Caramba! A situação é pior do que pensavamos! Se for verdade o que o dr. Abdo está dizendo, não é que até agora as usinas térmicas não estavam a plena carga? O ONS está brincando com fogo. Ou melhor….Com pouca água! Repetimos: Se é verdade essa tática de operação, o sistema tem memória de elefante. Uma parte do racionamento, se houver, será porque não se colocaram todas as térmicas na base desde o início do ano. O resto que o dr Abdo declara é delirio. É falta de investimento mesmo!
O que foi dito para a reporter foi que a melhor tática para lidar com um racionamento que pode ser de grandes proporções, é espalha-lo ao longo do tempo em muitos racionamentos de pequenas proporções. Pequenas proporções são gerenciáveis, grandes proporções significam o caos!
Valor Econômico 22/3/2001
Contingenciamento deverá ser negociado com os grandes consumidores
Contenção da energia já em abrilFábia Prates, De Brasília
As medidas de restrição de consumo de energia para tentar poupar água dos reservatórios, que estão nos níveis mais baixos dos últimos 40 anos, serão adotadas já em abril. O plano do governo é tentar ampliar a geração e racionalizar o consumo com estratégia negociada com grandes consumidores.
Essas medidas constarão do chamado plano de contingenciamento que está sendo elaborado por comissão que tem participação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), do Operador Nacional do Sistema (ONS) e do Ministério de Minas e Energia. Será concluído em 15 dias e segundo José Mário Abdo, diretor-geral da Aneel, trará medidas preventivas que devem resultar em economia de 10 pontos percentuais no uso da água acumuladas nos reservatórios, podendo chegar a até 13 pontos. As regiões Sul e Norte ficarão de fora das medidas por estarem com seus reservatórios equilibrados.
A intenção, segundo Abdo, é que as ações sugeridas pelo plano sejam suficientes para equilibrar consumo e oferta, se os reservatórios não voltarem ao normal, e evitar que o governo lance mão do temido racionamento. Ações nesse sentido, que consistem em cortes impostos pelo governo, não serão previstas no plano de contingenciamento, garantiu.
Uma fonte do ministério havia dito ao Valor anteontem que o plano conteria uma previsão de racionamento a ser usado se as medidas preventivas não surtirem efeito. O governo não descarta utilizar esse mecanismo, caso seja necessário. "Todas as medidas serão tomadas para evitar o racionamento. Se amanhã vier o racionamento, o setor será competente para tomar as providências necessárias. A possibilidade de essas medidas darem certo é grande", disse Luiz Perazzo, secretário-executivo do Ministério.
As medidas de racionalização ainda serão definidas, mas segundo Abdo, podem ser, por exemplo, negociação para que as indústrias utilizem menos energia do que o contratado com as distribuidoras.Para aumentar a geração, a idéia é colocar todas as térmicas trabalhando a plena carga e melhorar a capacidade de transporte do sistema de transmissão Sul-Sudeste.
Uma campanha publicitária para sensibilizar a população a evitar desperdícios também será iniciada no próximo mês. Será dessa forma que os consumidores residenciais participarão da racionalização de energia, segundo Abdo. "Indústrias, comércio, residências e o setor público devem adotar posição vigilante de combate ao desperdício", disse.
Abdo desmente associações da crise no setor elétrico com falta de investimentos no setor. Segundo ele, o problema é resultado exclusivamente da falta de chuvas, já que o sistema elétrico brasileiro é fortemente dependente do regime hidrológico. "Alguns pensam que a situação de dificuldade é por falta de investimento. Isso não confere. Tem havido investimento privado em escala importante". Segundo ele, no ano passado a oferta cresceu em 4.000 megawatts. A previsão desse ano é que o sistema receba mais de 5.000 MW.
Tribuna de Minas 22/3/2001
Energia elétrica
Racionamento deve atingir residências se ações falharemO Governo federal vai implantar um plano de contingência que prevê a operação plena das usinas térmicas e nucleares e campanha para que a população diminua o consumo de energia em todo o país. Ontem, após reunião com o ministro de Minas e Energia, José Jorge, o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), José Mário Abdo, decidiu amenizar o plano de racionamento de energia, mas o secretário-executivo do ministério, Luiz Gonzaga Leite Perazzo, não descartou a possibilidade de racionamento nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, caso a proposta não dê os resultados desejados.
O plano será entregue ao ministro José Jorge, dentro de 15 dias, para ser colocado em prática a partir de maio. Para o diretor do Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Elétrico (Ilumina) , Roberto Pereira D’Araújo, a medida é pouco agressiva e já está atrasada diante das reais condições de abastecimento do país. "A situação é grave e carece de ações mais drásticas de combate ao desperdício de energia", aponta.
