JB 30.01.98 Divisão da Eletrosul é suspensa Associação dos Empregados da Eletrobrás consegue liminar na Justiça Federal de Brasília e interrompe assembléia de acionistas S&Iacut …

JB 30.01.98



Divisão da Eletrosul é suspensa

Associação dos Empregados da Eletrobrás consegue liminar na Justiça Federal de Brasília

e interrompe assembléia de acionistas

SÍLVIA MUGNATO *

BRASÍLIA – O processo de privatização da geradora de energia da Eletrosul, a Gerasul, foi

interrompido ontem por uma liminar da Justiça Federal obtida pela Associação dos

Empregados da Eletrobrás. O presidente da associação, José Drummond Saraiva, foi impedido

de entrar na assembléia de acionistas da empresa, que deu mais um passo na direção da venda

da geradora. “Eu assumi esta decisão porque, do contrário, a sala da assembléia seria invadida

por cerca de 40 pessoas que acompanhavam o presidente da associação”, explicou o

presidente interino da Eletrobrás, Paulo Roberto Ribeiro Pinto.

Meia hora antes da assembléia, os manifestantes invadiram a ante-sala da reunião. “O pessoal

começou a se agitar demais e pedimos o auxílio da polícia”, disse o presidente interino da

estatal. Ao final da assembléia, contou, os manifestantes entraram no local da reunião, mas a

ata da votação já havia sido fechada. Saraiva, porém, saiu do prédio da empresa, avisando que

iria pedir a anulação da assembléia porque, como os funcionários são acionistas minoritários

da empresa, têm assento cativo na reunião, mas não participaram da assembléia.

“Fomos surpreendidos. O prédio onde fica a Eletrobrás tem instalações modestas e pouca

segurança. Queríamos chamar o representante legal dos funcionários para participar da

assembléia, mas todos tentaram entrar quando abrimos a porta. Então decidimos fechar a

porta porque a entrada dos manifestantes significaria um constrangimento enorme e poderia

causar riscos”, contou Pinto. Saraiva disse que, quando a polícia chegou, os manifestantes

saíram da ante-sala.

A liminar conseguida pelos funcionários, na 16° Vara da Justiça Federal de Brasília,

suspendeu os efeitos da assembléia até o julgamento do mérito da ação. Na prática, a

assembléia havia criado uma nova empresa, a Eletroger, mais uma peça na intrincada operação

empresarial necessária para separar os pedaços do sistema Eletrobrás para serem vendidos. A

Eletroger é a empresa, conforme decisão da assembléia de ontem, por enquanto suspensa,

formada pelas ações da geradora da Eletrosul – no valor de R$ R$ 3,5 bilhões – que estão em

poder da Eletrobrás. Mais tarde, Gerasul e Eletroger serão fundidas numa única empresa,

também chamada Gerasul, que será levada a leilão.

Ontem, o ministro do Planejamento, Antônio Kandir, informou, após reunião do Conselho

Nacional de Desestatização (CND), que o edital de venda da Gerasul será publicado em março.

O presidente interino da Eletrobrás, porém, não soube avaliar se a publicação será mantida ou

não. “No caso da cisão da Nuclen (energia nuclear), onde a mesma coisa aconteceu, o

processo de cassação da liminar levou dois meses”, lembrou.

* Colaborou Sueli Montenegro (AJB)

[30 de janeiro]

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