PULVERIZAÇÃO OU VAMPIROS RENASCIDOS DO PÓ: EIS AS QUESTÕES ! Na segunda metade dos anos oitenta, mais precisamente em março de 1986, naquela fase caracterizada como uma espécie de seqüela d …

PULVERIZAÇÃO OU VAMPIROS RENASCIDOS DO PÓ:

EIS AS QUESTÕES !



Na segunda metade dos anos oitenta, mais precisamente em março de 1986, naquela fase caracterizada como uma espécie de seqüela da ditadura militar, um articulista rebelde acobertado por necessário e prudente pseudônimo, escreveu um artigo entitulado "O VAMPIRO CINZA".


Contava uma estória que começava por breve biografia de Udefisto, o vampiro negro, irmão de Mefisratu e Dracofeles, filho da vampira Rindrahnata e do grande Conde Nofesdraco.

Udefisto virou pó em meados dos anos sessenta, depois de romper sua aliança golpista com o braço armado. Foi colocado em profunda cripta de pedra cujas lajes de granito, apesar do esforço técnico dos gênios vestidos de verde oliva, não tiveram as junções tão micrometricamente ajustadas como nas construções incáicas.




Vinte anos passaram até que o sangue jorrado pela ditadura militar, percolando pelas juntas, começou a pingar sobre o ataúde de Udefisto, restituindo a vida ao pó negro. Nasceu um elegante draco de fraque cinzento. Destruiu as dez portas pesadas do calabouço, a saúde renovada pelo mar de sangue. Nasceu ou renasceu Pefelisto.




Mestre de sucessivos dirigentes da energia e das minas do país, fez-se em 1994 aliado de outros seres alados como ele, contudo de asas e bicos mais coloridos. Recentemente, por razões que o povão nunca saberá, andaram propalando, pupilos que são de Pefelisto, a via da pulverização do controle das empresas de geração e transmissão de eletricidade. Afinal, grande tornou-se o "know-how" da patota nas artes da transformação do pó, pingado com bom sangue das artérias do tesouro, em coisa para vivíssimos predadores desnacionalizantes. Era esse, para eles, o significado da propalada pulverização. Danem-se os parvos que não entendem mais esse capítulo nada edificante da nossa história


Um desaparecido João Bafo de Onça de origem perdida na história, um mais recente Firmino da capitania do donatário Francisco Pereira Coutinho, ajudado por um Tápias da Galícia e o neo-empossado José Jorge da capitania do donatário Duarte Coelho, no usual ambiente pindorâmico de escassez de capital moral, apregoaram, nos últimos tempos bicudos, oscilantes e vagas propostas. As mais recentes podem ser lidas no jornal Estadão de 14 de março:




" Para o ministro será importante também o governo definir se irá vender o controle de forma pulverizada ou se a companhia terá o bloco de controle leiloado para um investidor estratégico, que se encarregaria de tocar o negocio. Caso a venda seja pulverizada, o ministro acha importante colocar um mecanismo que permita o controle direto na empresa. Isso se daria por meio da ‘golden share’ …. O modelo de pulverização consiste da venda de ações no mercado e a empresa fica sem dono, disse o ministro. Então, alguém tem de comandar a empresa, pelo menos no início, e essa ação é importante. Acredita o ministro também (sic) que outra frente desta batalha (sic) está na remoção (sic) de obstáculos políticos."


Olavo Cabral Ramos Filho



14 de março de 2001








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