Impacto Ele observa que, caso o Governo julgue que o racionamento vai causar forte impacto na economia, os cortes poderão atingir as residências. O diretor da Ilumina lembra que há muito o Governo não realiza investimentos em novas usinas, o que ocasionou de fato o problema atual de desabastecimento.
Caso os reservatórios das usinas da região Sudeste não atinjam 49% da capacidade de água – hoje de 34,7% -, o racionamento de energia entrará em pauta. Mesmo não querendo apresentar um quadro desolador, Abdo informou que os reservatórios das usinas estão com níveis de armazenamento piores em comparação com o mesmo desempenho nos últimos 40 anos.
Cemig lança campanha para garantir abastecimentoA Cemig descarta a possibilidade de comprar energia elétrica de outras usinas para garantir o abastecimento em Minas Gerais, mas adota, a partir de terça-feira, uma campanha voltada ao uso racional da energia. A empresa reuniu todos os projetos que já praticava na área e criou um projeto envolvendo economia em 22 setores específicos, o maioria deles já desenvolvidos pela estatal.
De acordo com a campanha, cada segmento terá um programa de contribuição para que não falte energia no futuro próximo. Para o consumidor residencial, a Energia Inteligente terá apelo educativo, convocando a comunidade a participar diretamente das ações para evitar o desabastecimento.
Exemplo A assessoria de comunicação da Cemig preferiu não adiantar os detalhes da campanha, mas a empresa estuda a possibilidade de promover o desligamento do prédio sede da estatal e a mudança nos horários de trabalho, demonstrando ao consumidor que a empresa também contribui. As repartições públicas vão receber instruções sobre horários, equipamentos e tecnologias adequados ao uso racional da energia elétrica.
A última campanha de grande porte realizada pela Cemig foi em outubro do ano passado, mas sem abranger todos os segmentos. A campanha Energia Inteligente teve que ser antecipada em função das condições críticas dos reservatórios de água na região Sudeste do país.
Novas usinas O ex-ministro das Minas e Energia, Antônio Dias Leite, disse que as soluções para o problema de abastecimento de energia elétrica no país são, em curto prazo, a racionalização da utilização dos recursos e, em médio prazo, a aceleração dos projetos de construção de usinas termelétricas.
Leite, que foi ministro entre 1969 e 1974, disse que os problemas no abastecimento neste e no próximo ano são inevitáveis porque as iniciativas no setor geram resultados em prazos de até 4 anos. A situação dos reservatórios vem piorando ano a ano com o regime inconstante das chuvas.
Empresário mineiro quer aceleração de projetos¨Os empresários mineiros estão mais preocupados em evitar o racionamento no próximo ano, ao invés de ficarem reclamando do problema atual, disse ontem o economista da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Frederico Ribeiro. O desejo é o de acelerar os projetos já em andamento, como a construção de termelétricas em todo o estado.
Os empresários pretendem também solicitar à Petrobras a expansão do polioduto, já definido para o trecho entre Juiz de Fora e Belo Horizonte, até o Vale do Aço, onde estão concentradas grandes indústrias mineiras. Outro objetivo é fazer uma variante do polioduto para o Sul de Minas.
Ribeiro destacou que o estado é exportador de energia, mas que há dificuldades na distribuição. A melhoria neste sistema também é outra medida defendida pela Fiemg. Para cada ponto percentual de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) são necessários dois pontos percentuais na oferta de energia elétrica. Por isso, o problema enfrentado hoje no país, não é a falta de chuva, mas sim estrutural, observou Ribeiro.
Alta na tarifa de energia deve elevar preço do pãoA elevação de até 15% no preço da tarifa de energia elétrica da Cemig, a partir do próximo mês, deve provocar o aumento do pão francês. O presidente do Sindicato da Indústria da Panificação de Juiz de Fora, Horácio Serrão Neves, disse ontem que o gasto com energia elétrica pesa mais no preço final do produto que a farinha de trigo.
Embora o derivado do trigo tenha subido cerca de 8% na semana passada, o impacto da conta de energia será maior, explicou Neves. O sindicato está fazendo estudos para identificar a necessidade ou não de aumento no preço do pão, que já é vendido a R$ 0,22 em Belo Horizonte e no Rio. Após a conclusão dos trabalhos, a entidade irá debater o assunto com os empresários.
Segundo Horácio Neves, com o anúncio do aumento da energia, o sindicato vai ampliar o levantamento sobre a utilização do gás natural nas padarias. "Estamos mandando pedidos de informação para fornecedores de equipamentos", disse.