Para petroleiros, próximo passo é privatizar Estadão 27/12/2000
Frente Parlamentar Nacionalista se reúne para debater mudança, que tem apoio de Gabeira
SÔNIA ARARIPE e ANA PAULA GRABOIS
RIO – A Federação Única dos Petroleiros (FUP) considera que a troca da marca Petrobrás para PetroBrax é um passo para a privatização da empresa.
O coordenador da FUP, Maurício Rubens, disse que a federação foi informada ontem de manhã sobre a mudança de nome e disse ao presidente da Petrobrás, Philippe Reichstul, que avalia que o novo nome "é um grande passo para a privatização".
"Quando se tira o nome do país da marca, que tem um simbolismo forte, descaraceriza o fato da empresa ser estatal. Depois que a sociedade assimilar esse novo nome, vai facilitar a privatização", disse Rubens.
Integrantes da Frente Parlamentar Nacionalista vão se reunir hoje e amanhã, em Brasília, para debater a mudança de nome da Petrobrás para PetroBrax.
"Estamos vendo com preocupação a alteração. A Petrobrás é um patrimônio da Nação brasileira", disse o deputado federal Vivaldo Barbosa (PDT-RJ), que preside a Frente Parlamentar Nacionalista e foi convocado para reunião com o presidente da Petrobrás, Henri Philippe Reichstul, para explicar a alteração de marca.
O secretário da Frente, o ex-deputado Ricardo Maranhão, que acaba de ser eleito vereador do Rio de Janeiro (PSB), foi ainda mais incisivo. "Estão querendo apagar a memória da maior e mais tradicional empresa brasileira.
Será o mesmo que mandar, por exemplo, demolir um patrimônio histórico, como Ouro Preto ou Olinda. Acho que nem tudo o que é moderno é bom e nem tudo que é velho é ultrapassado" , opinou Maranhão, que também é conselheiro da Associação de Engenheiros da Petrobrás (Aepet).
O deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ) também esteve no encontro com o presidente da Petrobrás, assim como o deputado federal Carlos Santana (PT-RJ) e o deputado estadual, também do Rio, Paulo Ramos (PDT). Gabeira aprovou a mudança de nome. "Ouvi as explicações do presidente da empresa, que me convenceram. É uma medida que vai no bom sentido", disse Gabeira.
Segundo o deputado do Partido Verde, a alteração não deveria ser entendida como uma questão nacionalista.
"O nome da nossa maior empresa do país, que é de petróleo, não precisa estar associado ao Brasil, pelo brás. Compreendi que é uma mudança empresarial, do mundo dos negócios", opinou o deputado do Partido Verde.
Inócua – Já o ex-presidente da Petrobrás Luiz Octávio da Motta Veiga afirmou que a mudança de nome da estatal para PetroBrax é "totalmente inócua".
"Não tem a menor importância. A Petrobrás já é conhecida internacionalmente e a mudança no nome não vai afetar em nada, nem para pior ou para melhor.
Quisera eu que, durante a minha gestão, o problema da Petrobrás fosse o nome", disse Motta Veiga, que foi presidente da estatal entre abril e novembro de 1990, durante o governo Collor e acabou saindo diante de pressões políticas.
Outro ex-presidente da Petrobrás, entre 1989 e 1990, Carlos Sant’Anna, disse não ter lhe agradado o novo nome dado à estatal, PetroBrax. "Não gostei da mudança. O nome é o patrimônio da empresa. Nunca vi Shell ou Texaco ou até as companhias alemãs, cujos nomes têm pronúncia difícil, mudar de nome. Acho que não tem a ver com a privatização mas é mexer com algo quase místico no País", disse o ex-presidente da estatal.