Calor aumenta gasto de energia Ramona Ordoñez No último domingo, quando foi registrada a maior temperatura dos últimos cinco anos no Rio de Janeiro, com os termômetros marcando 42 graus centígrados, …



Calor aumenta gasto de energia

Ramona Ordoñez


No último domingo, quando foi registrada a maior temperatura dos últimos cinco anos no Rio de Janeiro, com os termômetros marcando 42 graus centígrados, o consumo de energia, puxado pelos aparelhos de ar-condicionado, também foi forte. A Light, que atende a 33 municípios no Estado do Rio de Janeiro, informou que o consumo de energia nesse dia foi 11% superior ao verificado no domingo anterior, com um total de 75 mil megawatts/h (MWh). Segundo a concessionária, às 23h de domingo, o consumo deu um salto e cresceu 14%.


Nos 66 municípios do Estado do Rio atendidos pela Cerj o consumo de energia foi também elevado nos últimos dias. No domingo, a companhia registrou uma demanda de 27.963 MWh, 15,9% superior aos 24.103 MWh verificados em igual dia de 2000. Em comparação com o mesmo dia do ano passado, quando o país estava em racionamento, o consumo de energia no último domingo foi 43,2% superior.


Cerj também registrou aumento


Na semana de 25 de novembro a 1 de dezembro, a Light registrou um consumo total de 614 mil MWh, um aumento de 6,78% em relação aos 575 mil MWh verificados na semana anterior, de 27 de novembro a 3 de dezembro de 2000. A demanda de energia da última semana de novembro em comparação com a última semana do mesmo mês do ano passado, representou um aumento de 30%. Os técnicos da Light lembram, no entanto, que a comparação com 2001 não é um bom parâmetro porque o país vivia o racionamento de energia.


O presidente do Operador Nacional do Sistema elétrico (ONS), Mário Santos, disse que apesar das altas temperaturas verificadas principalmente no Sudeste nas últimas semanas, o abastecimento de energia não corre risco. Segundo Mário Santos, desde que terminou o racionamento em março último até agora o consumo está 13% menor em relação aos níveis anteriores, superando a previsão do governo, que era de uma redução de 7%. Na última semana, o consumo estava 11% menor, segundo o ONS.



Carioca corre atrás de ar-condicionado

Ledice Araujo e Ronaldo D’Ercole


RIO e SÃO PAULO. O calor sufocante deste fim de semana e o ar-condicionado pifado em casa foram a gota d’água para a funcionária pública Iracema Martins decidir comprar um novo aparelho esta semana. Ontem mesmo ela correu três lojas do Centro para anotar os preços e deve fechar a compra até amanhã, após a análise da pesquisa feita pelo marido em outras redes.


– Comprarei na loja com o melhor desconto à vista. O crediário sempre embute juros. Se vou pagar de uma vez, quero vantagem.


A consumidora está preocupada também com a possibilidade de aumentos devido à procura maior. Ela contou que, na loja do Ponto Frio, um vendedor a alertou de que a oferta de alguns modelos já estava escassa e a entrega só seria garantida para janeiro.


Movimento maior deixa lojista otimista com Natal


Este é apenas um exemplo do comportamento de centenas de consumidores que correram ontem às lojas para pesquisar os preços e e as condições de pagamento de aparelhos de ar-condicionado, ventiladores, geladeiras e freezers. Essa lista incluiu o despachante aduaneiro Rodrigo Rabellais, que comprará esta semana um aparelho Split (21 BTUs) para o escritório.


– Não dá para enfrentar este calor sufocante no trabalho.


O gerente de marketing da Tele-Rio, Mário Arruda, confirmou que o movimento foi bem melhor que o do fim de semana anterior. Ele não dispõe ainda do índice de crescimento, mas a reação deixou-o mais otimista na previsão de vender mais neste Natal. Ele admitiu que o dólar mais alto encareceu os preços na indústria.


– O varejo vem repassando aos poucos e facilitando o pagamento. Vendemos em até seis vezes e o consumidor está aproveitando. Afinal, não há mais racionamento.


Mas não são apenas os eletrodomésticos que estão com vendas crescentes. Segundo a Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), o movimento no primeiro fim de semana de dezembro registrou crescimento de 5% a 10% em relação ao anterior. Em comparação com o mesmo período do ano passado, houve empate.


