A primeira notícia dá conta do estrago presente. Tarifaço para cobrir a incompetência das autoridades do setor, que, diga-se de passagem, não são só do governo. São do setor privado também! A segunda notícia é o estrago futuro. Leiam e percebam o interesse das empresas eletrointensivas. BeloMonte gerará energia a custos muito baixos e portanto, como é o cacoete desse governo, irá para a iniciativa privada! Com dinheiro da Eletrobrás! Para nós, a cara energia do gás!!!!
Quanto a crítica de que a usina não tem reservatório, tudo depende da do sistema de transmissão. Bem interligada, os reservatórios de outras usinas podem funcionar como lagos virtuais da usina de Belo Monte. Mais uma prova de que não há sentido em desverticalizar geração e transmissão. Mas, não adianta. Errar é humano e persistir no erro é neo-liberal!
Estudo propõe tarifaço elétrico
Câmara de Gestão da Crise de Energia estuda reajuste de tarifa, ainda não definido, para indústria, comércio e residências (JB -3/10/2001)
CLARISSA LIMA
Agência JB
BRASÍLIA – O governo estuda um reajuste temporário, por um período de três anos, para os consumidores industriais e comercias de energia elétrica. Essa é mais uma das medidas que estão sendo analisadas para compensar as perdas das distribuidoras com o racionamento, estimada em R$ 5,6 bilhões pelo BNDES. O percentual de aumento ainda não foi definido, mas as empresas pediram um reajuste de 10%. Os demais consumidores também devem arcar com um aumento adicional de 2,5% na tarifa de energia elétrica. Esses valores não levam em conta os 20% já admitidos pelo Banco Central para as tarifas em 2002. Este ano, até setembro, o reajuste médio da tarifa de energia elétrica está em 16,1%.
O reajuste extra, a ser aplicado em 2002, será resultado do repasse aos consumidores dos custos pagos em dólar pelas empresas. A transferências dos gastos com a moeda estrangeira já foi anunciada pelo governo, faltando apenas a regulamentação. O reajuste temporário para indústria e o comércio seria também uma forma das empresas fazerem caixa para o pagamento dos empréstimos, que serão oferecidos pelo BNDES.
Subsídio – A linha de crédito foi anunciada pelo presidente do BNDES, Francisco Gros, como uma saída para o déficit das distribuidoras. As indústrias e as empresas comerciais pagam hoje um valor subsidiado pela energia. A tarifa para estes setores custa em média R$ 77,37 por megaWatt (MW), enquanto as tarifas residenciais chegam a R$ 175,32 por MW.
As medidas de compensação das perdas das distribuidoras foram apresentadas ontem ao comitê executivo da Câmara de Gestão da Crise de Energia (GCE). Até o fim deste mês, a GCE deve anunciar como será o reajuste extra e as condições para a obtenção da linha de crédito junto ao BNDES. As empresas reclamam da demora do governo em resolver o impasse. ”Já deveriam ter resolvido em setembro”, diz o diretor de empresa privada de energia elétrica.
Pelas contas das empresas, as perdas com o racionamento somam R$ 6 bilhões. Os empresários dizem que estão recorrendo a empréstimos para manter a contabilidade em dia. O repasse dos custos em dólar das distribuidoras será feito a partir do saldo de uma espécie de fundo para os custos não-gerenciáveis. O fundo arcará com as diferenças nos custos em dólar pagos pelas empresas e que não são repassados, atualmente, aos consumidores.
Custos cambiais – O fundo, assim como acontece com o gás natural, arcará com as variações do dólar durante um ano. Ao final do período, o custo será repassado no reajuste anual das distribuidoras. Os principais gastos em dólar são a compra de energia de Itaipu e a chamada Conta Consumo Combustível (CCC). A CCC é uma taxa paga pelas empresas para compensar a energia produzida pelas térmicas, que também utilizam combustível importado e produzem energia mais cara que a hidrelétrica.
A entrada de mais térmicas no sistema, este ano, fez crescer a arrecadação com a CCC, que chegará a 2% do faturamento das empresas. O percentual anterior não chegava a 1%. Para a regulamentação, o governo ainda não decidiu quem irá gerir o fundo, se a Eletrobrás ou as próprias distribuidoras
Projeto da hidrelétrica de Belo Monte prevê Eletrobrás como minoritária (Valor 3/10/2001)
Leila Coimbra , De São Paulo
Eletronorte finaliza neste mês o estudo de viabilidade para a construção da maior hidrelétrica exclusivamente nacional, a usina de Belo Monte, com 11.126 megawatts (MW) de potência instalada. O projeto exigirá investimentos de US$ 6 bilhões para a usina e linhas de transmissão.
