O barato e o caro: Escândalo no MME!
Os sábios ou "sabidos" do governo conseguiram produzir um sistema que, "eficientemente", transfere custos para o consumidor contínuamente. Hoje, 7 anos após a brilhante idéia de copiar um modelo incompatível com o sistema brasileiro, que produziu o maior racionamento do planeta, dobrando a tarifa, agora conseguiu-se desvalorizar empresas do setor de renda mais estável no mundo! E fazem isso na maior cara de pau! Com certeza acham muito justo um empresário dono de geringonças a diesel que o mundo aposentou, e que ele, por seus laços dentro do governo, conseguiu vender para o pobre e desprotegido consumidor, ser também consultor do próprio governo!!!! É o fim!!!Qualquer país que preze minimamente sua população interromperia a carreira deste e de outros "funcionários públicos" que prestam serviço ao setor privado! Empresas baratas e energia cara! Que genial!
Grande oferta de ativos pode baratear preços
Turbulências no mercado. entretanto, dificultam ação de eventuais compradores
RENÉE PEREIRA
A decisão de alguns grupos estrangeiros, como Eléctricité de France (EDF), AES Corp., Enron e Pensylvania Power Light (PPL) de se desfazerem de ativos brasileiros poderá resultar em boas oportunidades de negócios no País, seja na área de distribuição ou geração de energia. Embora algumas empresas controladas estejam passando por momentos de dificuldade, a exemplo da Eletropaulo Metropolitana, os ativos são considerados bons, na avaliação de analistas do setor. O problema, no entanto, é encontrar potenciais compradores diante das turbulências do mercado. Além disso, no cenário interno há ainda incertezas políticas e regulatórias (ler abaixo).
Com a escassez de recursos no mercado mundial, a dificuldade é conseguir financiamentos para aquisições de porte, como é o caso das distribuidoras de energia Eletropaulo, Light, Elektro, AES Sul e Cemar. Mas quem tiver dinheiro poderá fazer negócios interessantes, pois os preços tendem a ficar abaixo do cobrado nos leilões de privatização, com ágios exorbitantes.
A distribuidora Elektro, controlada pela Enron, por exemplo, foi comprada em 1998 com ágio de 99%. Com o processo de concordata, a empresa americana teve de colocar seus ativos à venda, inclusive a concessionária brasileira, para fazer caixa e honrar seus compromissos. Numa possível venda da distribuidora, o preço deverá ser inferior ao pago no leilão, afirmam analistas.
Outro fator que pode reduzir o valor das empresas é a superoferta de ativos no mercado. Quem tiver urgência terá de oferecer um preço bastante atraente para conseguir vender a empresa. As chances de alienações neste ano, porém, são mais remotas, principalmente por causa das eleições presidenciais.
Entre as companhias com melhores perspectivas de venda, a geradora AES Tiête, localizada no interior de São Paulo, é a que tem mais possibilidades, afirma o analista do BBA, Marcos Severine. Segundo especulações do mercado, a americana Duke Energy seria uma potencial compradora da companhia. Apesar de uma dívida financeira calculada em R$ 1,25 bilhão, a geradora é considerada boa aquisição, pois embute expectativa de aumento do preço da energia. O que elevaria sua geração de caixa – em 2001 calculada em R$ 385 milhões por ano.
No entendimento do analista do Unibanco, Sérgio Tamashiro, uma empresa não pode ser considerada ruim apenas pelo seu grau de endividamento. "É claro que dívidas altas acabam reduzindo o valor da empresa, mas é preciso levar em conta uma série de fatores, inclusive o potencial de geração de caixa."
A Eletropaulo, exemplifica ele, é bastante endividada, mas sua geração de caixa é uma das maiores do setor, em torno de R$ 1,5 bilhão por ano. O que desestabilizou a distribuidora foi a concentração de pagamentos no segundo semestre deste ano associada aos problemas financeiros de sua controladora americana, AES Corp. "Mas ela tem mostrado capacidade para renegociar esses compromissos", afirma Severine, do BBA.
Amanhã, a empresa terá mais uma batalha pela frente, pois acaba o prazo para a renegociação de um empréstimo sindicalizado com bancos no valor de US$ 225 milhões. Até o fim do ano, a distribuidora tem de pagar R$ 350 milhões a debenturistas e US$ 100 milhões de commercial papers. A maior distribuidora do País e da América Latina também está sendo afetada pela mudança nos hábitos de consumo de seus clientes, provocada pelo racionamento de energia.
