Lembramos mais uma vez que o ILUMINA antecipou essa situação. Confira!
Reservatórios de usinas hidrelétricas ficarão com nível abaixo do esperado
Globo 18/4/2001
Mônica Tavares
BRASÍLIA. O nível dos reservatórios de água das usinas hidrelétricas das regiões Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste deverá estar, no fim do mês, abaixo das previsões do governo. O presidente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Mário Santos, disse ontem que no próximo dia 30 os reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste deverão ter 34% de sua capacidade, contra uma expectativa de 36%. No Nordeste – onde as chuvas foram as piores nos últimos 70 anos – o volume nas barragens será de 34%, contra os 37% esperados.
Isto significa que terão que ser adotadas medidas para aumentar a oferta de energia e reduzir o consumo. Santos participou ontem de reunião do Conselho Temático de Infra-estrutura, da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Até o fim da próxima semana, o governo vai fazer a primeira avaliação dos resultados das medidas de racionalização anunciadas no início do mês.
– O setor elétrico está doente. Se a tendência for de agravamento o remédio será mais forte – disse o presidente do ONS.
O vice-presidente da CNI, José Carlos Gomes Carvalho, disse que a indústria não está preparada para um racionamento. Ele explicou que em 30 dias as federações vão apresentar propostas de redução de consumo e uma análise do impacto de uma redução da oferta.
– A indústria também vai sofrer, como toda a sociedade. Qualquer racionamento, por menor que seja, traz conseqüências – afirmou Carvalho.
O ministro de Minas e Energia, José Jorge, participou de audiência pública nas comissões de Infra-estrutura e de Assuntos Econômicos do Senado, e disse que o governo está preparado para ações de emergência, como dar descontos ou aumentar tarifas para restringir o consumo. Ele destacou que não é um aumento generalizado, porque os reajustes estão previstos nos contratos de concessão. Mas José Jorge admite a adoção de políticas tarifárias para quem consumir acima da média.
Amanhã as tarifas de energia elétrica de seis distribuidoras ficarão mais caras. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou aumento para Coelba (BA, 14,84%); Energipe (SE, 15,80%); Cosern (RN, 14,06%); Coelce (CE, 15,04%); AES Sul (RS, 20,94%); e RGE (RS, 18,21%).
Os aumentos das contas de luz são anuais e estão previstos nos contratos de concessão. A Aneel calcula os custos não gerenciáveis, como a compra de energia, e os administrativos, que seguem a variação do IGP-M
Nível dos reservatórios piora ainda mais, admite ministro
Valor 18/4/2001
Governo prepara medidas de emergência Fábia Prates e Mauro Zanatta, De Brasília
O ministro das Minas e Energia, José Jorge, garantiu ontem que o racionamento "não é inevitável", mas adiantou que o governo dispõe de medidas emergenciais para enfrentar a crise de oferta de energia. Por exemplo, a concessão de descontos ou o aumento de tarifas para estimular a redução do consumo. O ministro, que compareceu à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado para falar sobre o racionamento, mostrou dados, contudo, que retratam a precariedade dos reservatórios.
Segundo ele, seria necessário um aumento de 110% nas chuvas na região Sudeste e no Centro-Oeste e 86% no Nordeste, até o final deste mês, para regularizar o nível dos reservatórios, que deveriam estar com nível mínimo de segurança de 49% no Sudeste e Centro-Oeste e de 50% no Nordeste. Hoje, o nível dos reservatórios é de 35,1% e 37,2%, respectivamente.
Entidades envolvidas na busca de soluções para o setor elétrico já discutem a adoção de medidas de racionamento a partir de maio, diante do agravamento da situação dos reservatórios.
Indagado sobre a postura de empresários, que se declararam ontem despreparados para o racionamento de energia, o ministro comentou: "Se eles não estão se preparando, não está correto".
O Valor apurou que um dirigente de uma importante entidade do setor elétrico já defendeu em reuniões fechadas que o governo não espere mais tempo para iniciar o programa de racionamento. Deveria começar com as medidas compulsórias já a partir de primeiro de maio para evitar que elas venham em intensidade maior no futuro. No entanto, a idéia ainda é vista com reservas, provavelmente por causa do desgaste político que medidas que obriguem a redução do consumo provocariam.
O discurso oficial ainda é o mesmo: há esperanças de que o plano de racionalização seja suficiente para equilibrar oferta e consumo para evitar as medidas mais drásticas. Nos bastidores, no entanto, há pouca crença de que isso aconteça.
As medidas de racionalização prevêem redução do consumo, com uma campanha iniciada na segunda-feira. Pretende-se que o consumo caia 10% apenas com a conscientização dos consumidores. Os órgãos públicos estão obrigados a reduzir em 15% imediatamente e progredir para 20% até o final de 2002.
Uma outra ponta do plano de racionalização prevê aumento da oferta. Foram listadas 25 medidas para tentar aumentar a oferta entre 7% e 8%, o que representaria agregação entre 8.000 e 11.000 megawatts. Nenhuma dessas medidas, no entanto, tem adoção garantida. Todas dependem de negociação, porque têm repercussão em outros usos da água.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) fez reunião ontem em Brasília com o presidente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Mário Santos, para saber o atual estágio da crise. Santos repetiu que a situação é grave, mas que é possível contorná-la com as medidas de racionalização, desde que haja empenho da população para reduzir o consumo. "O conjunto de medidas pode cobrir o desequilíbrio", afirmou. "O setor elétrico está com uma doença. Se o remédio não for bom, terá que ser adotado outro mais amargo". Por remédio mais amargo, leia-se racionamento.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou, a partir de amanhã, o aumento das tarifas de energia de seis distribuidoras. São elas a Coelba (BA), com 14,84%; a Coelce (CE), com 15,04%; a Cosern (RN), com 14,06%; a Energipe (SE), com 15,8%; a RGE, com 18,21%; e a AES Sul, com 20,84% (RS). As tarifas são reajustadas anualmente. Parte da correção são os chamados custos não-gerenciáveis (gastos como a Conta de Consumo de Combustíveis e a Reserva Geral de Reversão). O restante é o IGP-M calculado pela Fundação Getúlio Vargas. Nos últimos 12 meses finalizados em março, o índice da FGV acumulou 9,60%.