AINDA SOBRE A OPERAÇÃO DAS TÉRMICAS
Compreende-se a decisão do CMSE de manter ligadas as térmicas a diesel e a óleo combustível por mais quinze dias. Afinal, se as dificuldades de geração para este ano já estão completamente superadas, o mesmo não se pode dizer para 2009.
A esta altura, a tranqüilidade do suprimento no Sistema Interligado Nacional para o próximo ano ainda depende de que o período seco que se aproxima (maio-outubro deste ano) não seja muito severo e de que o período úmido seguinte (nov/2008 – abril/2009) seja pelo menos razoável.
Além disso, para uma tranqüilidade mais completa, em 2009 e nos anos seguintes, faz-se também necessário que se resolva de uma vez por todas o problema do gás natural, de modo que o parque térmico a gás venha a se tornar uma realidade plena e não apenas a ficção que várias das suas usinas representam hoje em dia, uma vez que estão implantadas mas, por falta de gás, simplesmente não funcionam ou funcionam com capacidade reduzida.
Assim, embora o SIN disponha de mais de 15.000 MW de potência instalada em térmicas convencionais, das quais cerca de 10.000 MW são de usinas a gás natural, desde o final do ano passado, quando se esboçou a possibilidade de crise, até hoje só se conseguiu gerar de fato pouco mais de 5.000 MW médios por dia, incluindo aí a geração a carvão, a gás natural e as tais usinas a diesel e a óleo combustível inicialmente referidas.
E, em sendo assim, o que não dá para compreender é por que o custo da geração dessas usinas a diesel e a óleo tenha de ser repassado para os consumidores, enquanto várias usinas a gás que durante este período, por falta de combustível, não geraram ou geraram muito abaixo das suas respectivas capacidades, continuaram faturando normalmente a venda de uma energia que não foram capazes de produzir. Se estas usinas tivessem funcionado e gerado a energia que venderam neste período, simplesmente não teria sido necessário que as térmicas a óleo e a diesel tivessem sido acionadas.
ILUMINA – NE
31 de março de 2008