Falta energia para acompanhar a euforia
Só faltou dizer que a população passou a tomar mais banho depois do Plano Real. Em entrevista coletiva na segunda-feira, o presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio Neto, afirmou que o crescimento no consumo de energia após o programa de estabilização econômica vem sendo supreendentemente superior ao aumento de renda. A desculpa do presidente da estatal não resiste, contudo, aos documentos produzidos pela própria empresa. O Plano Decenal de Expansão da Eletrobrás revela que o consumo de energia elétrica cresce a um ritmo bem mais acelerado do que a economia desde a década de 70.
ãEstamos vivendo padrões extraordinários de aumento de consumoä, disse Sampaio Neto, no começo da semana, referindo-se ao período pós-real. Segundo ele, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 2,9% no ano passado, o consumo de energia deu um salto de 6%. Mas, em 95, o Plano Decenal da empresa, então presidida por Antônio Imbassahy, já alertava: ãVerifica-se a existência de uma componente (…) do mercado de energia elétrica que induz o seu crescimento mesmo com a economia em criseä. O plano atribui o consumo crescente à modernização dos diversos setores da economia, ao crescimento populacional, à extensão das redes elétricas e ao desenvolvimento da economia informal.
Procurado desde terça-feira pelo DIA, o presidente da Eletrobrás não deu retorno aos telefonemas.
Editora O DIA
Domingo, 4 de maio de 1997.