Mudanças de Tom
O candidato à presidência do Paraguai Fernando Lugo, referindo-se à proposta de renegociar o preço da energia de Itaipu, afirmou enfaticamente: “Vai ter que……”. O presidente eleito Fernando Lugo baixou o tom: “Renegociar, se possível…”
Ao mesmo tempo, o diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, que antes se colocou contrário às pretensões do Paraguai, após seu depoimento na Comissão de Relações Exteriores da Câmara Federal admitiu colocar em discussão o aumento das tarifas, afirmando: “Se o dólar continuar indo do jeito que está, é justo sentar na mesa e encontrar uma equação que possa vir para melhorar a situação”.
Explica-se a mudança de tom de homens públicos. Não parece sernenhuma falha de caráter, apenas um ponto de vista diferente diante de uma mudança na conjuntura. Quando se aprofundam no conhecimento da realidade a ser enfrentada passam a enxergar a real dimensão do problema.
O ministro Pereira Pinto do Departamento da América do Sul 1 do Itamaraty, explicou que o novo presidente do Paraguai abrandou o discurso depois de eleito. Essa atitude está possibilitando o encontro de soluções mais abrangentes que se apresentem “justas e realistas” para os dois países, segundo afirmou o chanceler Amorim. Ele acrescentou que o Brasil tem apresentado propostas alternativas concretas ao Paraguai de realização de obras de infra-estrutura, nas quais se inclue a linha de transmissão para melhorar o fornecimento de Assunção, que no momento sofre com diversos apagões. Esse é um dos paradoxos do país vizinho. Ao mesmo tempo que é um exportador de energia elétrica, vê sua capital às escuras. O governo brasileiro também pretende estimular empresas brasileiras a se instalarem em território paraguaio o que na sua opinião contribuirá para o consumo e remuneração da energia a que o Paraguai tem direito em Itaipu, aumento de empregos e melhoria da economia como um todo.
Esta também é uma mudança de tom da diplomacia brasileira que já foi chamada de “pré-imperialista” na sua relação com os países vizinhos.
Na área de energia a solução definitiva para os problemas do continente é iniciar e efetivamente realizar a integração energética da América do Sul. Essa integração vai exigir muita vontade política e o enfrentamento de alguns problemas como a construção de linhas de transmissão estratégicas para a integração, construção de gasodutos interamericanos e de empreendimentos hidrelétricos binacionais.
O Brasil, por sua situação geográfica e diversos outros fatores, tem tudo para comandar essa integração de uma forma madura, mas essa é uma tarefa a ser realizada em conjunto.
Todos os países da América do Sul poderão se beneficiar da integração que acabará com os problemas de desabastecimentos sazonais nos diversos países. No momento Argentina e Uruguai passam por dificuldade de abastecimento de energia elétrica, mas o próprio Brasil viveu essa situação recentemente.
Petróleo, gás, etanol e energia elétrica de fontes hídricas e térmicas, incluindo a nuclear, não faltam no continente sulamericano. Temos ainda a possibilidade de desenvolver e incentivar o uso da energia solar e eólica. O que falta no momento é fazer essa energia chegar aos consumidores de todos os tipos, de forma a atender às necessidades de desenvolvimento de todos os países deste continente. Essa é a solução.
Luiz Pereira
Eng. Eletricista