Se as notas divulgadas abaixo fossem graus escolares, essa turma seria ruinzinha. Chamaa atenção o fato de que os alunos mais ricos, por exemplo a Eletropaulo, não tiraram notas muito melhores do que os mais pobres. Alem disso,a pesquisa com certezanão relacionoua opinião dos consumidores com o preço da energia. A pergunta que caberia é a a que possibilitaria saber a percepção sobre a piora da qualidade e elevacão das tarifas.
Aumento da insatisfação dos consumidores
Mônica Tavares – O Globo
BRASÍLIA – Aumentou a insatisfação dos consumidores de energia elétrica com os serviços prestados pelas distribuidoras de todo o país no ano passado, e isso pode pesar na hora de discutir o reajuste das tarifas. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) divulgou nesta terça-feira o resultado da pesquisa Índice Aneel de Satisfação do Consumidor (IASC), realizada pelo Instituto Vox Populi com 19.220 consumidores das 64 distribuidoras de energia de todo o país. Numa escala de zero a 100, o índice médio em 2003 ficou em 63,63, quase um ponto abaixo dos 64,51 apurados em 2002 e próximo dos 63,22 registrados em 2001.
– O IASC Brasil nos dá uma visão de que os consumidores estão razoavelmente satisfeitos. Mas a Aneel acha que o serviço das empresas pode melhorar – disse o diretor-geral da Aneel, José Mário Abdo.
Abdo garantiu que o resultado da pesquisa vai influenciar nos reajustes das tarifas de energia. O Fator X – índice de produtividade usado para reduzir tarifa dos consumidores – poderá aumentar ou ser reduzido em até 1 ponto percentual, dependendo da avaliação dos consumidores. O Fator X é subtraído do IGP-M, índice anual de reajuste de energia. Este ano, o cálculo de tarifas de 17 empresas, entre elas as da Light e da Cerj, será influenciada pela pesquisa.
Ao anunciar os resultados da pesquisa, feita entre os meses de outubro e novembro do ano passado, a Aneel, agência reguladora responsável pelo setor, afirmou que os serviços precisam melhorar. Na comparação com índices internacionais que usam metodologias semelhantes às do IASC, o serviço das distribuidoras brasileiras é considerado no limite inferior da faixa considerada como de bom desempenho. Enquanto o IASC médio do Brasil em 2003 foi de 63,63, o American Consumer Satisfaction Index (ACSI), que mede a satisfação dos consumidores dos Estados Unidos com empresas elétricas, ficou em 73 pontos no ano passado.
O diretor-executivo da Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee), Luiz Carlos Guimarães, criticou a utilização da pesquisa no cálculo das tarifas. Para ele, a pesquisa deveria servir para melhorar a gestão das empresas. A Iguaçu Distribuidora de Energia Elétrica Ltda, de Santa Catarina, foi escolhida pelos consumidores como a melhor empresa de energia do país em 2003. De zero a 100, a nota dada pelos consumidores ao desempenho da empresa foi de 74,37, acima da média dos Estados Unidos, que é de 73. A companhia fornece energia para 23,5 mil consumidores de seis cidades de Santa Catarina.
A pior distribuidora de energia do país, segundo a pesquisa, é a Companhia Energética do Amazonas, que tem 171,4 mil consumidores e distribuiu energia para 61 municípios do estado. Ela recebeu nota de 47,82.
Na região Sudeste, a pior distribuidora na avaliação dos consumidores foi a Eletropaulo, que recebeu pontuação de 60,01. A Light, do Rio de Janeiro, recebeu nota 60,78, avaliação abaixo da feita pelos consumidores em 2002, quando a empresa teve nota 64,07 e ficou no terceiro lugar entre as distribuidoras da região com pior índice de satisfação. O segundo lugar ficou com a Cerj, também do Rio, com nota de 60,25. As três empresas foram as piores na categoria acima de 400 mil consumidores.
A empresa com maior índice de satisfação no Sudeste foi a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), com nota de 69,35.