A OPERAÇÃO DO SISTEMA E OS RESERVATÓRIOS DE REGULARIZAÇÃO
No dia primeiro deste mês, o Canal Energia divulgou interessante matéria assinada pelo Jornalista Fábio Couto, sob o título ONS espera aprovação de nova metodologia de administração energética na próxima reunião do CMSE, contendo importantes declarações atribuídas ao Dr. Hermes Chipp, Diretor-Geral do ONS, as quais o ILUMINA julga conveniente repercutir.
Segundo o Jornalista, a proposta apresentada pelo ONS para aprovação do CMSE envolve mudança na atual metodologia de operação das usinas, incluindo novas estratégias de despacho térmico e administração do intercâmbio, além de definição de níveis-meta, com o objetivo de dar melhor condição ao sistema eletro-energético para conviver com eventuais períodos de escassez de chuvas.
A respeito, ainda segundo o Jornalista Fábio Couto, entre outras coisas o Dr Hermes teria afirmado que não é mais possível operar no País no regime de “encher e esvaziar” reservatórios. Mais precisamente, a afirmativa textual teria sido a seguinte: “Todos os anos, eles enchem e esvaziam. Dependemos sempre de um próximo ciclo que seja bom. Não queremos mais isso. Não é mais possível encher, esvaziar e esperar encher de novo para a gente ser feliz. Esse País está com outra proposta, de desenvolvimento perene, com crescimento de consumo mais acelerado, PIB acima de 5%, 5,5%, até valores maiores. A gente tem que estar preparado para atender esse sistema com mais segurança,”.
Tais declarações teriam sido feitas pelo Sr Diretor-Geral do ONS juntamente com a observação de que as decisões tomadas atualmente pelo CMSE “embutem um elevado grau de subjetividade em função da avaliação pessoal de cada integrante do comitê”, conforme textualmente citado na matéria. E em sendo assim, teria ele acrescentado que “o ideal é ter uma metodologia que aplique e veja o resultado, para dar a decisão”.
O ILUMINA desconhece o conteúdo detalhado da nova metodologia proposta. A respeito, sabe apenas da proposição do indicador de segurança denominado nível-meta de armazenamento nos reservatórios das hidrelétricas, nos termos do artigo publicado no Informativo do ONS Ligação, de março de 2007, o que evidentemente não seria suficiente para fixar um posicionamento definitivo sobre o assunto.
Entretanto, a julgar pelo que está exposto na matéria em apreciação, em princípio, o ILUMINA considera que a proposta do Operador Nacional do Sistema, ao reconhecer que a situação atual não atende as necessidades de um sistema interligado como é o brasileiro, em si já representa um passo à frente no sentido da correção do problema, de modo que a operação do sistema volte a ser conduzida com maior base técnica, levando em conta a capacidade de regularização plurianual das vazões proporcionada pelos grandes reservatórios e incluindo critérios probabilísticos vis-a-vis os riscos resultantes da imprevisibilidade dos regimes hidrológicos das bacias. Em última análise, como se fazia anteriormente até a implantação no setor elétrico do modelo mercantil, no final dos anos noventa do século passado, a partir de quando a operação do sistema passou a ser feita basicamente apenas pela otimização do custo da geração, do que resultou o tal regime anual de “encher e esvaziar” reservatórios, agora mencionado pelo Dr. Hermes Chipp.
Há vários anos, o ILUMINA vem batendo nesta tecla através de pronunciamentos dos seus dirigentes, além de editoriais, notas, artigos e comentários publicados nesta página e em vários órgãos da nossa imprensa. Entre estes, pode citar-se o recente artigo sob o título A SEGURANÇA DO SISTEMA HIDRELÉTRICO E O REGIME DE CHUVAS, datado de Janeiro/2008, que chama atenção exatamente para esta questão.
Rio de Janeiro 05 de abril de 2008.
ILUMINA