Elasticidades O setor elétrico vive um momento de total desorganização. Ao invés de adiar qualquer medida que possa provocar um conflito com o novo governo e, portanto, mais uma incerteza, o governo acelera e …

Elasticidades


O setor elétrico vive um momento de total desorganização. Ao invés de adiar qualquer medida que possa provocar um conflito com o novo governo e, portanto, mais uma incerteza, o governo acelera e aprofunda ainda mais o modelo que levou à essa situação. Por sua vez, o mercado, ferido pelo racionamento e pela baixa atividade econômica, se ajustou em aproximadamente -15%. O que é preciso é não perder de vista é que caso tenhamos outra vez sub-investimento combinado com estiagem prolongada, não teremos mais um mercado tão elástico. No racionamento de 2001 o setor residencial absorveu 40% do aperto. Não contem mais com essa elasticidade espantosa. Entretanto, não se pode esquecer que, para minorar os problemas das distribuidoras, é preciso maximizar a receita. Nem sempre isso significa aumentar linearmente a tarifa. Um aumento da ordem desejada pode ser um tiro de misericordia no já abalado consumidor que responderá com menos consumo. É preciso pensar na demanda!



Gasto de luz está menor do que em 98 (JB – 15/10)


Queda na demanda, nos últimos três meses, ocorreu no Sudeste e indica, também, estagnação do país


Isabel Clemente


Repórter do JB


Nos últimos três meses, o consumo de energia das regiões Sudeste e Centro-Oeste, de onde vêm quase metade da demanda nacional (46%), caiu a níveis inferiores aos de 1998, ano em que o país cresceu apenas 0,13% (IBGE).


Primeira explicação: depois do racionamento, os consumidores eliminaram o desperdício. Segunda: além de estarem mais eficientes, as indústrias da Região Sudeste, carro-chefe do PIB industrial do país, também estão produzindo abaixo do que poderiam por causa da crise. E, nesse caso, o desempenho da economia no terceiro trimestre do ano ameaça repetir o fiasco do primeiro semestre, que parou. Nas duas últimas décadas, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o consumo de energia sempre cresceu acima do Produto Interno Bruto. O choque na taxa básica de juros, agora em 21% ao ano, pega em cheio a ala produtiva do país, num sinal de que as restrições que atingem o setor energético continuarão.


A redução do consumo de luz está ajudando a deteriorar a receita das distribuidoras.


– É bom do ponto de vista da eficiência, mas é um baque para o negócio. E tem uma situação gravíssima para o próximo governo resolver, que é o endividamento das distribuidoras – diz Maurício Tolmasquim, especialista da Coppe.


Na área de concessão da Light, que atende parte do Estado do Rio, a demanda da indústria caiu 13% em relação a 2000, antes do racionamento. Na área residencial, caiu 15%.


– Nós temos sinais de que no próximo ano, na melhor das hipóteses, o consumo voltará a níveis de 1999. Essa depressão do consumo só piora o quadro do setor – diz o diretor de Mercado da Light, Danilo Souza Dias.


Os problemas não param por aí. Se há apenas sete meses a situação do país era de falta de energia, hoje, sobra. Os preços do megawatt despencaram, desestimulando os investidores. Está armada uma verdadeira ”bomba-relógio” do setor elétrico que vai cair na mesa do próximo presidente, alerta o especialista e consultor independente Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Estudos de Infra-Estrutura.


– Só não tivemos mais racionamento porque choveu, os consumidores economizaram e a economia parou. Mas o setor elétrico é uma verdadeira bomba-relógio. Se nada for feito, tem distribuidora que vai quebrar, e se deixar quebrar, como chamar os investidores de volta?


Empresas e governo estão discutindo a revisão extraordinária das tarifas de luz, prevista para o próximo ano. Já se fala num pacote de ajuda de R$ 13 bilhões, segundo Pires. O reajuste para equilibrar a situação das distribuidoras, completa, seriam inviáveis 33%.


– Para que isso não fosse necessário, o governo teria de adotar um cardápio de medidas, da reforma tarifária, para reduzir o subsídio à tarifa industrial, à desdolarização da energia de Itaipu – diz.


Os reservatórios das hidrelétricas estão bem cheios, mas se os investimentos pararem, o risco de racionamento volta a partir de 2005, acrescenta o presidente da Brascan Energética, Antonio Carlos Novaes.


– Só com o crescimento vegetativo, vamos precisar de mais energia. Se o país voltar a crescer, nem se fala. Sem investimentos, continuaremos com essa volatilidade. Agora sobra, depois falta.


David Zylbersztajn, ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo e sócio da DZ Associados, explica que o excesso de energia também tem um custo.


– Abundância de energia é superinvestimento. Alguém paga. A qualidade vem da adequação da oferta à demanda. Há um grande nó.


