Globo 21/3/99 À espera de melhores serviços Ramona Ordoñez Passado o período inicial de adaptação à privatização das empresas prestadoras de serviços públicos …



Globo 21/3/99

À espera de melhores serviços

Ramona Ordoñez

Passado o período inicial de adaptação à privatização das empresas

prestadoras de serviços públicos do Rio (telefonia, distribuição de energia e

de gás, estradas, ferrovias, bancos e metrô), os consumidores ainda estão à

espera da prometida melhoria da qualidade dos serviços. O pânico e a

revolta causados pelos apagões na cidade foram apenas a ponta de um

iceberg de reclamações.


De acordo com os números do Procon do Rio, aumentaram as reclamações dos

serviços na gestão privada na Light, Cerj, Telerj e Banerj. No ano passado, as

reclamações contra a Light no Procon do Rio totalizaram 1.082 contra 105 em

95, quando ainda era estatal. A situação começou a melhorar mais

recentemente. Nos dois primeiros meses deste ano, o número de queixas caiu

34,3%, passando de 128 para 84.


A Light atribui o aumento das reclamações no ano passado aos problemas

enfrentados pela população no verão de 97/98. A empresa garante que agora

os serviços já apresentam melhora graças aos investimentos que estão sendo

feitos. Além disso, a empresa acredita que o número de queixas cresceu por

causa do aumento do número de canais de comunicação com os clientes. Para

ajudar a solucionar os problemas, a Light instalou um posto avançado no

Procon, oferece um número 0800 para reclamações e pedidos de consertos e

criou uma ouvidoria.


A Companhia de Eletricidade do Rio de Janeiro (Cerj) teve 206 reclamações

em 98 contra 42 em 96, quando foi privatizada. Entre janeiro e fevereiro deste

ano, o número de reclamações aumentou 1.457% em relação ao mesmo período

de 97, passando de sete para 109.


A direção da Cerj atribui o aumento das reclamações no Procon a vários

fatores. Um deles é o grande número de desligamentos programados que são

feitos para a realização de obras para melhoria da rede. Uma outra razão

para as reclamações era o sistema de faturamento das contas. Antes, a conta

em atraso era cobrada no mês seguinte, misturando os valores com o consumo

do mês corrente. Agora a Cerj mudou o sistema, e eventuais contas em atraso

podem ser pagar em separado. Com essa mudança, a Cerj pretende reduzir em

até 40% as queixas.


A Telerj, campeã de reclamações, recebeu 10.935 queixas em 98, contra 3.029

em 97. Este ano, o número foi 3.299 em janeiro e fevereiro, com crescimento de

267% em relação a igual período do ano passado, quando foram registradas

897 queixas.


O assistente da diretoria de Negócios da Telerj, José Christiano Mega

Santos, disse que a razão para o aumento das reclamações no Procon contra a

empresa se deve à grande quantidade de planos de expansão vencidos no

segundo semestre do ano passado, logo após a privatização. E explica:


– A Telerj entregou 287 mil contratos de planos de expansão no ano passado,

dos quais 240 mil após a privatização.


Mas as privatizações já provocaram algumas melhorias. O tempo das

interrupções de energia nas áreas atendidas pela Light, por exemplo, caiu de

14 horas, em 96, para 9,11 horas no ano passado, segundo a empresa (ainda

que a Agência Nacional de Energia Elétrica tenha um número maior). Na

Cerj, em piores condições, a duração das interrupções caiu de 42,6 horas em 97

para 31,3 horas em dezembro de 98. Neste ano, a Cerj pretende levar a luz a

50 mil residências. A Companhia Distribuidora de Gás do Rio (CEG)

pretende ampliar a oferta de gás canalizado no estado, em cinco anos, para

mais um milhão de pessoas. Hoje, cerca de 2,2 milhões de residências

dispõem do serviço.


A Telefônica Celular, criada em janeiro do ano passado com a cisão da Telerj

e privatizada em julho, teve no passado 47 reclamações no Procon. O

vice-presidente da empresa, Paulo César Teixeira, diz que está ampliando o

Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC).


– Nós queremos reduzir as reclamações ao mesmo tempo em que vamos dobrar

nossa clientela. Da data da privatização até hoje, já crescemos mais de 50%

o nosso número de linhas em operação e implantamos a moderna tecnologia

digital – destacou Teixeira.

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