É bom deixar claro que os 50% citados na manchete da notícia se refere a 50% de 13%. Ou seja, os reservatórios podem subir para 19%. É importante chamar atenção para o fato de que a tarifa que pagamos não admite correr esses riscos. Notícias abaixo no Estado de São Paulo 15/09/2001
Chuvas voltam a afastar o risco de apagão
Ritmo de redução do nível dos reservatórios diminuiu, explicou Pedro Parente
GERUSA MARQUES
BRASÍLIA – O presidente da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE), ministro Pedro Parente (Casa Civil), e o ministro de Minas e Energia, José Jorge, participaram ontem de um seminário, com a presença do presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, que discutiu a revitalização do modelo do setor elétrico brasileiro. Durante um rápido intervalo, Parente apresentou a jornalistas um balanço dos resultados do programa de racionamento de energia. Pedro Parente afirmou que não haverá apagão nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste nas próximas seis semanas, nem na Região Nordeste nas próximas quatro semanas. O ministro disse que o nível dos reservatórios de água do País está sendo reduzido a um ritmo mais lento, como resultado das chuvas das últimas semanas.
Segundo Parente, nos meses de junho, julho e agosto a média da economia de energia foi de 20,1% nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste e de 19,9% no Nordeste. O seminário, que terminará hoje, tem como objetivo "nivelar o conhecimento em um grau maior de detalhes sobre o modelo energético e discutir imperfeições e problemas na implantação desse modelo". Parente fez a ressalva de que o governo não espera tirar conclusões imediatas do seminário. Entre os temas em discussão, estão o mercado aberto de energia (MAE), a formação de preços e tarifas, a oferta nova de energia e a regulação do setor.
Parente disse que o grupo de revitalização do modelo do setor de energia, criado pela GCE, deverá apresentar propostas que têm de ser discutidas com o governo, mas esse grupo, que participa do seminário, ainda não concluiu os trabalhos. O presidente da GCE marcou nova entrevista para hoje.
"Tomara que se confirme que o período chuvoso está começando", disse Parente. Segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrica (ONS) apresentados por Parente, o nível dos reservatórios das Regiões Sudeste e Centro-Oeste estava ontem 3,26 pontos porcentuais acima da curva guia, que é o limite mínimo estabelecido pelo governo. No Nordeste, o nível dos reservatórios está 1,13 ponto porcentual acima da curva guia. O ministro afirmou que, apesar do aumento do consumo de energia, está havendo uma conservação maior de água nos reservatórios.
"Enquanto tivermos esse número positivo em relação à curva guia, esse pequeno aumento de consumo de energia não preocupa. Não quer dizer que podemos aumentar o consumo." Nos 13 primeiros dias de setembro, a economia de energia nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste foi de 18,4%, no Nordeste foi de 17,6% e no Norte, de 20,3% – para uma meta de 20% de racionamento. (AE)
Reservatórios recuperam 50% da capacidade
Previsão de chuvas para a primavera ainda é insuficiente, mas melhor que a de 2000
GECY BELMONTE
BRASÍLIA – Até o fim do ano, a capacidade dos reservatórios das Regiões Sudeste e Centro-Oeste, cujo volume de águas se encontra hoje entre 13% e 14%, deverá estar recuperada em 50%. A informação foi dada ontem pelo chefe da Divisão de Meteorologia do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), do Ministério da Agricultura, Expedito Rebello. Essa recuperação ocorrerá com o retorno das chuvas a partir desta semana e no decorrer da primavera, que começa dia 22 e se estende até 21 de dezembro.
Dados do Inmet revelam que as chuvas serão normais de setembro a dezembro, alcançando cerca de 600 milímetros de precipitação – bem melhor que o registrado no mesmo período do ano passado, de 450 milímetros -, mas ainda insuficiente. Rebello explicou que, em situação normal, a capacidade dos reservatórios das duas regiões teria de ser de 80%.
As informações climáticas do Inmet indicam que o racionamento de energia elétrica deveria manter-se por, no mínimo, mais dois anos, considerando que vem chovendo abaixo da média desde 1997. O presidente do Inmet, Augusto Athayde, afirmou que os prognósticos para a primavera apontam que haverá um aumento das temperaturas em todas as regiões do País, com temporais, trovoadas, vendavais e queda de granizo nas Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Rebello explicou ainda que a distribuição das águas deverá ser irregular.
