Ao contrário do que o governo quer fazer parecer, a crise do sudeste não está afastada. Ao mesmo tempo, a notícia da fusao da ANP e ANEEL, mesmo que falsa, mostra o caos regulatório que o atual governo implantou no país. Veja se isso é hora de sair vendendo alguma empresa!
Para ANP, criar novo órgão agora complicaria ainda mais o setor
Zylbersztajn descarta nova agência de energia
Roberto Rockmann, De São Paulo
/Valor
A criação de uma nova agência de energia – que reuniria as atribuições da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) – está fora de cogitação. "É delirante essa idéia, que não tem base nenhuma", disse ontem em São Paulo o diretor-geral da ANP, David Zylbersztajn.
A proposta não será levada adiante, comentou o executivo, principalmente porque o ministro de Minas e Energia, José Jorge, e o coordenador da Câmara de Gestão da Crise de Energia (GCE) são contrários à medida.
Com a saída de Zylbersztajn da ANP e a fragilidade da Aneel em meio à crise de energia, cogitou-se a hipótese de agregar as duas agências em uma só. O que foi deixado de lado nesse governo por três motivos, segundo o Valor apurou com empresários do setor elétrico.
Primeiro, as interfaces entre as duas agências seriam mínimas, o que inviabilizaria sua união. Segundo, o governo quer concentrar todos seus esforços para resolver a crise de energia o mais rápido possível. Criar a agência agora poderia complicar ainda mais o já conturbado setor.
Por último, a criação da agência poderia criar problemas políticos em um ano pré-eleitoral, já que poderia haver uma chuva de indicações políticas ao cargo.
Em relação à queda dos índices de economia de energia no Nordeste e Sudeste, Zylbersztajn disse que a GCE está trabalhando em duas frentes para aumentar a mobilização popular e fazer com que a economia volte aos índices de junho e julho.
Nos próximos dias, uma campanha publicitária, disse Zylbersztajn, deve ir ao ar, incentivando os consumidores a continuar seus esforços de redução.
Ao mesmo tempo, a Câmara estuda um meio de pagar bônus a quem reduziu o consumo. "Temos de criar um meio de premiar a economia, e está se pensando em uma forma de fazê-lo, o que deve sair na próxima semana", comentou. Em uma alternativa, o Tesouro pagaria a conta. "Talvez seja preciso colocar na balança e ver o que é mais custoso: os bônus ou ficar sem energia."
Desde 1998 à frente da ANP, David Zylbersztajn deverá deixar a agência na segunda semana de outubro. Antes da saída, o executivo já tem duas viagens programadas. Uma, na próxima semana, à Escócia. A outra, no fim do mês, para a cidade de Houston, nos Estados Unidos.
Quanto à sucessão na agência, Zylbersztajn descartou a possibilidade de uma indicação política ao cargo e disse que não nomeará um sucessor, apenas dará sugestões de nomes. Para ele, o nome do sucessor tem de sair até novembro, já que o nomeado terá de ser sabatinado pelo Senado antes de assumir o cargo por definitivo. "A nomeação tem de sair no máximo até novembro, antes de o Senado entrar em recesso."
Júlio Colombi, atual diretor da ANP, deverá assumir interinamente. Zylbersztajn não prevê uma sucessão turbulenta no seu cargo. "Não haverá crise, haverá um soft landing", ironizou.
Edital da Copel é adiado
Miriam Karam, De Curitiba
O governo do Paraná adiou de hoje para a próxima semana a publicação do edital de venda da Copel. Em nota, afirmou que o atraso se deve " às análises que estão sendo realizadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) " .
Mas fontes do governo citavam a existência de problemas no relatório final preparado pelos advisers contratados para definir o preço mínimo da empresa. Em entrevista na última terça-feira, o secretário da Fazenda e presidente da Copel, Ingo Hübert, já havia colocado dúvidas sobre a viabilidade de publicação do edital na data prevista.
Apesar disso, a nota do governo afirma que o adiamento " não vai causar prejuízos ao cronograma de desestatização da Copel " . O leilão está previsto para o dia 31 de outubro. A elaboração do edital está a cargo do Consórcio Diamante, liderado pelo banco Dresdner Kleinwort, e pela empresa Booz Allen & Hamilton.
O governo ainda avalia o local em que deverá ser feito o leilão. Enquanto isso, a oposição à venda, derrotada na Assembléia, marcou para o dia 1º de setembro o lançamento de campanha para exigir a realização de plebiscito para decidir sobre a venda da Copel.
Parente culpa empresas por queda na economia de energia RICARDO MIGNONE
da Folha Online , em Brasília
O "ministro do apagão”, Pedro Parente, atribuiu o aumento do consumo de energia nos últimos dias, principalmente à flexibilização das medidas para as micro e pequenas empresas e minimizou um possível aumento de consumo em residências.
Ele lembrou que pode estar havendo uma acomodação em relação à meta de consumo. Outra causa para a menor economia de energia seria a sazonalidade.
Segundo estudos do governo, entre julho e agosto, ocorre historicamente um aumento médio de 4% no consumo de energia.
Apesar da redução na economia e no nível dos reservatórios, Parente diz que as usinas continuam com mais água do que o previsto pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) no início de junho, e que a curva guia melhorou. (veja os números do ONS)
"Temos razões para aprofundar análises, mas não para adotar medidas adicionais”, disse Parente. O ministro afirmou que o governo não pensa em utilizar o consumo atual para estabelecer novas metas de redução no gasto de energia, caso o racionamento se prolongue até 2002.
"Em hipótese alguma, se houver alguma prorrogação, vamos levar em conta o consumo atual. Isso seria injusto. Quem provocou este tipo de boato, está prejudicando o trabalho do governo.”
Ele disse que foi informado que o assunto teria sido tema de entrevistas em rádios paulistas.