JB 18/8/99 Itamar faz sobrevôo ao front ROSELENA NICOLAU CAPITÓLIO, MG – Cercado por oficiais do Alto Comando da Polícia Militar, o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), fez ontem, durante uma hora, …


JB 18/8/99

Itamar faz sobrevôo ao front

ROSELENA NICOLAU


CAPITÓLIO, MG – Cercado por oficiais do Alto Comando da Polícia Militar, o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), fez ontem, durante uma hora, sobrevôo de reconhecimento da região em que estão localizadas, ao longo do Rio Grande, nove usinas de Furnas Centrais Elétricas. Sem dar detalhes das manobras que a PM realizará na área em outubro, o governador disse que já sabe o que fará se perder nos tribunais a batalha contra a privatização da estatal. "A coisa aqui é séria, não é de brincadeira", avisou, sem adiantar, porém, seus atos em caso de não ganhar na Justiça.


A PM montou acampamento no pasto de uma fazenda às margens de um dique que represa as águas do Rio Grande. No local, estiveram durante todo o dia dezenas de policiais armados com fuzis e metralhadoras, incluindo quatro atiradores de elite do Batalhão de Missões Especiais. Os três helicópteros que participaram da operação, incluído o que conduziu o governador, pousaram no local. Depois de receber prefeitos na casa principal da fazenda, Itamar reuniu-se, numa barraca de campana, com nove oficiais da PM – entre eles, o comandante-geral, coronel Mauro Lúcio Gontijo, e o chefe da Casa Militar, coronel Marco Antônio Nazareth.


Manobras – O governador voltou a deixar claro que a escolha da região para as manobras da PM está relacionada com a intenção do governo federal de vender a companhia. Sem esclarecer o que serão as operações de outubro, Itamar lembrou a atuação da PM na Revolução Constitucionalista de l932 e no golpe militar de l964. Prometendo questionar a privatização no Supremo Tribunal Federal (STF), o governador declarou: "O que pretendo fazer terei que discutir com a sociedade mineira, particularmente com os prefeitos e, evidentemente, com os militares (os PMs), porque a ação será deles".


Segundo Itamar, as manobras militares terão cunho social, com levantamentos das condições de vida das populações ribeirinhas, da piscicultura e do turismo. As operações servirão para mostrar, também, como a Cemig poderia ser afetada por projetos que mexessem nos rios que atendem Furnas. No Rio Grande, alem das nove usinas hidrelétricas de Furnas, estão instaladas cinco pertencentes à estatal mineira de energia, também integrantes do sistema interligado de geração de eletricidade no país.


O presidente do Sindicato dos Eletricitários de Furnas, Ataíde Vilela, disse que, "com a privatização, não haveria sinergia entre as usinas e isso levaria a um desperdício de água, já que um produtor independente não vai respeitar o GCOI (Grupo de Coordenação de Operações Interligadas)", que controla o sistema interligado.


Estado de Minas 18/8/99

Itamar esconde estratégia

Depois de sobrevoar a região de Furnas, o governador Itamar Franco anunciou que tem nova estratégia, caso o combate jurídico contra a privatização de Furnas não funcione. Contudo, além de não explicar a ação da Polícia Militar na região, também não deu detalhes da nova estratégia. Lembrou que medidas afoitas dependerão dos passos que dará o governo federal . Mas confirmou as manobras militares a partir de outubro e, sobre o desvio do rio Grande para o São Francisco, esclareceu que precisa estabelecer as cotas que a Cemig terá que fornecer , pois a drenagem acarretaria a queda no potencial de geração elétrica de Furnas em até 30%

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