"Estamos em um ano sem a presença dos fenômenos El Niño e La Niña." Essa ausência está sendo muito benéfica para a agricultura.
Novo acordo de mercado é aprovado
RENÉE PEREIRA
O novo acordo de mercado que regulariza o funcionamento do Mercado Atacadista de Energia Elétrica (MAE) foi assinado ontem pelos agentes do setor elétrico. Também foram aprovados os novos representantes do Conselho do MAE (Comae), que passa a ter integrantes da categoria de produção (geradores) e consumo (distribuidores). Até então, o conselho estava sendo comandado por especialistas indicados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Os representantes da categoria produção aprovados pelos agentes do MAE foram Marco Aurélio Palhas, diretor da Eletrobrás, e Laércio Dias, da Gerasul. Os conselheiros da categoria consumo serão Luiz Eduardo Barata, que já foi assessor da diretoria do Operador Nacional do Sistema (ONS), e Reni Antônio da Silva, que atuava ultimamente como consultor.
O novo acordo de mercado, no entanto, foi fechado com algumas ressalvas, que ainda precisam ser resolvidas, explica o diretor do Grupo Rede, Fernando Quartim. Mesmo assim, segundo ele, o novo documento representa uma esperança de que o governo cumpra a promessa de equacionar o problema do déficit do racionamento.
Segundo a vice-presidente da Eletropaulo Metropolitana, Solange Ribeiro, a aprovação dos integrantes do Comae e do novo acordo de mercado "representam mais um passo nas negociações visando a estabilização do MAE." Mas o completo funcionamento do mercado atacadista ainda depende de resoluções bastante complicadas, como o Anexo 5, completa Quartim. "Para isso, é preciso haver uma interferência do governo." (Colaborou Eugênio Melloni)
Distribuidoras dizem não ter afrouxado cortes
As distribuidoras que já começaram a realizar os cortes de energia de quem ultrapassou as metas de racionamento não se sentiram pressionadas pelas declarações do governo de tornar mais rigorosa a punição para quem afrouxar nos desligamentos. Para elas, o trabalho continua sendo feito de acordo com as regras da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE) e conforme a capacidade dos funcionários. Mas, para as concessionárias que ainda não iniciaram os cortes, as declarações preocuparam.
Em São Paulo, a Bandeirantes continua mantendo o fornecimento de energia mesmo para os clientes que excederam por dois meses consecutivos sua cota de consumo. A empresa argumenta que está obedecendo a determinações de uma liminar em vigor no Estado de São Paulo. Mesmo assim, apressou-se em tomar providências e não ser prejudicada. Ontem, o departamento jurídico da distribuidora já havia entrado em contato com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para tentar resolver a situação. Mas até o início da noite ainda não havia nenhuma definição.
A Electro, que também não havia feito nenhum corte até esta semana, informou que iniciou os desligamentos ontem. A previsão é que cerca de mil clientes tenham o fornecimento de energia interrompido nos próximos dias. A justificativa da empresa para somente iniciar o corte agora é que as contas do segundo mês de ultrapassagem somente começam a vencer a partir desta semana.
No caso da Eletropaulo, as declarações do ministro de Minas e Energia não surtiram efeito. A empresa foi a primeira a iniciar os cortes em São Paulo, contrariando até mesmo as determinações da liminar que proibia os desligamentos. Até semana passada, o número já ultrapassava 1.800 cortes.
Em Minas Gerais, a Cemig também está proibida de efetuar cortes de fornecimento de energia para clientes que tenha descumprido as metas. No fim de agosto, uma liminar concedida ao Sindicato dos Eletriciários determinou que os funcionários não seriam obrigados a cumprir qualquer determinação nesse sentido, por não contarem com garantias de segurança no trabalho. A Justiça deverá julgar o mérito da ação no dia 26.
No Nordeste, a Companhia de Eletricidade da Bahia (Coelba) já cortou o fornecimento de energia de 1.500 consumidores do Estado que ultrapassaram a cota estabelecida. Em paralelo a essa ação, a companhia intensificou o combate às ligações clandestinas, conhecidas como "gatos". As ligações clandestinas estavam roubando 280 kilowatts/hora, o suficiente para iluminar uma pequena cidade com 8 mil residências. (Renée Pereira, Biaggio Talento, Evaldo Magalhães)