A Financeirização da Eletrobras

Os primeiros movimentos estratégicos da Eletrobras privatizada apontam claramente para a forte financeirização da empresa. A migração para o novo mercado da bolsa de valores; o lançamento de novo PDV; a saída das SPEs e a focalização na comercialização jogam a empresa no colo do mercado financeiro e a afastam defintivamente de seu papel histórico de garantidora da segurança energética elétrica do país. Esse é o tema desse Curto-Circuito 21. O programa é apresentado por Ronaldo Bicalho, pesquisador do Instituto de Economia da UFRJ.

  2 comentários para “A Financeirização da Eletrobras

  1. Nelson
    10 de dezembro de 2022 at 20:37

    Parabéns ao engenheiro Bicalho pela exposição, didática e inteligível ao extremo, do que significa a entrega da Eletrobras para o controle de grandes grupos privados para a vida de 200 milhões de brasileiros que não são acionistas e não são ricos e que, portanto, vão pagar a conta, salgadíssima, de mais esta privatização.

    Quem dera tivéssemos um conjunto significativo de professores compromissados com a nação e esse vídeo pudesse ser rodado em inúmeras salas de aula do Brasil, especialmente no segundo grau e nas universidades. Porém, o que vemos é uma maioria de professores cada vez mais alienados das questões reais que deveriam estar em discussão com os alunos.

    Quem dera a tão decantada capacidade administrativa superior do empresariado privado em relação ao setor público não passasse de propaganda e se materializasse no interesse desse setor por assuntos desse naipe. Falo aqui, não do interesse individual, mas do interesse coletivo, do interesse da comunidade, do interesse na nação.

    Eu fico me perguntando. Onde é que estão as entidades empresariais brasileiras, que se dizem patriotas até a medula, que não reagem à destruição das estruturas do nosso país que vem sendo imposta por vários governos, sejam municipais, estaduais e o federal?

    Não houve uma privatização sequer que tenha entregado aquilo que era prometido na espessa propaganda feita em seu favor.

    Todas as privatizações, sem exceção, implicaram em enormes aumentos dos custos para micro, pequenos e médios empresários e até para alguns grandes – enfim, para aqueles setores que não foram agraciados com pelo menos um naco das estatais privatizadas – e, mesmo assim, vemos um forte apoio do empresariado à entrega do patrimônio que pertence a todos às mãos de pouquíssimos grandes grupos econômicos, parte significativa a estrangeiros.

    Já são mais de 30 anos de privatizações. Um tempo por demais suficiente para que o empresariado tivesse feito um balanço aprofundado, esmiuçado, constatasse o que afirmei acima, e passasse a impedir que governos e parlamentos dessem continuidade à entrega do patrimônio e riquezas que são comuns.

  2. Nelson
    10 de dezembro de 2022 at 21:45

    Conforme informou o linguista e filósofo estadunidense, Noam Chomsky, já há mais de um ano, nos últimos 40 e tantos anos nada menos de 70.000.000.000.000,00 de dólares (*) equivalentes a riquezas pertencentes aos povos foram tirados do controle desses, via privatizações, e passaram a integrar o patrimônio de grandes ou megagrupos privados.

    Dito isto, vamos lembrar da avassaladora propaganda favorável às privatizações que era veiculada notadamente na década de 1990 e inícios dos anos 2000. Essa propaganda foi plenamente exitosa, pois deixou grande parte do povo brasileiro alienado e abobalhado de tal forma que que segue não dando bola para os imensos prejuízos que vem tendo com as privatizações. Por conta disso, os liberais-neoliberais-privatistas nem têm visto necessidade de investir tanto em propaganda e vêm, a seu talante, impondo a privatização de tudo.

    Pois a propaganda a favor das privatizações sempre prometeu que o povo brasileiro passaria a viver um quase-paraíso se entregasse tudo nas mãos da iniciativa privada. Teríamos emprego, saúde e educação públicas de qualidade, saneamento, moradia, tudo de bom, enfim

    Isto quer dizer que teríamos hoje, passados mais de 30 anos de privatizações, cada brasileira e cada brasileiro a desfrutar da vida digna a que tem direito. Mas, é exatamente o contrário que temos. É em grande parte por causa das privatizações que temos visto parcelas cada vez maiores do povo brasileiro serem alijadas do usufruto dos direitos mais básicos da cidadania.

    Então, isto só reforça o que afirmei no comentário anterior: “Não houve uma privatização sequer que tenha entregado aquilo que era prometido na espessa propaganda feita em seu favor”.

    E é por esse e outros motivos que cada vez firmo mais convicção de que a grande maioria do povo tem que ser contrária às privatizações e, mais que isso, deve empreender lutas sem tréguas para evitar que os governos privatistas tenham êxito na entrega daquilo que não lhes pertence.

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