O biocombustível e a opção pelo agronegócio

BIOCOMBUSTÍVEL: GOVERNO FEDERAL PRIVILEGIA AGRONEGÓCIO



Professores da Universidade de Brasília (UNB) alertaram que o uso do óleo de soja em uma nova forma de produzir diesel, anunciada na semana passada pelo Governo Federal, marca a opção dessa administração pelo agronegócio, em prejuízo da agricultura familiar. Para os pesquisadores, embora seja economicamente viável usar soja na produção do novo diesel, a escolha irá reproduzir “velhos problemas” da monocultura da oleaginosa, como exclusão social e danos ao meio ambiente. Os professores sugerem que a produção de H-Bio, produto com tecnologia desenvolvido pela Petrobrás, com óleo de soja pode ser “estrategicamente insustentável”. Isso porque não gerará empregos no campo, como no caso de outras oleaginosas, e estimulará concentração do setor de esmagamento dos grãos nas mãos de grupos internacionais. Apesar de a Petrobrás ter informado que o óleo vegetal do H-bio pode ser de soja, girassol, mamona, palma ou algodão, o ministro Roberto Rodrigues (Agricultura) afirmou que a soja deve ser usada primeiro. Ele estimou o uso, em 2007, de 1,2 milhão de toneladas do grão na produção do H-Bio. A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) disse que o novo diesel expressará “o casamento entre o agronegócio e a indústria do petróleo”. “Não adianta resolver o problema energético com exclusão social e impactos ambientais”, disse a socióloga Laura Duarte, uma das autoras do estudo. Para ela, o governo deveria aproveitar culturas de oleaginosas tradicionais, como a mamona, para o H-Bio. (Folha de S.Paulo/AEPET)

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