Além de retalhar FURNAS, ainda incluem usinas problemáticas em seu parque (Manso). Para o ILUMINA o estilo é o mesmo: Mau negócio para o Estado!
JB 31/01/99
Privatização em novo estilo
Estatais do setor elétrico terão capital "democratizado"
O diretor do Programa Nacional de Desestatização (PND), José Luiz Osório, revelou que o novo modelo de venda das estatais de eletricidade poderá colocar cerca de 58% do capital dessas empresas nas mãos do público.
Com isso, o governo estaria se aproximando dos mecanismos de democratização do capital adotados em outros países, principalmente na Europa. A democratização do capital ocorre quando um grande número de acionistas participa do capital de uma empresa.
Com o passar do tempo, muitos vendem suas ações, procurando o lucro. Em geral essas ações são compradas por investidores institucionais, ou seja, fundos de pensão, fundos de investimento e companhias seguradoras que querem aplicar suas reservas técnicas nesses ativos.
Formas de venda – José Luiz Osório disse que existem alguns problemas pelo caminho para a implantação desse modelo no Brasil. Um deles é a forma como as ações podem ser vendidas para ampliar a base dos acionistas. No caso das companhias elétricas, poderia ser através das contas de luz. Mas isso depende de autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
O novo diretor do PND é um engenheiro formado em Stanford na classe de 1978. Ele passou pelo Banco de Boston e conviveu com o atual presidente mundial, Henrique Meireles, quando era diretor das operações de leasing. Mais tarde trabalhou no Chase Manhattan e no Banco Garantia, durante sete anos, tendo aberto a agência de Nova Iorque. Veio para o governo saindo da Lehman Brothers, um dos maiores grupos financeiros e do mercado de capitais do mundo.
Estratégia agressiva – José Luiz Osório disse que a ordem expressa do presidente Fernando Henrique Cardoso é preparar todas as empresas para a venda. Os recursos serão usados para reduzir o endividamento público. Disse que não vai esperar sentado pelos interessados, usando uma estratégia agressiva de contato com potenciais investidores.
No caso das elétricas, a cisão estará pronta até o fim de março. Até o fim de maio as novas empresas estarão criadas. O BNDESPar poderá se desfazer de suas ações através de venda ao público. Vendas aos empregados também estão previstas. Lembrou, a propósito, que a lei de concessões de serviços públicos requer um controlador, para efeito de responsabilidade perante os órgãos reguladores. Isso pode criar problemas se houver uma dependência de demorados acordos de acionistas. Por isso, quanto maior a pulverização das ações, mais difícil fica a privatização dentro dos objetivos do governo.
Acomodação – José Luiz Osório disse que espera uma acomodação rápida para o cenário econômico brasileiro, a julgar por sua experiência como dirigente de uma instituição financeira globalizada. Segundo ele, pouco antes da crise da Rússia existiam ofertas confortáveis para colocação de papéis de empresas privadas no exterior por trinta anos com cláusulas de "call" (uma forma de repactuar os termos do financiamento confortável para o financiado) e juros em torno de 11%.
"As condições estruturais, os fundamentos da economia brasileira não mudaram radicalmente de lá para cá", acrescentou. "Portanto, uma parte da crise que temos no ar deverá passar com o tempo, quando o país irá se acomodar em outro patamar de taxas cambais e de juros".
José Luiz Osório disse que a proposta para Furnas contempla a divisão da empresas em três: Geração I, Geração II e Distribuição. A primeira envolve as usinas de Mascarenhas de Moraes, Furnas, L.C. Barreto, Porto Colômbia, Marimbondo, Funil, Santa Cruz, Roberto Silveira e São Gonçalo (desativada), com 5.570 mW. As demais – Itumbiara, Corumbá, Serra da Mesa, Energia da Argentina, Manso e Cuiabá – estão no segundo grupo, com 4.633 mW.