Geradoras criticam venda de energia de hidrelétricas para a Argentina
Cláudia Schüffner e Chico Santos, Valor,Rio
A possibilidade de inclusão de energia hidráulica armazenada nos reservatórios no pacote de energia elétrica que está sendo exportada para a Argentina está causando enorme polêmica no setor elétrico brasileiro. No domingo foram enviados ao país vizinho 776 megawatts (MW) produzidos por dez termelétricas, mas o acordo entre os países prevê também o despacho de energia hidrelétrica para devolução após o inverno, uma espécie de troca simples. |
| As empresas geradoras reclamam que para elevar os reservatórios brasileiros aos níveis atuais a sociedade brasileira pagou R$ 1,3 bilhão entre janeiro e maio com o acionamento de termelétricas a custo elevado, inclusive movidas a óleo diesel, as mais caras. E temem que essa água faça falta ao Brasil. |
| O presidente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, disse ao Valor que isso não ocorrerá, já que a exportação de energia de hidrelétricas que não estejam vertendo água será limitada a 500 megawatts médios (MWm). E é essa energia que terá que ser devolvida. O restante, gerada por térmicas e hidrelétricas com excesso de água nos reservatórios, será paga de acordo com as regras do mercado e liquidadas pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). |
| Este é o quinto ano consecutivo que o Brasil vende energia elétrica à Argentina durante o inverno. Até o ano passado, só era permitido exportar energia de térmicas que estivessem desligadas ou de reservatórios hidrelétricos que estivessem vertendo água no período por estarem cheios demais. |
| Em 2008, o acordo firmado entre os dois governos, depois que a |
| A decisão do governo brasileiro, ainda em fase de regulamentação pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), foi tema de uma reunião da Associação Brasileira de Geradores de Energia Elétrica (Abrage) na sexta-feira. A ênfase de alguns geradores ouvidos pelo Valor foi de que o Brasil não deveria enviar energia hidráulica para a Argentina sem que ela fosse resultado de um acordo comercial, ou seja, uma operação de venda na qual os custos de oportunidade de ambos os lados fossem considerados. Há temor de que a crise na Argentina se agrave e ela não tenha condições de devolver a energia. |
| “A Abrage é favorável à exportação de energia de origem térmicas e de usinas que estejam desligadas. Nós, os brasileiros, pagamos caro por essas térmicas quando precisamos recuperar nossos reservatórios e não é justo enviar agora para a Argentina quando o preço está em menos de R$ 40”, diz Flávio Neiva, presidente da Abrage. |
| Silvio Areco, diretor da |
| Manuel Zaroni Torres, presidente da |
| Zaroni mostrou preocupação com o fato de o Brasil não ter condições de absorver a energia devolvida pela Argentina no período estabelecido, por se tratar de período no qual a região Sul está normalmente com excesso de capacidade em seus reservatórios. |