Não se trata de ter uma posição contrária às distribuidoras e sim de defender o consumidor. Reparem que, entre os chamados custos não gerenciáveis, está o gasto com combustível nas térmicas, a CCC (ler texto em vermelho). Ora esse gasto está alto porque é fruto de uma política de falta de investimento que obriga uma operação quase contínua das térmicas. As empresas distribuidoras, desde 1998 sabiam que esse problema seria agravado. (ou será que não prestaram atenção nos relatórios do ONS?). No mínimo deveriam ter reclamado antes! Porque não reclamaram ? Porque, assim como o governo, resolveram fazer uma "fézinha" nas chuvas. Como se sabe, o sistema brasileiro, por ser hidráulico, pode esconder a falta de investimento por anos! Basta chover! Portanto o que a CERJ quer é o seguinte: Foi a Las Vegas, jogou na roleta, perdeu e agora quer o dinheiro de volta! Adivinhem quem vai pagar?
O ILUMINA tem uma sugestão: Aquelas empresas que quiserem se valer do Anexo 5 ( ressarcimentos por perdas devido ao racionamento), perdem o direito de ter usinas até 30% de seu mercado. Não seria coerente?
Conta de luz bilionária
Presidente da Cerj cobra solução para perdas do racionamento
NICE DE PAULA
Leonardo Lemos
Javier Villar espera que decisão do governo saia neste mês
”As distribuidoras de energia estão com sérios problemas de caixa e podem chegar até a falência, caso o governo não apresente uma solução rápida para compensação das perdas provocadas pelo racionamento”. A análise alarmista foi feita ontem pelo presidente da Companhia de Eletricidade do Estado do Rio de Janeiro (Cerj), Javier Villar. Na prática, trata-se de uma tentativa de sensibilizar o governo para a proposta de compensação apresentada pelas companhias na semana passada que, entre outras medidas, prevê um aumento de 10% no preço das tarifas dos consumidores não-residenciais, ou seja, comércio, indústria e setor público.
Com base nos contratos, que garantem a manutenção do seu equilíbrio financeiro, as distribuidoras reclamam que a redução de receitas e os gastos extras gerados pelo racionamento vão provocar um buraco de R$ 5,6 bilhões no faturamento deste ano. No caso da Cerj, a queda chega a R$ 200 milhões, dos quais cerca de R$ 15 milhões são custos administrativos, como call-center, funcionários, emissão de cartas e campanhas publicitárias. A Cerj contabiliza ainda outros R$ 100 milhões em perdas com aumentos de custos que não foi autorizada a repassar para as tarifas, como as variações dos preços da energia fornecida por Itaipu.
Prejuízo -Não sem razão, a Cerj registrou prejuízo de R$ 40 milhões no primeiro semestre deste ano, número que cresceu em julho e agosto. ”Todas as companhias elétricas têm problemas de caixa nesse momento. Precisamos de uma solução logo, o ideal seria ainda em setembro”, disse Villar.
Além do aumento de tarifa, a proposta que as distribuidoras enviaram ao Comitê de Revitalização do governo prevê uma linha de crédito do BNDES para capitalizar as companhias e transferência para distribuidoras de recursos gerados nas contas de energia. São eles a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), parcela da conta que subsidia as térmicas a diesel e a Reserva Global de Reversão (RGR), fundo gerido pela Eletrobrás para financiar projetos como a iluminação rural. Só a CCC deve arrecadar R$ 1,9 bilhão este ano.
Apesar das queixas, o grupo Endesa, controlador da Cerj, não alterou seus investimentos no Brasil. São US$ 700 milhões em duas linhas de transmissão de energia da Argentina para o Brasil e outros US$ 200 milhões na termelétrica de Dunas, no Ceará. Em estudo, estão a construção de uma térmica no Rio e a disputa do controle da Companhia Paranaense de Energia (Copel).
Chuvas não alteraram nível de reservatórios
BRASÍLIA – As chuvas do final de semana no norte de Minas Gerais não alteraram o nível dos reservatórios das usinas de Furnas e Itumbiara, responsáveis pelo abastecimento das regiões Sudeste e Centro-Oeste. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), no sábado e domingo, choveu a média prevista para todo o mês, 50 milímetros (mm).
”As chuvas dão uma expectativa favorável para a melhora do nível dos reservatórios”, afirmou o chefe da divisão de meteorologia do Inmet, Expedito Rebello.
A previsão é que hoje a frente fria chegue ao sul da Bahia e atinja o rio São Francisco, que abastece mais de 90% do Nordeste. Até o final de dezembro, a expectativa do Inmet é que chova 600 mm, uma previsão considerada dentro dos padrões. O montante, no entanto, não seria suficiente para superar o déficit, dos últimos cinco anos, de 1.000 mm nos reservatórios das barragens. A frente fria deve durar por mais dois dias.
Medição – Na sexta-feira, o reservatório de Furnas estava com 13,17% da capacidade. Ontem, a medição apontava 13,13%. Na usina de Itumbiara, abastecida pelo rio Paranaíba, as chuvas também não melhoraram a capacidade de armazenamento. Na sexta-feira, o nível do reservatório estava em 10,12% e, até ontem, a capacidade era de 9,93%.
A redução do consumo continua abaixo da meta de 20% nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. Nas duas primeiras, a economia nos primeiros dezesseis dias do mês chegou a 19% e o nível dos reservatórios está 3,4 ponto percentual acima do previsto. No Nordeste, a situação é preocupante.
A economia atingiu apenas 17,4%, mesmo depois de um final de semana quando o consumo é menor. A capacidade de armazenamento das barragens está 1,21 ponto percentual acima da estimativa do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). O Norte é a única região que cumpriu a meta, com uma economia de 20,7% e uma folga nos reservatórios de 0,45.
A Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE) se reúne hoje para tratar sobre a resolução que obriga as distribuidoras a cumprirem um mínimo de cortes de quem não atingiu a meta por duas vezes consecutivas. Pelas atuais regras, a GCE diz que os cortes dependem da capacidade de cada empresa.