Os fatos relatados nessas notícias têm tudo a ver com o que o Brasil fez do seu setor elétrico, estando às vesperas de aprofundar ainda mais essas alterações. A experiência Argentina relativiz …


Os fatos relatados nessas notícias têm tudo a ver com o que o Brasil fez do seu setor elétrico, estando às vesperas de aprofundar ainda mais essas alterações. A experiência Argentina relativiza por completo o conceito de "Eficiência Privada". De que eficiência estamos falando? A da rentabilidade? Não seria a hora de debatermos a privatização do que resta do nosso setor elétrico à luz (ou à falta de) da experiência Argentina?


Escondendo o vizinho sob o tapete.

A imprensa brasileira deu pouca ou nenhuma importância à escuridão que tomou conta de Buenos Aires por uma semana. Não foi um simples apagão. Foram sete dias de falta de energia, 170 horas seguidas! E porque? Por atitudes irresponsáveis da empresa ENESUR, privada e que segundo relatório da Faculdade de Engenharia da Universidade de La Plata, não cumpre as mínimas regras de boa técnica em suas ações.


Este relatório, solicitado pelo Ente Nacional Regulador de Eletricidad (ENRE), coloca em dúvida a capacidade técnica dessa empresa principalmente por realizar soldas dentro de túneis repleto de cabos em desacordo com as mais simples normas técnicas. A razão que a empresa alega para ter realizado as manobras dentro dos túneis é simplesmente a economia de 1 milhão de dolares. Além de desconsiderar os riscos do processo, não fez os testes mínimos antes de conectar a sub-estação. Nem as tensões mínimas de testes foram obedecidas.


Por coincidência ou não, é muito estranho que com a experiência do Rio de Janeiro no verão passado e nas vésperas de privatizar as principais geradoras brasileiras a imprensa coloque esse assunto num pequeno espaço, quando por uma semana os Jornais da Argentina não falam em outra coisa. Será que não deveriamos ao menos refletir um pouco sobre as premissas que justificavam a venda dessas empresas?

Menem estuda cancelar concessão de energética

Folha de São Paulo 22/02/99

AP

De Buenos Aires


O governo de presidente Carlos Menem, que privatizou todos os serviços públicos a partir de 1989, estuda agora a possibilidade de cancelar a concessão da empresa de eletricidade Edesur, de capital chileno, que não conseguiu solucionar um grande corte de energia que começou há mais de sete dias, disse um funcionário de alto escalão.


A falha da energia provocou também uma onda de críticas aos organismos estatais encarregados de supervisionar o funcionamento dos serviços privatizados. Houve acusações de que atendem mais aos interesses das empresas do que às necessidades dos usuários.


Menem passou para a iniciativa privada os serviços de telefone, eletricidade, gás, água, ferrovia e metrô. Também vendeu a empresa aérea e a companhia petrolífera do governo.


O presidente da Agência Nacional Reguladora da Eletricidade, Juan Leguisa, disse no domingo à Rádio América que a Edesur "já incorreu em descumprimento grave do contrato" quando não conseguiu restabelecer o serviço à meia-noite de sexta-feira, prazo dado por intimação do governo. "Creio que neste fim de semana serão dados os passos finais para a última penalidade", que seria a retirada da concessão.


A Edesur, a partir da segunda-feira passada, anunciou diversas vezes que o serviço elétrico estava para ser normalizado. Com prudência maior, agora garante que isso pode ocorrer na quarta-feira. Seus técnicos fracassaram, em duas ocasiões, em restabelecer as conexões cortadas pelo incêndio que destruiu no domingo da semana passada um cabo de alta tensão numa de suas principais estações subterrâneas.


O corte de energia coincidiu com dias de muito calor, com temperaturas que ultrapassaram diariamente os 35 graus Celsius. A falta de energia deixou também sem água boa parte da zona sul de Buenos Aires, causou graves prejuízos aos comerciantes da região e sérios problemas no trânsito, quando o sistema de sinais luminosos deixou de funcionar.



Globo 21/02/99


Pane no fornecimento de energia pode levar Governo argentino a cassar concessão


Claudia Moretz-Sohn


RIO, 21 (Agência O GLOBO) – O Governo Menem – que, a partir de 1989, privatizou todos os serviços públicos na Argentina – estuda a possibilidade de cancelar a concessão da empresa elétrica Edesur, de capital chileno. A companhia não encontrou solução para uma pane no fornecimento de energia que já dura seis dias.


O titular da agência reguladora argentina, Juan Leguisa, declarou hoje a uma rádio local que a Edesur descumpriu o contrato fechado com o Governo, por não ter restabelecido o fornecimento de energia na meia-noite de sexta-feira, como mandara o Governo. Desde o último dia 15, mais de 300 mil argentinos sofrem com a falta de luz. As informações são da AP


19/02/99 15:30 Jornal do Brasil – JBONLINE


Corte de energia atinge Buenos Aires


BUENOS AIRES – Um corte de energia elétrica que afeta desde domingo a milhares de pessoas se estendeu hoje nesta capital, enquanto a empresa responsável se declarava impotente para resolver o problema. Hoje, voltaram a ocorrer

protestos e reclamações de indignados usuários que, como ontem, ocuparam as ruas, interrompendo o trânsito e batendo panelas.


O "blackout", que afeta cerca de 100.000 pessoas, se estendeu a mais algumas áreas da cidade, segundo reclamações recebidas pela empresa privada EDESUR, de capital majoritariamente chileno e uma das duas que fornecem eletricidade a Buenos Aires e seus arredores. A falta de energia é conseqüência de um incêndio ocorrido domingo em uma estação

geradora da EDESUR, que não sabe quando poderá resolver. Esta madrugada, durante testes de conexões de cabos de alta tensão, foi detectada nova falha de materiais que impediu a normalização do fornecimento, segundo a empresa. A entidade que reúne pequenos e médios comerciantes calculou que até ontem a falta de energia causou prejuízos de aproximadamente 750 milhões de dólares. Hoje, entre muitas outras manifestações de protesto, um grupo de

consumidores revoltados apedrejou uma agência da EDESUR no bairro de Congreso, e ateou fogo a sacos de lixo que estavam amontoados na calçada. Ninguém foi detido.


JORNAL O DIA , 18/02/99 (Ultimas)


Incêndio deixa Buenos Aires sem água e luz


Dois terços do centro da capital argentina, Buenos Aires, estão sem luz e água há três dias por causa de um incêndio que destruiu uma subestação da fornecedora de energia elétrica Edesur, no bairro de San Telmo. Por causa da interrupção no fornecimento de eletricidade, os equipamentos que bombeiam a água deixaram de funcionar. O corte de energia pode durar até domingo. O caos energético é o maior da década em Buenos Aires.

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