORECE
COOPERATIVA DE EMPREGADOS DA ESTATAL DE ELETRICIDADE DO RIO GRANDE DO SUL A SER PRIVATIZADA PREPARAM-SE PARA GANHAR O CONTROLE DA EMPRESA
Durante vários meses. os empregados da CEEE (Companhia Estadual de Energia Elétrica do Rio Grande do Sul/RS) vinham lutando contra a privatização da empresa, por considerá-la de caráter estratégico para o desenvolvimento sócio-econômico do Estado.
Depois da privatvação da Cia. Vale do Rio Doce, feita à revelia da mais forte pressão da opinião pública e de entidades representativas de diferentes setores da sociedade, perceberam que deviam, ao lado da campanha contra a privatização, adotar paralelamente uma segunda estratégia.
Estudando a Constituição do Estado do RS, descobriram que o Art. I63, parágrafo I, dá aos empregados, organizados em cooperativas, a preferência em assumir empresas públicas e sociedades de economia mista que sejam privatizadas. Decidiram-se a organizar-se numa cooperativa autogestionária, a COORECE – Cooperativa Riograndense de Eletricidade dos Empregados da CEEE para disputar o controle da estatal, hoje dividida em seis empresas pelo Governo Estadual.
Atualmente são 2.500 associados e a perspectiva é alcançar 3.000 a 4.000 nos próximos meses. São os membros da COORECE que já operam o sistema, tendo em média I8 a 20 anos de experiência.
Falando no “Seminário de Cooperativismo Popular e Autogestionário: Desafios e Perspectívas”, promovido pela CUT/RS em Porto Alegre, 24/7/97, o presidente da COORECE, Gilberto Silveira, diz que a descontinuidade administrativa resultante da manipulação político-partidária sofrida pela empresa, tem sido responsável por uma completa falta de planejamento estratégico. Quem tem garantido o serviço público têm sido os responsáveis pela operação da empresa.
Gilberto indica que o primeiro passo é obter financiamentos que viabilizem a compra pela COORECE das duas distribuidoras de energia elétrica que serão privatizadas em setembro-outubro. Caso vençam a licitação, ele propõe uma relação solidária com os consumidores, tendo como única condição que estes se organizem também como cooperativa de consumo e façam um contrato intercooperativo com a COORECE.
Gilberto também acena para a tendência a uma queda do preço unitário. Afirma que o preço atual já está acima da tarifa média proposta pelo Banco Mundial como garantia de rentabilidade do investimento. A previsão de Gilberto é de US$ 1 bilhâo de receita anual.
Gilberto sugere que a maioria dos países altamente industrializados não têm perspectiva sólida de crescimento econômico porque suas reservas energéticas estão acabando. Eis porque estão querendo arrebatar o controle das empresas energéticas estatais do hemisfério Sul. A iniciativa de transformar a privatização da CEEE numa autêntica democratìzação do controle de uma empresa estratégica para o desenvolvimento de um estado brasileiro é pioneira. e abre um precedente. Um exemplo a ser seguido por outros setores do funcionalismo qualificado que opera os serviços públicos do Brasil.
“Entre a tutela do Estado e a do ‘livre mercado’, preferimos a autonomia”, diz Gilberto em nome dos sócios da COORECE .
Palavras-Chave : Economia .solidária, cooperativismo autogestionário, Estatais, comércio intercooperativo
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