As vendas de produtos de verão estão aquecidas mas dentro das previsões nas 322 lojas das Casas Bahia. O diretor administrativo e financeiro da rede, Michael Klein, diz que a demanda acompanha o cronograma de renovação de estoques e garante que não há risco de falta neste fim de ano:


– Não perderemos vendas por falta de produtos. O ritmo não indica explosão de consumo.


Segundo ele, a rede trabalhará com as encomendas de outubro, ficando assim livre de pressões por repasses de reajustes de preços.





Cemig: prejuízo de R$ 268 milhões até setembro

Walter Huamany


BELO HORIZONTE. A Companhia Energética de Minas Gerais(Cemig) acumulou, nos nove primeiros meses deste ano, um prejuízo de R$ 268 milhões. Segundo a empresa, o desequilíbrio cambial foi o principal responsável pelo aumento de R$ 731 milhões na sua dívida, só no terceiro trimestre deste ano, afetando seus resultados.


A dívida da Cemig já soma R$ 3,6 bilhões. A empresa também alegou que foi obrigada a investir mais este ano. Foram gastos R$ 3,2 bilhões até setembro contra R$ 2,6 bilhões no mesmo período do ano passado.


Os maiores investimentos da Cemig foram feitos nas novas hidrelétricas de Funil, que vai ser inaugurada no próximo dia 10, Queimado e Aimorés, que vão começar a funcionar no ano que vem. Mas, apesar da difícil situação financeira, a Cemig ainda é a maior distribuidora de energia do país, com cerca de cinco milhões e 500 mil consumidores.





Califórnia acusa El Paso de roubo no fornecimento de gás natural


WASHINGTON e RIO. O estado da Califórnia acusou ontem, durante uma audiência, a distribuidora de energia El Paso de roubo: os procuradores dizem que a empresa deliberadamente cortou o fornecimento de gás natural para o estado durante a crise de energia de 2000-2001. As pesadas multas que a El Paso terá de pagar se for considerada culpada podem pôr em risco o futuro da empresa e afetar suas operações no Brasil, onde é dona de termelétricas e explora petróleo.


Os procuradores da Califórnia afirmam que as distribuidoras de energia tiveram um gasto extra de US$ 3,3 bilhões com a compra de gás natural porque a El Paso limitou o envio do produto por seu gasoduto – o maior dos EUA – a 79% da capacidade entre novembro de 2000 e março de 2001.


Empresa lucrou US$ 1 bi no período da crise


– A El Paso roubou capacidade (de gasoduto) da Califórnia – disse Harvey Morris, advogado da Comissão de Serviços Públicos daquele estado na audiência com a Comissão Federal Reguladora de Energia (Ferc, na sigla em inglês). – Os preços do gás natural na Califórnia naquele período dispararam.


Em dezembro de 2000, o gás na Califórnia custava US$ 58 por milhão de BTUs, contra US$ 10 no resto dos EUA.


Se a Ferc considerar a El Paso culpada, a empresa terá de devolver os lucros do período. A companhia também teria de pagar multas em várias ações relacionadas. A El Paso nega ter agido de má-fé. Ela admite ter mantido quase 20 mil metros cúbicos/dia de gás natural fora do mercado, mas diz que isso se deveu à manutenção do gasoduto e ao aumento da demanda em Arizona e Novo México.


Mas os procuradores da Califórnia sustentam que o objetivo da empresa era elevar os preços. Naquele período, a El Paso lucrou cerca de US$ 1 bilhão no estado – contra uma estimativa de US$ 184 milhões.


O argumento da empresa é que o Departamento de Transportes americano havia ordenado a redução da capacidade do gasoduto depois da ruptura de uma tubulação no Novo México, quando 12 pessoas morreram. Mas a Califórnia diz que a ordem era para reduzir a capacidade em cerca de nove mil metros cúbicos.


O advogado da El Paso, William Scherman, sustenta que a conduta da empresa foi sensata e em conformidade com as regras da Ferc.


Moody’s rebaixou papéis da El Paso para ‘junk’


O caso é considerado crucial para a El Paso, cujos papéis foram rebaixados ontem para junk (investimento de altíssimo risco) pela agência de classificação Moody’s.


A decisão da Ferc será anunciada no início do ano que vem. Analistas do setor dizem que ela será decisiva para as ações movidas pelos estados de Califórnia e Nevada.


No Brasil, a El Paso é o terceiro maior explorador de petróleo, atrás de Petrobrás e Chevron Texaco. Ela opera várias termelétricas, incluindo a Macaé Merchant, com potência de 870 megawatts.




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