Aneel publica regras para leilão do MAE (Estado de S. Paulo 16/10)


A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) publicou ontem no Diário Oficial da União as regras para a liquidação da eletricidade comprada no Mercado Atacadista de Energia (MAE) entre setembro de 2000 e setembro de 2002, prevista para ocorrer em novembro. Segundo o advogado da Levy & Salomão, especialista em energia, Marcos Vinícius Pulino, a resolução n.º 552 é um importante avanço, mas ainda faltam outras regulamentações antes do início da liquidação do MAE.


O documento define garantias financeiras e penalidades para os agentes do mercado. Segundo Pulino, quem deixar quitar os débitos apresentados na contabilização do MAE terá de pagar multa de 5% sobre o valor a pagar e juros de mora 1% ao mês. O MAE tem 60 para submeter à aprovação da Aneel o regulamento da liquidação financeira.


A resolução determina também que as empresas filiadas ao MAE contratem bancos ou corretoras para atuar como agentes de compensação, que por sua vez vão intermediar os pagamentos juntos à Câmara Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) que fará a liquidação.

Os procedimentos operacionais para o relacionamento entre os agentes do mercado e os financeiros deverão ser aprovados pelo Banco Central (BC).

(R.P.)



Escândalo da Enron completa um ano com poucas mudanças nos EUA (Globo 16/10)


NOVA YORK e WASHINGTON. Hoje faz um ano que a Enron anunciou um rombo de US$ 1 bilhão em seu balanço, o que provocou uma investigação da Securities and Exchange Commission (SEC, o órgão regulador do mercado americano) e a concordata da então gigante do setor de energia, em dezembro. No seu rastro, surgiu uma série de escândalos – WorldCom, Adelphia, Tyco e ImClone – que derrubou a confiança dos investidores e as bolsas de todo o mundo.


O "Dia da Enron", na expressão do colunista do "Washington Post" Alan Sloan, não traz motivos para comemorações. Foi o dia em que o mundo descobriu o quanto as grandes empresas de Wall Street se corromperam durante os anos 90, em meio à bolha do mercado acionário americano. Segundo Sloan, "a Enron simboliza a cobiça e a falência moral que permitiu que tubarões enriquecessem enquanto pequenos acionistas e trabalhadores perdiam suas economias".


Justiça aprova US$ 350 milhões para a WorldCom


Algo mudou nesse período? O Congresso aprovou a Lei Sarbanes-Oxley, de reforma corporativa, mas há um impasse na nomeação da diretoria do órgão que vai supervisionar as firmas de auditoria.


Alguns executivos foram levados à Justiça. No mês passado, Dennis Kozlowski, ex-presidente do conglomerado Tyco International, foi formalmente acusado de fraude e lavagem de dinheiro. Mas, depois de pagar uma fiança de US$ 100 milhões, vai responder ao processo em liberdade.


Também em setembro, cinco ex-executivos da empresa de TV a cabo Adelphia, incluindo seu fundador, John Rigas, foram indiciados por transferências fraudulentas de dinheiro. Rigas havia sido preso em julho, mas foi solto após pagar US$ 10 milhões de fiança.


Outro executivo envolvido em escândalos, Samuel Waksal, ex-presidente da ImClone Systems, declarou-se culpado ontem das acusações de uso indevido de informações privilegiadas. No dia 28 de dezembro, ele vendeu ações de sua empresa pouco antes do fechamento do pregão ao saber que o governo negara a patente para um remédio contra câncer fabricado pela ImClone.


Participaram do esquema parentes e amigos de Waksal, como a apresentadora de TV Martha Stewart.


Além de uso de informações privilegiadas, o promotor Michael Schachter acusou Waksal de pedir a membros de sua família que mentissem em um inquérito da SEC. Segundo o promotor, a admissão de culpa – que não fez parte de nenhum acordo com o governo – não põe fim às acusações pendentes ou futuras contra Waksal ou qualquer outro dos envolvidos no caso. O executivo pode pegar até 65 anos de prisão.


A WorldCom, controladora da Embratel no Brasil, continua tentando se reestruturar após o seu pedido de concordata, em julho, com um rombo contábil de US$ 7,68 bilhões. Ontem, o juiz de falências Arthur Gonzalez aprovou um financiamento de US$ 350 milhões para a empresa, o que permitirá que ela continue operando durante sua reorganização.


Como o tribunal havia aprovado outro financiamento em julho, de US$ 750 milhões, o total obtido pela empresa chega a US$ 1,1 bilhão. Na época da concordata, a WorldCom havia pedido US$ 2 bilhões.


Os investidores torcem para que, em 2003, ninguém se lembre do "Dia da Enron". Mas isso é pouco provável.




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