O problema de alto endividamento também é o calcanhar-de-aquiles da distribuidora Light, do Rio. Grande parte do débito da companhia estava em moeda estrangeira até o ano passado e agora está protegida por operações de hedge. O analista do BBV, Osvaldo Alcantara Teles, explica que as dívidas das empresas cresceram por causa da desvalorização cambial. Na época da privatização, diz ele, a paridade do dólar era um para um e havia excedente de dinheiro no mercado externo. "Todos preferiram captar lá fora, e hoje estão pagando por isso."
No caso da Light, a controladora EDF tentou amenizar a situação e injetou US$ 1 bilhão para captalização da empresa no ano passado. "Isso tornou a empresa melhor, com uma dívida mais fácil de ser honrada e um resultado operacional bom", diz Teles. Agora, depois da reestruturação financeira, o grupo francês poderá deixar o País, mas por uma questão de estratégia.
Segundo analistas, a empresa deverá focar suas atenções no mercado europeu.
Mas o controlador não aceitará entregar a distribuidora por uma pechincha, inclusive porque aportou altos volumes de dinheiro na empresa.
O mesmo não deverá ocorrer com a Companhia Energética do Maranhão (Cemar), que está sob intervenção da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) por problemas financeiros. A distribuidora é um dos poucos ativos que os analistas não consideram como bom. Além da geração de caixa ser baixa, em torno de R$ 70 milhões, seu mercado de atuação está abaixo das expectativas de consumo. "As melhores oportunidades estarão nos ativos mais baratos", afirma o analista da Pactual, Pedro Batista.
Consultor tenta vender dados do governo
HUMBERTO MEDINA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O consultor do Ministério de Minas e Energia Fábio Ramos tentou vender, por R$ 108 mil, serviço de consultoria, com acesso a informações do governo, para investidores privados do setor elétrico. A proposta foi feita à Apine (Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica).
Oficialmente, a proposta foi recusada, mas Ramos permanece tanto como assessor do ministério como conselheiro da Apine ,além de deter participações em usinas e empresas do setor.
Na proposta de consultoria, obtida pela Folha, Ramos explica, no item "forma de atuação", que a Apine poderia ter acesso e discutir relatórios de grupos de trabalho do governo "antes da entrega à CGSE [Câmara de Gestão do Setor Elétrico, sucessora do "ministério do apagão"".
Ainda de acordo com o texto da proposta de consultoria, Ramos explica que, por meio dele, a Apine poderia "colocar suas posições com clareza e canal adequado" . Ramos informa, na proposta, que presta assessoria e tem "despachos semanais com o senhor ministro [Francisco Gomide"" .
No documento no qual tenta vender seus serviços, Ramos diz que uma das questões de interesse da Apine -obrigatoriedade de contratação de longo prazo de fornecimento de energia- ainda não havia sido discutida na CGSE, mas que o ministro Gomide concordava que a obrigatoriedade era a melhor solução: "Reflexos da reunião com a Apine e do trabalho corpo-a-corpo", esclarece.
Ramos informa à associação que, em seu trabalho no ministério, "discussões e sugestões em diversas tarefas de interesse da Apine são solicitadas ".
Ainda na proposta, Ramos explica aos membros da entidade que "agora é a hora de formar opiniões". Em um indicativo de que o aumento da interferência do setor privado nas decisões do governo é fruto da falta de recursos do ministério (veja texto nesta página), Ramos escreve que "suporte ao desenvolvimento dos documento legais necessários é algo que seria muito bem-vindo, dada a carência do MME [Ministério de Minas e Energia"".
Informações
A consultoria de Fábio Ramos à Apine seria feita por meio de sua empresa, a RHE. No dia 15 de agosto, em reunião de seu conselho de administração, a Apine analisou a proposta de Ramos. Nesse mesmo dia, o consultor do Ministério de Minas e Energia fez um relato dos assuntos que eram discutidos no governo.
De acordo com a ata da reunião, Ramos não deu detalhes por não estarem "disponíveis para os agentes externos". No entanto, em seguida, a ata lista vários itens em discussão no governo expostos por Ramos, indicando até onde a Apine deve "atuar" e o nome da pessoa a ser procurada.
