O ESTADO DE S. PAULO
Quinta-feira,4 de dezembro de 1997
BNDES empresta R$ 300 milhões à Cataguazes
RIO – O grupo Cataguazes-Lepoldina, que arrematou a Empresa Energética de Sergipe (Energipe), ontem, na Bolsa de Valores do Rio, por R$ 577.101 milhões (ágio de 96,96%), contou com uma participação decisiva do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para arrematar a empresa. A direção da Cataguazes negociou com a empresa de participações do BNDES (Bndespar) a emissão de R$ 173 milhões em debêntures conversíveis que serão adquiridas pela Bndespar. Esses recursos, somados ao financiamento de R$ 147 milhões concedido pelo BNDES (50% do preço mínimo da Energipe) deram fôlego suficiente à empresa para que arrematasse a companhia com o maior ágio já obtido em um leilão de privatização do setor elétrico.
O presidente do Cataguazes-Leopoldina, Ivan Botelho, explicou que, além dessa ajuda financeira do BNDES, a empresa fará um aumento de capital de US$ 240 milhões. A americana CMS vai aportar recursos e, dessa forma, participará do controle da Energipe. Além dela, o sócio estrangeiro da Cataguazes – o fundo de investimentos Fondotec, com sede nos Estados Unidos – ampliará sua participação nas empresas do grupo.
Atualmente detém 23% do capital votante. Com esse suporte financeiro, os novos acionistas da Energipe vão investir US$ 50 milhões nos próximos dois anos na empresa. A composição acionária da Cataguazes-Leopoldina ainda será definida, mas Botelho disse que a família permancerá com o controle da companhia. “Ficaremos com mais de 51%”, afirmou.