Não se enganem! Não é só Itaipu! Na parcela A, totalmente repassada aos consumidores, os encargos setoriais não param de subir. Muitos deles foram criados exatamente pelo “eficiente” modelo privado – mercantil que iria livrar a sociedade brasileira das terríveis e ineficientes empresas estatais. O caso da tarifa de transmissão é digno de nota: A tarifa inicial foi calculada para que a rentabilidade do segmento fosse ZERO! Repito, ZERO! Não era por acaso que essa atividade estava nas mãos do estado. Evidentemente essa escolha alocava essa rentabilidade para o segmento da geração, que, também não por acaso, iria ser privatizado. A partir daí, o eficiente sistema competitivo foi acrescentando novas linhas, cada uma pertencente a uma empresa diferente com presidente, diretor e outros cargos típicos. Rentabilidade conseguida nos leilões? No entorno de 20%! Resultado: a tarifa de transmissão, desde sua criação subiu mais de 600%!!
Portanto, não se deixe enganar! A manchete abaixo irá se repetir por muito tempo, pois, parte do cruel sistema que cria custos anteriormente inexistentes para que a sociedade se ocupe deles, não foi desmontado. Não seiluda também com o aumento menor para as residências. Adivinhem quem vai pagar o aumento de custo das indústrias?
Aos que argumentam que o modelo estatal se esgotou porque “o estado não tinha mais recursos”, lembramos, que, por esse preço, até o estado ineficiente faria melhor!
Energia elétrica fica mais cara para 10 milhões de consumidores de 4 estados
Globo Online
O Globo
SÃO PAULO e BRASÍLIA – Dez milhões de consumidores de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul passarão a pagar mais pela energia elétrica a partir desta quinta-feira, dia 8. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou reajustes médios de 12,74% a 19,13% nas tarifas das distribuidoras Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), Empresa Energética do Mato Grosso do Sul (Enersul), e Centrais Elétricas Matogrossenses (Cemat).
O maior reajuste, de 19,13%, é o da Cemig, que atende 5,7 milhões de consumidores em 775 cidades de Minas Gerais. A CPFL, que tem 3,02 milhões de consumidores em 234 municípios paulistas, poderá aplicar um reajuste médio de 12,74%. O percentual autorizado para a Cemat, do Mato Grosso, é de 14,81% – a empresa atende 715 mil consumidores em 126 cidades. Para a Enersul, do Mato Grosso do Sul, o reajuste autorizado foi de 17,02%, a ser aplicado aos 615 mil consumidores de 72 cidades.
Segundo a Aneel, o reajuste será diferenciado por categoria de consumo para eliminar subsídios cruzados que existiam entre grupos de consumo. No caso da CPFL, o reajuste varia de 8,45% a 27,3%. Na Cemig, de 14,78% a 28,31%. Os consumidores residenciais terão os percentuais menores de reajuste, pois recebem energia em baixa tensão. O clientes residenciais da CPFL, por exemplo, terão aumento de 8,45%. Os da Cemig, de 14,78%. Os da Enersul e da Cemat, de 16,08% e 11,44%, pela ordem.
Nesta semana, a Aneel avisou que os aumentos das contas de luz em 2004 deveriam ficar bem acima da variação do IGP-M, porque o governo vai começar a repassar para as tarifas o aumento do dólar ocorrido no fim de 2002. Essa variação tem impacto principalmente nas contas das distribuidoras do Sudeste, que compram energia da usina hidrelétrica de Itaipu, que tem seu preço em dólar.
No ano passado, como o IGP-M estava alto e havia preocupação de um aumento da inflação, o governo adiou o repasse para 2004 e 2005. Este ano, serão repassados 50% do valor devido, reajustado pela taxa Selic. Os outros 50% somente vão ser cobrados do consumidor no ano que vem.
Os percentuais definitivos serão anunciados sempre um pouco antes da data-base de reajuste de cada distribuidora. A data-base da Eletropaulo, por exemplo, é dia 4 de julho. As datas da Light e da Cerj são, respectivamente, 7 de novembro e 31 de dezembro.