O subdesenvolvimento da elite neo-liberal que comanda o país, nessa notícia se desdobra em 3 aspectos principais:1. O total desprezo pela opinião pública do povo do Paraná. Praticamente 100% do Paran& …

O subdesenvolvimento da elite neo-liberal que comanda o país, nessa notícia se desdobra em 3 aspectos principais:1. O total desprezo pela opinião pública do povo do Paraná. Praticamente 100% do Paraná é contra a privatização da COPEL. 2. Até o setor financeiro, através de um superintendente do UNIBANCO, reconhece que o preço da COPEL é baixo e portanto um péssimo negócio para o Estado. 3. A total suspeição do setor judiciário brasileiro. É inacreditável o comportamento dos juizes que insistem em caçar as liminares concedidas para o cancelamento do leilão.



Data do leilão da Copel ainda é dúvida


Marcado para quarta-feira, investidores pressionam por mais prazo


RENÉE PEREIRA


A realização do leilão de privatização da Companhia Paranaense de Energia (Copel) ainda é uma incógnita para o mercado, mesmo com a garantia do governador do Estado, Jaime Lerner. Diante da pressão das candidatas pré-qualificadas – Tractebel, VBC e Companhia Vale do Rio Doce e GP Partners – pelo adiamento do leilão, ninguém se arrisca a confirmar, categoricamente, a venda da empresa na quarta-feira, na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. Os investidores ameaçam se retirar da disputa caso a data não seja estendida em, pelo menos, 15 dias.


Na avaliação dos especialistas, prolongar o processo pode ser uma arriscada decisão para o governo, que pode comprometer por tempo indeterminado a venda da estatal. Segundo o analista da Corretora Sudameris, Marcos Severine, em 15 dias, por exemplo, a situação da economia da Argentina pode piorar, pressionando o câmbio brasileiro. Neste caso, as possibilidades de privatização da empresa este ano serão nulas, analisa Severine.


A posição do governo não é nenhum pouco confortável. Embora corra o risco de não ter participante no leilão, ele conta com o dinheiro da venda para quitar débitos de precatórios emitidos por diversas prefeituras e comprados pelo Banestado. O Estado do Paraná deu como garantia suas ações na Copel. Com a aquisição do Banestado pelo Banco Itaú, esse crédito foi automaticamente repassado.


Segundo o analista do Unibanco, Sergio Tamashiro, a dívida de cerca de R$ 465 milhões, que vencia em 2000, foi prorrogada por 15 meses diante da impossibilidade de pagamento, para março de 2002. "Existe o risco de o governo perder todas as suas ações para o Banco Itaú, caso o valor não seja quitado."


Investidores – Esse pode ser um dos principais motivos que vêm pesando na decisão do governador Jaime Lerner de manter a data do leilão num cenário tão delicado. Não bastasse a crise energética, que trouxe à tona diversas fragilidades do setor, a turbulência do mercado mundial tirou um pouco o apetite dos investidores estrangeiros.


Grandes companhias elétricas, como AES, EDF, EDP, Endesa, Duke Energy e RWE, desistiram da disputa pela empresa, até mesmo como uma forma de protesto. "Quem vai querer investir num mercado onde as regras se alteram a todo momento", afirmou o presidente da AES, Luiz David Travesso. "É necessário criar condições de investimentos, com retornos adequados ao capital aplicado."


Outras empresas justificaram investimentos em outros mercados. Foi o caso da Duke Energy e RWE. A primeira adquiriu uma companhia canadense por US$ 8 bilhões e a segunda, uma empresa americana por US$ 7,6 bilhões.


"Essas empresas preferiram comprar caro em mercados mais estáveis do que barato, em mercados emergentes", diz Tamashiro, referindo-se ao preço da Copel, em torno de US$ 2 bilhões.


A hipótese mais cogitada no mercado nos últimos dias é a realização do leilão com a participação de apenas um consórcio, formado por todas as pré-candidatas. Na opinião de Tamashiro, do Unibanco, seria complicado para VBC e Vale bancarem sozinhos o valor mínimo para compra da empresa, estipulado em R$ 5,06 bilhões.


A obtenção de uma liminar na sexta-feira suspendendo o leilão foi até comemorada pelos candidatos. Mas no mesmo dia, horas mais tarde, o presidente do Tribunal de Justiça do Paraná, Vicente Troiano Netto, cassou a liminar. O diretor da Votorantim Energia, José Said de Brito, já havia comentado, que se o adiamento


Limininar cassada – De acordo com as candidatas, exatamente por ser um investimento alto, é preciso adiar a data do leilão. O presidente da belga Tractebel, Maurício Bärh, afirmou que a possibilidade de a empresa participar do leilão é pequena se não houver adiamento. "Precisamos de mais tempo para avaliar as condições da empresa", diz. Aliás esta também é a justificativa do grupo VBC, que considera apertado o prazo para costurar os últimos detalhes até quarta-feira. fosse mantido, talvez a empresa conseguisse montar uma estrutura para participar do leilão.


Mas, para Tamashiro, do Unibanco, a justificativa é mais uma forma de pressionar o governo federal. "A solicitação de mais tempo para avaliar os ativos da empresa é apenas uma desculpa, pois todos conhecem a Copel há muito tempo."


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