Eletronorte questiona definição de risco hidrológico nos leilões de energia velha Para a empresa, a questão não está definida claramente nas minutas do leilão. O prazo para sugest …

Eletronorte questiona definição de risco hidrológico nos leilões de energia velha

Para a empresa, a questão não está definida claramente nas minutas do leilão. O prazo para sugestões encerrou nesta segunda-feira, dia 22

Oldon Machado, Mercado Livre (Canal Energia)

22/07/2002


A Eletronorte enviou à Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) nesta segunda-feira, dia 22 de julho, as contribuições para a realização do primeiro leilão de energia velha. Hoje termina o prazo para que as empresas enviem sugestões sobre as minutas divulgadas pela agência reguladora para o leilão, que deve acontecer no dia 31 de agosto.


Segundo Jorge Palmeira, diretor de Produção e Comercialização da estatal, um dos pontos enviados pela companhia é a questão que trata sobre os riscos hidrológicos. Durante participação no Congresso Energy Summit, no Rio de Janeiro, ele afirmou que a questão não foi claramente definida nas minutas apresentadas pela Aneel – que conferem às geradoras a inteira responsabilidade sobre esse risco.


O diretor explicou que existem variações conceituais do que seria riscos hidrológicos e de como eles afetariam as empresas. Um deles, por exemplo, poderia ser classificado como risco normal, ou seja, em função de um ano ruim (com baixa pluviosidade). Nesse contexto, disse ele, o MRE (Mecanismo de Realocação de Energia) suplanta essa variação (risco hidrológico), não havendo maiores problemas.


Outro ponto é se encarar como risco hidrológico eventuais conseqüências negativas no estoque dos reservatórios, decorrentes da falta de investimentos em geração. "Isso não está claro. É preciso que se separe muito bem a responsabilidade do gerador no abastecimento", observou Palmeira, lembrando que todos os agentes do setor estão ansiosos pelo o início dos leilões.


O resultado desta ansiedade, segundo o diretor, é que dificilmente contratos de venda de energia estão sendo fechados. Ele afirmou que a Eletronorte está avaliando o cenário mercadológico para definir a forma de participação da empresa no leilão, principalmente no que se refere ao montante de energia que vai ser destinado ao processo. Segundo as minutas, a oferta mínima para as geradoras federais será de 50%, com restante negociado no MAE (Mercado Atacadista de Energia Elétrica).



Análise do ILUMINA


A questão é muito mais séria do que isso!


O questionamento da Eletronorte deveria ter tocado no ponto central do racionamento: A deterioração do critério de garantia denunciada oficialmente pela Comissão Especial para Avaliar as Causas do Racionamento e pubicada em relatório que ficou conhecido como relatório Kelman.(*)


Lá, ficou claro que as energias asseguradas estavam super avaliadas. Muito mais do que isso: O relatório nº 2 do próprio governo propõe uma nova mensuração do chamado "custo do déficit". Uma nova curva foi proposta e, na realidade, um novo critério de garantia está subjacente. Os gráficos ao lado ilustram o que acontece com a energia assegurada do sistema quando se muda o critério de garantia.


O custo marginal de operação é completamente influenciado pelo valor do custo do déficit. Quanto maior o valor, mais caro fica a operação do sistema pois a estratégia além de ficar mais conservadora, inclui déficits futuros, que mesmo com baixa probabilidade, "valem" mais.






(*) Disponível em www.ana.gov.br





O primeiro gráfico mostra que a energia assegurada do sistema é a carga crítica que iguala o custo marginal de operação ao custo marginal de expansão. Quando se muda o custo do déficit para um valor mais alto (risco menor) a curva do custo marginal de operação se decloca para a esquerda como mostrado no gráfico 2. É óbvio que, sob critérios mais rigorosos de garantia a chamada energia assegurada diminui.


Portanto, o leilão dos contratos iniciais, que foram calculados a partir de um critério de garantia que está denunciado como falho, na realidade, pretende vender 25% de um valor que pode mudar. Mais uma genialidade das atuais autoridades do setor!

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