A desvalorização do Real é realmente um problema para capitais que esperam repatriar seus lucros. É genial!! O governo está tendo que "dolarizar" a energia elétrica e mesmo assim n&ati …


A desvalorização do Real é realmente um problema para capitais que esperam repatriar seus lucros. É genial!! O governo está tendo que "dolarizar" a energia elétrica e mesmo assim não consegue investimentos!


Leia nosso texto sobre esse assunto




JB 26/10/99

Empresas de energia querem ‘gatilho’

Geradoras pedem repasse dos custos com alta do dólar


ROBERT GALBRAITH


Assustadas com a valorização constante do dólar, as empresas geradoras de energia estão reivindicando à Agência Nacional de Energia (Aneel) a adoção de um gatilho automático para repassar o aumento dos custos em dólar para as empresas distribuidoras. O gatilho, que seria acionado a partir de uma margem de variação da moeda americana, seria um recurso para que as empresas se protejam (hegde) contra as oscilações do dólar.


A informação foi divulgada ontem pelo secretário de Energia do Ministério de Minas e Energia, Benedito Carraro, durante o 7° Seminário de Planejamento Econômico e Financeiro do Setor Elétrico, promovido pela Light. Carraro garantiu, no entanto, que as distribuidoras não poderão usar a medida para ajustar seus preços. "O gatilho não será automático para o consumidor. A Aneel tem critério de avaliação e estuda como será este repasse. Mas continua valendo o prazo de 12 meses para o reajuste das tarifas. Com a livre concorrência, é bem possível que os preços se mantenham nos atuais níveis", explicou.


A margem de variação do dólar para que o gatilho seja acionado ainda não foi definido, mas o secretário de Energia disse que 5% já interfere no equilíbrio das empresas. "A Aneel está estudando esse repasse para dar garantias aos empresários do setor para que possam continuar seus projetos de expansão da produção de energia", observou Carraro.


A medida deverá valer para as 18 termelétricas – 10 estão com os contratos assinados – que deverão ser concluídas nos próximos quatro e que aumentarão em 10% o potencial de energia do país – passará dos atuais 63 mil megawatts para cerca de 70 mil. "Haverá um déficit nessa transição até a conclusão dessas usinas", alertou Carraro.


A demanda de energia no Brasil deve terminar o ano cerca de 3% superior a do ano passado. Para o ano que vem, o Ministério de Minas e Energia prevê que a demanda cresça 4,7% e o PIB, 4,4%. "Para dar conta do aumento da demanda de energia, seria necessário construir uma Itaipu a cada três anos", disse o secretário.


Segundo um estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – publicado com exclusividade na edição de domingo do JORNAL DO BRASIL -, mesmo que o governo consiga cumprir o cronograma de expansão da capacidade de geração de energia elétrica até 2008, haverá risco de déficit. "Esse estudo é baseado em projeções de consumo e de produção segundo o Plano Decenal da Eletrobrás", diz o superintendente de Infra-Estrutura do BNDES, Fernando Perrone.


Segundo o superintendente, o fato de mais de 90% da nossa energia ser produzida por hidrelétricas, é difícil avaliar com precisão o volume de produção. "A água é que faz as turbinas funcionarem. Por isso, há riscos teóricos porque o consumo de água nos períodos de chuva pode ser alterado. É bom considerar esse risco para administrar a situação. O aumento do volume da produção termelétrica, que é uma espécie de seguro da hidrelétrica, diminui as chances de déficit", disse.

Light reserva energia para evitar apagões

O presidente da Light, Michel Gaillard, disse ontem que se depender dos esforços de sua empresa, o Rio não vai sofrer apagões durante o verão. Segundo o executivo, a empresa estará operando neste verão com uma reserva de 5% do total da demanda esperada para o período, que é de 7,4 mil megawatts.


Para adquirir essa condição Gaillard disse que a empresa investiu R$ 270 milhões para evitar colapsos de energia nos horários de pico. As obras incluem a construção ou reforma de oito subestações, que serão inauguradas até dezembro.


Apesar de a Light estar melhor preparada para este verão, o presidente garante que não foi a falta de margem de segurança que causou os apagões em março. "Colapsos como aquele, que já aconteceram em Nova Iorque e na França, são técnicos. Mesmo com reservas não dá para dizer que nunca mais vai acontecer", disse.


No plano financeiro, a Light já deixou a cargo do consórcio formado pelo Bradesco, Deutsche Bank, City Bank e Itaú o lançamento de US$ 650 milhões em debêntures não conversíveis. O dinheiro será utilizado para rolar 80% da parcela de US$ 700 milhões da dívida que vencerá em abril do ano que vem. "Vamos alongar o perfil de nossa dívida", explicou Galliard.


O presidente da Light também manifestou interesse na compra da participação da BNDESPar na empresa, caso isso seja necessário para obter autorização para atuar no setor de transmissão de dados por fibra ótica. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) ainda não autorizou a participação da Light neste mercado devido à presença da BNDESPar entre seus acionistas. (R.G.)

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