A Crise energética de 2015 – Valor

http://www.valor.com.br/opiniao/3922020/crise-energetica-de-2015

Comentário: O artigo acima é mais um que estima que o risco de racionamento é muito superior ao índice divulgado pelo governo. Como o ILUMINA, também se intriga com o ano de 2012 que, até agora, não tem explicações de nenhum órgão do governo. (*)

O autor identifica alguns problemas dos modelos computacionais para tentar explicar o ocorrido:

1 – diversas restrições operativas reais do sistema elétrico, tais como restrições de transmissão e segurança, restrições individuais de cada reservatório e cascata hídrica simplificadas no modelo computacional que planeja o uso da água;

2 – o modelo de previsão de afluências da região Nordeste superestima sistematicamente (há 20 anos) a quantidade de água que chega nesta região e o mesmo ocorre para a geração de energia proveniente das usinas de biomassa, pequenas hidrelétricas e eólicas.

3 – a regulação não emprega mecanismos eficientes de incentivo para que as empresas informem os dados técnicos mais precisos sobre suas usinas e, infelizmente, também não impõe que o ONS realize auditorias sistemáticas em muitos dos dados relevantes para garantir a aderência dos modelos à realidade e

4 – por fim, os sistemáticos atrasos no cronograma de expansão e a não consideração deles nos modelos fazem com que estes não economizem água, imaginando um futuro onde a data de entrada em operação das novas usinas e linhas de transmissão serão sempre cumpridas.

Apesar de concordarmos com a existência desses problemas, eles ainda não explicam os dados de 2012, que são muito estranhos;

  • No gráfico abaixo a linha azul se refere a sequencia de energias naturais de 2012 e parte de 2013. Estão mostradas no eixo vertical esquerdo em MWmédios.
  • Os percentuais de cada mês mostram a energia natural do mês em relação à média histórica. Observar que a maioria dos meses apontava para redução. % negativos.
  • As barras coloridas são as gerações térmicas em cada mês. (eixo direito em MWmédio).
  • Observar o período abril – agosto, onde, com hidrologias abaixo da média, reduziu-se a geração térmica.

 

Apesar de reconhecermos os problemas listados no artigo, as evidências dos números vão além desses defeitos.

Diante da ausência de explicações oficiais, só sobram duas hipóteses:

  1. Como o governo planejava o anúncio da redução tarifária através da MP 579, adiou-se o despacho das térmicas até setembro de 2012, quando foi lançada a medida. Se essa hipótese é verdadeira, ela significa interferência política na operação do sistema. Grave!
  2. A formação dos cmo’s está absolutamente errada o que provocou uma total ausência de reação aos dados negativos da hidrologia. Gravíssima, pois isso significa que as garantias físicas de todas usinas do sistema estão superavaliadas. Resumo: O sistema não é robusto e não garante o risco baixo anunciado.

 

 (*) Como já avisado, o ILUMINA, apesar de comentar o artigo em questão, não pode reproduzi-lo. Infelizmente somos confundidos com empresas de clipping, que continuam duplicando textos sem nenhuma análise.

 

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3 respostas

  1. Roberto,

    É praticamente impossível planejar e operar o sistema elétrico brasileiro de forma centralizada, usando modelos matemáticos que considerem de forma detalhada todas as restrições de usinas, de linhas de transmissão, de reservatórios e dos usos múltiplos da água, e levem em conta a diversidade hidrológica e a sazonalidade da retirada da água para outros usos.

    Considerando que as garantias físicas das usinas hidrelétricas foram determinadas usando uma dada versão do NEWAVE, e que este modelo possui várias versões/atualizações fica difícil reproduzir hoje as ditas garantias físicas mesmo que se utilize os dados usados anteriormente, e ainda como pode alguém garantir alguma coisa se esta coisa depende do humor de terceiros.

    Com respeito às hipóteses e lembrando que alguém disse que a festa do MWh barato tinha acabado, somos levados a crer que as duas são verdadeiras.

    Por isso o óbvio vai ficar cada vez mais rouco de tanto ulular.

  2. Roberto

    O mais grave é que o governo pretende realizar um novo leilão de energia, utilizando a mesma base de dados e os modelos computacionais que outorgaram as garantias físicas atuais que não correspondem à realidade.

    Vale dizer, a superestimativa das garantias físicas do sistema será incrementada, incentivando o uso precoce dos reservatórios hidrelétricos e, consequentemente, aumentando o risco de racionamento.

    É a postura do avestruz: incapaz de solucionar o problema das garantias físicas, o governo dedice enfiar a cabeça no buraco para não enxergá-lo.

    Só nos resta rezar para que São Pedro tenha piedade de nós.

    Amém

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