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FURNAS EM PÓ



O CND – Conselho Nacional de Desestatização, em decisão recente, resolveu encaminhar ao Presidente da República o modelo de privatização de FURNAS. Por ele, as ações deverão ser colocadas à venda de forma pulverizada para preservar o poder de veto do governo. Os consumidores de energia elétrica poderão comprá-las pagando mensalmente através das contas de luz e os trabalhadores poderão usar o FGTS para o mesmo fim.


Cabe agora questionar aqueles cidadãos e entidades que sempre se opuseram às privatizações, se mudam sua posição contrária à privatização, aceitando esse modelo como sendo melhor que o tradicional leilão do qual só participam grandes empresas, bancos e corporações, ou se continuam se opondo.


Muito recentemente o prof. Tolmasquim, da COPPE, mostrou que a privatização de forma pulverizada das ações das empresas de energia elétrica da Inglaterra, feita pelo governo Thatcher, acabou por se tornar inócua, pois em dez anos as grandes corporações acabaram adquirindo as ações que estavam em poder do público.


O governo brasileiro rebate esta tese afirmando que tomará as devidas precauções, não permitindo que qualquer acionista detenha mais do que 1% das ações com direito a voto.


Vê-se claramente que os erros cometidos por outros países no trato da gestão do sistema elétrico não estão servindo de lição ao Brasil. Outro exemplo disso é o que acontece com o Estado americano da Califórnia, onde empresas estatais de energia elétrica foram privatizadas e o setor desregulamentado, exatamente o que se propõe aqui no Brasil, levando o sistema elétrico ao caos, ao racionamento e à elevação das tarifas.


O recado é claro: o governo brasileiro reafirma sua decisão de vender FURNAS e para isso está disposto a adotar um modelo que vença algumas resistências, até mesmo dentro de sua base política de apoio.


Será o caso de perguntarmos qual motivação impulsiona o governo. Por certo não é a necessidade de expansão da oferta de energia elétrica, agora na iminência de um racionamento, pois o simples ato de vender a maior empresa estatal do setor não acrescenta um só quilowatt ao sistema. Pode-se pensar também que essa quantia poderia ser usada para melhorar a eficiência do sistema elétrico, ou para amenizar os problemas sociais, mas depois do que aconteceu com a CPMF, inicialmente destinada à saúde, sabe-se que essa será mais uma ilusória promessa eleitoral esquecida após o pleito.


O ILUMINA, que lidera o movimento de resistência à privatização não só de FURNAS, mas também da CHESF e das estatais estaduais como a COPEL(PR) e a CEMIG(MG), quer reafirmar aqui sua posição CONTRÁRIA à venda de FURNAS ao capital privado, pois entende que estas empresas foram construídas com o dinheiro do contribuinte e são patrimônio do povo brasileiro. Defendemos, isso sim, a transformação destas empresas públicas em empresas cidadãs, com controle da sociedade e ações gerenciais transparentes.


NÃO À PRIVATIZAÇÃO. NÃO À PULVERIZAÇÃO

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