JB 29/04/99 Liminar suspende cisão de Furnas Justiça adia reunião que decidiria pela divisão da empresa O juiz da 22ª Vara Federal, Eduardo André Brandão de Brito Fernandes, concedeu liminar …



JB 29/04/99

Liminar suspende cisão de Furnas

Justiça adia reunião que decidiria pela divisão da empresa


O juiz da 22ª Vara Federal, Eduardo André Brandão de Brito Fernandes, concedeu liminar a uma ação do

Sindicato dos Urbanitários do Rio de Janeiro, pedindo a suspensão da assembléia geral de acionistas de Furnas

Centrais Elétricas, marcada para hoje. A assembléia determinaria a formação de duas empresas, uma de

geração e outra de transmissão de energia. O BNDES e a Advocacia Geral da União vão tentar derrubar a

liminar.


Outra ação, impetrada pelo Ministério Público Federal na 9ª Vara Federal com o mesmo fim, será julgada

apenas hoje, o que pode criar novos problemas para a realização da assembléia.


O Sindicato dos Urbanitários justifica seu pedido de liminar com a necessidade de "defender os trabalhadores"

de Furnas , que são contribuintes e beneficiários do fundo de pensão da em presa, o Real Grandeza. O Conselho

Nacional de Desestatização decidiu não reconhecer uma dívida de R$ 1,2 milhão da empresa com o fundo – o

que libera o futuro comprador dessa obrigação. A decisão não agradou funcionários e sindicalistas.


Interesses – O ex-presidente e ex-ministro das Minas e Energia Aureliano Chaves avalia uma eventual greve

dos funcionários de Furnas como parte de um processo de privatização que não leva em conta os reais interesses

nacionais. "A parte mais onerosa ficará com o estado e a mais rentável será privatizada", criticou o

ex-presidente, referindo-se ao que chama de "esquartejamento" de Furnas planejado pelo governo, com a

separação das atividades de geração, que será transferida ao setor privado, e a de transmissão de energia, que

continuará estatal.


"Para o sistema energético de predominância hidrelétrica, como é o caso do Brasil, a geração e a transmissão de

energia são inseparáveis. São irmãos xipófagos", afirmou o ex-presidente.


Além da cisão de Furnas, Aureliano também critica o processo de privatização do sistema energético por não

considerar adequadamente o controle dos rios que abastecem as hidrelétricas. "Água doce é um bem cada vez

mais escasso em função da crescente necessidade. A água doce, dentro de pouco tempo, vai valer mais do que

petróleo", observa o ex-presidente, defendendo que os rios sejam considerados "como um todo" no processo de

privatização do setor energético.

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