Definições do governo sobre os pontos relacionados por Ramos na reunião do dia 15 -valor de energia para termelétricas, nova definição de mercados de energia, prazo do subsídio com recursos da Cide (imposto dos combustíveis), compra de energia por meio de leilões para distribuidoras- só vieram a público após entrevista coletiva do ministro Francisco Gomide, em 21 de agosto.
A Apine condicionou a contratação de Fábio Ramos à sua saída do ministério. Como isso não aconteceu, em nova reunião no dia 29 de agosto, a entidade desistiu de contratá-lo.
Participações
Além de oferecer seus serviços para o setor privado, Fábio Ramos tem participação em três usinas termelétricas do programa emergencial -conhecido como seguro anti-racionamento.
Ramos tem participação também na comercializadora de energia Tradener e na concessão da usina hidrelétrica de Murta (MG), além de ser proprietário de uma comercializadora de energia. As participações de Ramos no mercado de energia se dão por meio de sua consultoria, a RHE.
Ramos não tem vínculo formal com o ministério, mas ocupa uma sala no prédio, participa de reuniões e foi nomeado coordenador de dois grupos de trabalho do Comitê de Revitalização, como representante do ministério. Ramos foi levado para o ministério no início de maio por Gomide.

Demora na regulamentação do setor atrapalha os investimentos
Definição do fator de correção das tarifas e do Valor Normativo são as questões mais delicadas
O governo vem se empenhando, mas os investidores continuam insatisfeitos com a demora na regulamentação do setor elétrico. Segundo eles, importantes medidas ainda precisam ser adotadas para permitir a retomada dos empreendimentos e garantir o pleno funcionamento do setor.
Entre as questões mais delicadas para serem solucionadas estão o novo Valor Normativo (VN) e o fator de correção das tarifas (fator x), explica o analista do BBV, Osvaldo Alcantara Teles. O primeiro mecanismo define o limite de repasse para as tarifas dos consumidores referentes aos custos das distribuidoras com a compra de energia das geradoras. Na prática, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o VN tende a ser uma proteção aos consumidores cativos (que não podem escolher fornecedor de energia) de eventuais variações bruscas nos preços de mercado. A medida terá de ser regulamentada antes do dia 16, pois é fator imprescindível para a realização do leilão de energia das geradoras federais.
Já o fator x está relacionado às revisões tarifárias, que começam a partir de 2003. Nos contratos assinados com as distribuidoras, segundo a Aneel, está previsto o uso de um fator de correção do reajuste tarifário, cujo objetivo é incentivar a concessionária a explorar as oportunidades de melhoria da eficiência econômica de sua concessão. Esse fator atua também como instrumento de repartição dos ganhos de eficiência da concessionária com seus consumidores e pode reduzir o reajuste tarifário das empresas.
Em ambos os casos, as medidas estão associadas às tarifas de energia e podem representar limites de repasse para os consumidores. O início das liquidações do Mercado Atacadista de Energia (MAE) é outro anseio dos investidores, que sonham com o pleno funcionamento do mercado.
Embora haja muitas reclamações, desde o lançamento do primeiro relatório de revitalização, em janeiro, muitas questões foram resolvidas pelo governo, nem sempre ao gosto dos empreendedores. Na semana passada, por exemplo, a Aneel definiu a nova metodologia de remuneração dos ativos das empresas para fins da revisão tarifária periódica, que ocorre, em média, a cada cinco anos. A Associação Brasileira dos Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), no entanto, informou estar surpresa com a decisão da agência e convocou todos os associados para discutir com as autoridades a nova medida.
Outra questão solucionada pelo governo foi a regulamentação dos leilões públicos de energia das geradoras federais, que terá início dia 16. Além disso, criou o subsídio do gás natural para incentivar a fonte termoelétrica no País e alterou os critérios de consumidores de baixa renda, que também provocou enorme descontentamento no setor. A medida teve de ser revista e os possíveis prejuízos das distribuidoras deverão ser subsidiados. (R.P.)
Economia continua, mesmo após racionamento
Total de energia consumido no País não deve ultrapassar nível de 1998
JACQUELINE FARID
RIO – O racionamento de energia elétrica terminou oficialmente em fevereiro, mas as práticas de redução de consumo prosseguem nas residências brasileiras. A mudança de hábito dos consumidores e a alta nas tarifas estão provocando variações de consumo muito abaixo das projetadas antes da crise.
