Quem disse que a LIGHT não investe? Ai está o principal interesse da prestimosa empresa: Aumentar seus lucros.
Light amplia medição eletrônica
BELO HORIZONTE, 15 – A Light vai expandir o projeto que está desenvolvendo para automatizar a medição do consumo residencial de energia em sua área de concessão – 30 municípios do Rio de Janeiro. No ano que vem, a pretende implantar equipamentos que permitam o registro remoto da demanda de 4,5 mil consumidores. O programa de automação da Light foi iniciado, em fase de testes, no ano passado, com o acompanhamento do gasto de energia de 1,2 mil consumidores. ‘A medição remota facilita a operação dentro de áreas informais do estado’, explica Ricardo Van Erven, chefe do departamento de aquisição de materiais. A tecnologia empregada na etapa piloto do programa foi desenvolvida pela própria Light, em parceria com a Landis & Gyr, fabricante suíço de medidores. Além do acompanhamento remoto do gasto de energia, o equipamento permite o registro da carga e a operação de desligamento e religamento do consumidor.
‘Esse programa está em desenvolvimento, abrangendo primeiro os consumidores de baixa renda, e pode ser usado para a normalização de ligações clandestinas. Mas, em cada caso, vamos estudar a melhor alternativa’, explicou Terence Talbot, superintendente de aquisição e logística da Light. A estimativa da empresa é de que existam cerca de 200 mil ligações informais dentro de seu mercado, das quais 90 mil devem ser regularizadas este ano. ‘Esse número varia bastante a cada entrada em uma nova comunidade’, salienta Talbot. As perdas comerciais da distribuidora chegam a 8,5% e a meta é baixá-las para 6% até dezembro. ‘O plano é reduzir esse índice para 2% num prazo de dois a três anos’, observa Serge Thevel, diretor de operações. No ano passado, a Light distribuiu em seu mercado 23,7 mil gigawatts hora (GWh) de energia, atendendo uma população de nove milhões de pessoas.
O executivo informou que a ALTM, ‘joint-venture’ formada entre a Light e a Alstom para a área de manutenção, irá executar um ambicioso plano comercial nos próximos anos. A estratégia é reduzir significativamente a participação da Light nas receitas da nova empresa. A previsão é de que até março do ano que vem, a ALTM apure receitas da ordem de R$ 16 milhões, sendo 85% desse valor com prestação de serviços à Light. No sexto ano de operação, a ALTM deverá faturando cerca de R$ 70 milhões, dos quais apenas 35% apurados nos contratos com a distribuidora de energia. Esse perfil será alcançado por meio de agressiva atuação da ALTM para conquistar novos clientes. A empresa já vem firmando contratos com a CESP, CPFL e a própria Alstom, informou Talbot. A Light detém 49% da joint-venture. O restante é controlado pela Alstom. Fonte: Gazeta Mercantil (Danilo Jorge)
Comentário
" Até, digamos, o inicio dos anos sessenta, o comentário que se segue poderia ser considerado sem sentido e piegas. Afinal, eram escassas no país as competências em engenharia de sistemas elétricos. Assim, a LIGHT e a AMFORP estrangeiras tinham nos seus cargos gerenciais de importância raros nativos. Contudo, passados quase quarenta anos a situação é completamente diferente. O país investiu com sucesso, sobretudo nos anos sessenta e setenta, em recursos gerenciais e técnicos de alto nível e amplo escopo, para o seu setor de energia elétrica. Ganhamos notoriedade internacional. Por isso a sensação de derrota nos atinge quando ouvimos, como se estivessemos nas cinco primeiras décadas do século, nomes e sobrenomes estrangeiros ocupando cargos, antes de profissionais brasileiros, nas LIGHTS E CERJS da vida. A grande imprensa não estranha nem comenta. O governo é internacionalista no mal sentido… Enquanto isso – o fato é real e recente – grupo de engenheiros, desempregados e/ou aposentaados precossemente, se unem para prestar serviços a taxas de 7,50 reais por hora ! Grande número de pusilânimes atribuem tudo ao " mercado" … No mesmo contexto de servidão voluntária, ouvimos pasmos que a Light franco-americana se une a Landis & Gyr para desenvolver tecnologia de medição digital remota de energia. Não que a Light estatal tenha sido muito engajada em desenvolvimentos locais autônomos de tecnologia de ponta. Talvez sequela em suas equipes veteranas que começaram suas carreiras numa Light que perdia substância sob contrôle estrangeiro. Nunca foi muito fanática nessa área nos anos oitenta, quando outras empresas e o CEPEL se engajavam com idealismo e sucesso em desemvolvimentos pioneiros. Mas agora, nem esses ! Os que se engajaram foram punidos. Desapareceram ou foram tragadas as nascentes empresas privadas brasileiras do setor.
Olavo Cabral Ramos Filho 19/10/1999