POR UMA COPEL PÚBLICA ! Ivo Augusto de Abreu Pugnaloni* Agora é definitivo. O governo estadual não vai mais vender a COPEL . Venceram os políticos sérios , a industria e o comércio do Paran&aacut …

POR UMA COPEL PÚBLICA !

Ivo Augusto de Abreu Pugnaloni*


Agora é definitivo. O governo estadual não vai mais vender a COPEL . Venceram os políticos sérios , a industria e o comércio do Paraná, os estudantes , os produtores rurais , os engenheiros ,os economistas e todas as categorias que juntas defenderam o patrimônio público . Venceram aqueles empregados da COPEL que cumpriram o dever de informar à sociedade sobre os descaminhos da direção nomeada pelo atual governo.


O cancelamento da venda traz tranquilidade ao mercado .Para os consumidores , afasta-se o temor da explosão tarifária , pelo menos nos níveis catastóficos prenunciados pela descontratação de 2003 . Para os investidores privados em geração , a energia da COPEL , continuando a ser direcionada para atender preferencialmente os seus dois milhões de consumidores cativos e impedir a explosão das tarifas , não irá mais representar a forte concorrência que era esperada no mercado dos consumidores livres, de maior carga .

Estes grandes consumidores , por sua vez , terão agora certeza que só investindo em geração própria e instalações mais eficientes se livrarão de gastar bem mais com energia.


Mas a luta não terminou. A COPEL ainda corre perigo se a Justiça não bloquear as irregularidades apontadas pelo Ministério Público nos contratos firmados por seus atuais dirigentes que favorecem seus colaboradores políticos .O caso da falência fraudulenta da Enron está aí para servir de alerta.


Mas a nossa luta não termina aqui . Conseguimos que a COPEL não fosse privatizada . Mas não podemos permitir que ela continue a ser apenas mais uma estatal , vulnerável a maracutaias como as que descobrimos . É preciso buscar outro caminho , pois se a privatização não interessa à sociedade , a manutenção da COPEL como quintal dos partidos políticos tambem não.

É preciso torná-la pública , transparente e , com isso , mais eficiente do que já é. Alguns exemplos ? A Eletricitè de France , uma das mais eficientes energéticas do mundo , opera como empresa pública e não estatal. Em Santa Catarina , esta é a nova estrutura da sua CELESC , na qual , de um lado o governo e de outro acionistas minoritários , consumidores e funcionários podem eleger metade da Diretoria. Os mandatos dos diretores não poderão coincidir com a mudança do governador , e poderão ser perdidos se os nomeados não cumprirem uma série de metas e objetivos contratados previamente. Todos os contratos serão públicos , nada das cláusulas de confidencialidade que se tornaram de praxe na gestão da atual Diretoria. Nada de políticos como sócios da concessionária.


Precisamos de uma estrutura profissional onde os acionistas minoritários , os consumidores e os empregados tenham presença ativa na direção executiva e no Conselho de Administração e possam fiscalizar seu desempenho , influir na sua condução reletindo a vontade da sociedade.


Só assim a COPEL será administrada aquilo que realmente é : uma empresa de cada um dos paranaenses e não daqueles que , eventualmente , ganharam as últimas eleições. Uma forma de direção profissional , pública e moderna . Exatamente o contrário da atual , que é partidária , extremamente "familiar" e porisso mesmo, ultrapassada.





*Engenheiro eletricista, consultor em energia, direto do ILUMINA – SUL

Enercons@enercons.com.br


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