Ações de Furnas terão uma oferta pulverizada
VALDEREZ CAETANO
BRASÍLIA – O governo continua decidido a privatizar Furnas este ano. No próximo dia 27, o Conselho Nacional de Desestatização (CND) vai discutir o formato da venda da maior concessionária de energia elétrica do país. Já está decidida a oferta pulverizada das ações, mas o governo vai impor limites aos compradores, para evitar que, depois da privatização, haja um núcleo de controle sobre a empresa.
Na opinião do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Francisco Gros, essa estratégia poderia ser feita limitando o número de ações que seriam vendidas a um grupo de pessoas ou ainda restringindo as vendas dos papéis com direito a voto. Tais restrições, segundo ele, valeriam por um determinado período que ainda será definido. Já a compra de ações pelos trabalhadores, com saldos do FGTS, será decidida pelo Conselho Curador do Fundo.
O governo vai dividir a estatal antes de vendê-la. A área de geração será oferecida ao mercado e o governo continuará controlando a parte de transmissão, como está definido no modelo de privatização do setor elétrico. Francisco Gros afirmou que a privatização de Furnas é a de ”uma empresa pública típica, onde nenhum grupo terá direito a voto majoritário.”
Na prática, só 70% das ações são passíveis de venda. Como Furnas é subsidiária da Eletrobrás – que tem 30% de ações privatizadas – automaticamente o portador de uma ação da controladora possuirá igualmente uma da subsidiária.
Todos sabem das necessidades de investimento urgentes no setor elétrico. É obvia a retração da oferta após o processo de privatização. Parece que o diretor da ANEEL é o único que continua negando esse fato e prefere culpar S. Pedro.
Se FURNAS for privatizada de forma pulverizada, o que à primeira vista parece ser uma forma de democratizar a questão, os pequenos acionistas podem esquecer a possibilidade de distribuição de dividendos, pois FURNAS terá que investir pesadamente todo seu lucro.
Não há motivo, senão a necessidade de pagar credores e seguir as regras do FMI, a venda de FURNAS.