Suspenso leilão da Saelpa por falta de oferta
O leilão da Sociedade Anônima Energética da Paraiba (Saelpa) foi suspenso ontem por falta de interessados, afastados em decorrência do preço mínimo considerado muito alto: R$ 619,467 milhões.
Pela segunda vez consecutiva, um leilão de privatização de uma empresa de energia estadual fracassa por ausência de candidatos o anterior, também este mês, foi o da Companhia Energética de Alagoas (Ceal). Não há mais leilões previstos para este ano.
Nenhum dos quatro grupo pré-identificados para participar da operação depositou garantias de pagamento anteontem na Câmara de Liquidação e Custódia (CLC) da Bolsa da Rio. Com isso o governador da Paraiba, Jorge Targino Maranhão, suspendeu o leilão, em fax enviado à Bolsa.
A CLC não dá informações sobre a existência ou não de depósitos, porém uma fonte ligada ao processo de privatização da Saelpa e ao Governo da Paraíba disse que realmente ninguém fez o depósito, condição indispensável para a realização do leilão.
ALEGAÇÕES. No fax enviado à Bolsa, o governador paraibano não cita explicitamente a falta de interessados. Mas diz que o Governo entende que as ”dificuldades e incertezas, tanto de natureza econômica quanto política, ora experimentadas a nível mundial, e em especial as que pesam sobre as chamadas economias emergentes, continuam a afetar de maneira significativa as decisões dos investidores”.
Por isso, segue o governador, tomou a decisão de adiar o leilão para uma ocasião mais propícia. No mercado, entretanto, operadores dizem que o preço fixado mínimo fixado para as ações à venda estava muito elevado, superando os limites de valores tidos como viáveis pelos avaliadores da empresa.
A favor da companhia conta o fato de ela não ter dívidas relevantes, pois seu passivo restringe-se a R$ 28 milhões, e seu mercado está em
acelerado crescimento.
Segundo o gerente do Banco Brascan, Luiz Guilherme Sauerbronn, quatro empresas tinham se pré-qualificado para o leilão: a Endesa (espanhola), e EDP (de Portugal), o grupo Rede (de São Paulo) e uma empresa também paulista, a Alusa, que entraria aliada a um dos outros pré-qualificados. Ontem, porém, não depositaram as garantias necessárias para participar do leilão.
DEMANDA. Ele explicou que no ano passado a Saelpa cresceu 14,5% e tem potencial para manter um ritmo semelhante, já que a demanda reprimida no Estado, ao qual atende na quase totalidade, ainda é grande.
A empresa congrega 660 mil consumidores, 1.400 empregados e deve fechar o ano com faturamento de R$ 200 milhões.
Sauerbronn disse que ela vem dando lucro, pois o Estado procurou ajustá-la antes da venda, com investimentos anuais em torno de R$ 25 milhões.
Mesmo assim, pelos cálculos do Banco Brascan, encarregado do modelo de venda da empresa, são necessários investimentos entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões anuais, por um bom período, para realizar o potencial de crescimento da companhia.