O fenômeno está puxando para baixo os resultados do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e afetando os balanços das empresas do setor.
O total consumido no País neste ano não deverá ultrapassar 38.500 MWmédio/dia, o mesmo patamar de 1998. No primeiro semestre, a queda no consumo em relação ao ano passado chegou a 9%, segundo dados da Eletrobrás.
O porcentual surpreende para um setor que, antes do racionamento, apresentava expansões crescentes e consecutivas.
No PIB, o setor de energia, apresentou queda de 7,3% no primeiro semestre, representando um dos principais impactos para que o indicador registrasse crescimento de apenas 0,14% no período, na comparação com os seis primeiros meses do ano passado. O gerente do departamento de contas nacionais do instituto, Roberto Olinto, disse que a queda do consumo e a redução da atividade econômica, derrubaram os resultados do setor e contribuíram para a pequena expansão do PIB.
Nas empresas do setor, a estimativa do analista do banco BBA, Marcos Severine, é que o consumo de energia elétrica abaixo dos patamares esperados neste ano deverá resultar em perda total de R$ 3 bilhões em receita para as empresas do setor no período. Segundo ele, essa perda ocorrerá porque o consumo no ano deverá atingir 38.500 MW médios/dia, ante 41.000 MW médios de 2000. Essa diferença de 1.500 MW médios resultará na perda estimada, levando-se em conta a tarifa média atual de R$ 138/MWh. Suas contas apontam também que a perda no ano será ainda maior (R$ 7 bilhões) levando-se em consideração a projeção de consumo para 2002 feita antes o racionamento energético (44.300 MWmédio/dia).
A retração do consumo está ocorrendo com maior força nas residências do que nas indústrias. Segundo os dados da Eletrobrás, a queda do consumo residencial no primeiro semestre foi de 15,5% e na indústria, de 4,9%, em ambos os casos na comparação com o mesmo período do ano passado.
O setor industrial responde por cerca de 40% do consumo, enquanto as residências participam com 27%, mas as tarifas cobradas no segundo caso são maiores e, portanto, o impacto da queda residencial acaba sendo maior para as empresas e para o PIB. Essa redução em âmbito familiar é atribuída não apenas à mudança de hábito, considerada o principal fator, mas também aos reajustes tarifários. Segundo dados do IBGE, as tarifas de energia elétrica aumentaram 10,23% no primeiro semestre, ante inflação de 2,94% acumulada no período.
As quedas no consumo em relação ao ano passado, superiores ao esperado, não esgotam as frustrações nas previsões do mercado. Estudo do Operador Nacional do Sistema (ONS), em conjunto com a Eletrobrás, mostra que a energia consumida no País neste ano já está 12% abaixo da projetada para o período no final de 2000. No início do ano, a previsão era que a queda em relação às projeções anteriores ao racionamento seria de 7%. Na próxima semana, o ONS deverá divulgar novos estudos, que revisam as projeções e acentuam a estimativa de queda.
Novos hábitos – A redução do consumo vem sendo provocada em parte pelo desaquecimento da economia e pela queda da renda, mas está diretamente relacionada às mudanças de hábito impostas pelo plano de racionalização do consumo e mantidas pelos brasileiros. Um dos mentores do racionamento energético, o professor baiano James Correia é também um exemplo dos resultados da redução compulsória do consumo nos hábitos dos consumidores. Ele próprio diminuiu de modo permanente o total mensal consumido de 1.200 KWh, antes da crise, para atuais 400 KWh.
Segundo Correia, o caminho que levou à sua redução do consumo é o mesmo que vem sendo percorrido pela maior parte dos consumidores. Ele substituiu em um quarto, por exemplo, uma lâmpada de 150 W por outra fluorescente de 18 W.
Além disso, regulou os termostatos de dois aquecedores elétricos e só usa uma das duas geladeiras em caso de festa.
"No segmento residencial havia um sentimento de que a energia era inesgotável antes do racionamento", observou. Já na indústria, em muitos casos, havia desperdício ou uso ineficiente da energia elétrica. Correia avalia que a expansão do consumo a partir de agora estará, mais que nunca, vinculada ao crescimento da economia. (AE)