O novo modelo incluirá a participação minoritária da Eletrobrás, segundo o presidente da Eletronorte, José Antônio Muniz Lopes. "Falta apenas decidir o percentual de participação estatal e privada", disse. Ele afirmou também que já estaria acertado o financiamento de um terço do custo total do projeto com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Serão necessários US$ 3,5 bilhões para a usina e US$ 2,5 bilhões para os três linhões de transmissão que escoarão a sua energia.
Até o fim de outubro, garante o executivo, deverão estar nas mãos da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) os estudos de viabilidade técnica, de impacto ambiental e de transmissão.
O próximo passo, a elaboração do processo licitatório da usina, ficará a cargo do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que já tem até data agendada para discutir a pauta: dia 17 de dezembro.
Várias empresas já demonstraram interesse no empreendimento. Informações de mercado dão conta de que a Companhia Vale do Rio Doce, a Companhia Brasileira do Alumínio (CBA), a Alcoa e o grupo VBC já estariam costurando um consórcio para arrematar a concessão de Belo Monte.
"Todas as condições são favoráveis para o início das obras no primeiro trimestre de 2002", afirma Lopes. A primeira unidade geradora entraria em operação quatro anos após o início da construção.
O principal empecilho do cronograma idealizado pelo presidente da Eletronorte é uma liminar concedida no início de setembro que suspende os estudos da hidrelétrica. A ação foi concedida pelo juiz Alexandre Machado Vasconcelos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.
Lopes afirma que a suspensão dos estudos não afetará a coleta de dados, já que o trabalho foi concluído, completando um ciclo hidrológico. Ainda assim, a entrega do Estudo e do Relatório de Impactos Ambientais (EIA/Rima), prevista para 15 de outubro, vai atrasar.
Críticos da futura usina garantem que ela não poderá gerar 11.186 MW durante todo o ano, mas apenas na época das cheias do rio Xingu, de novembro a junho. Nos meses restantes só poderá gerar entre 4.000 e 6.000 MW por ter um reservatório pequeno.
O presidente da Eletronorte rebate as críticas dizendo que Belo Monte gerará energia em sua potência máxima durante o período em que os reservatórios das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste deverão estar gerando menos para acumular água. Quando as usinas dessas regiões passarem a gerar energia a capacidade ideal, Belo Monte, então, entraria em recesso, equilibrando o sistema.
Quando concluída, a usina será a maior hidrelétrica 100% brasileira. Será menor apenas que Itaipu, com 12.600 MW, que pertence ao Brasil e ao Paraguai, fornecendo energia para ambos os países.
Chuva alivia aumento de consumo no Sudeste
Reservatórios tiveram ganho de 0,15 ponto porcentual em sua capacidade
RENÉE PEREIRA – Estadão 3/10/2001
As fortes chuvas que caíram nos últimos dias no Sudeste aliviaram um pouco o impacto do consumo de energia nos reservatórios da região. De acordo com dados preliminares do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), entre sábado e segunda-feira, até as 14 horas, o ganho na capacidade de armazenamento foi de cerca de 0,15 pontos porcentuais.
Isso não significa, porém, que o movimento de queda no nível dos reservatórios tenha cessado. O recuo continua, mas as chuvas, pelo menos, anularam o efeito do aumento do consumo diário, que vem se agravando.
As bacias mais beneficiadas foram as dos rios Tiête e Paranapanema, onde estão localizadas as usinas de Promissão, Barra Bonita e Xavantes. Em Sorocaba, cabeceira do Rio Paranapanema, o volume de chuvas atingiu 92 milímetros (mm). Para ter idéia, durante todo mês de outubro de 2000, o volume de chuvas não ultrapassou 60 mm.
Mas nos principais reservatórios dos rios Grande e Paranaíba, como Furnas, Marimbondo e Emborcação, a quantidade de chuvas não foi tão expressiva.
Mesmo assim, as precipitações estão acima das previsões iniciais do ONS.
Apenas na segunda-feira, no subsistema Sudeste/Centro-Oeste, choveu 93% da média histórica ante os 75% previstos inicialmente pelo órgão como margem de segurança.
Nordeste – Enquanto isso, no Nordeste o nível de chuva verificado está sete pontos porcentuais abaixo da margem de segurança.
Ao mesmo tempo, o consumo vem aumentado, o que complica o quadro da região.
Na segunda-feira, a economia de energia havia sido de apenas 12,9% ante os 20% necessários para evitar um apagão. No Sudeste, a redução foi de 16,3%.