A pergunta que não quer calar: Para onde foi o dinheiro??? Risco político e câmbio afetam valor das elétricas Leila Coimbra e Daniele Camba , De São Paulo (Valor 26/09) O dólar alto e o rece …


A pergunta que não quer calar: Para onde foi o dinheiro???



Risco político e câmbio afetam valor das elétricas

Leila Coimbra e Daniele Camba
, De São Paulo (Valor 26/09)


O dólar alto e o receio de uma possível intervenção estatal do futuro governo estão destruindo o valor de mercado das empresas de energia. Refletindo esse quadro, as ações que compõem o Índice de Energia Elétrica (IEE) caíram 31,02% no ano. Os papéis da Eletropaulo, que passa por dificuldades de rolagem de dívidas, perderam 63,2% do seu valor em 2002.


Sempre que há uma disparada do câmbio como a que ocorreu neste trimestre, as companhias de energia são diretamente afetadas, já que são altamente endividadas em moeda estrangeira e pagam em dólar pela energia que compram de Itaipu.


Desta vez, o componente adicional do risco vem das medidas que podem ser tomadas pelo futuro governo, no caso da vitória de um candidato de oposição. O programa de governo do PT, por exemplo, prevê a retomada das tarifas pelo custo do serviço, reduzindo as margens de lucro das distribuidoras.


Mas as concessionárias elétricas já reclamam de perda de rentabilidade. Segundo estudo da Associação Brasileira de Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee), as 16 maiores concessionárias do país não alcançaram a taxa de 15% de retorno anual sobre os ativos, conforme o contrato de concessão da primeira estatal privatizada, a Escelsa.


O coordenador do programa de governo do PT para a área de energia, Luiz Pinguelli Rosa, diz que os investidores privados estão esperando remuneração incompatível com a realidade. "Não há a intenção de privar as empresas dos lucros, que é a lógica empresarial. Mas não se pode forçar para obter margens acima do aceitável, para remeter dividendos para as controladoras lá fora", disse Rosa.


Ele negou que haverá, por parte do PT, uma intervenção da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e congelamento de tarifas. "Se aumentarem os custos das empresas, eles serão repassados para os consumidores, com limites." Mas Rosa admitiu que mudanças no modelo atual, como o adiamento da abertura do mercado, marcada para 1ºº de janeiro de 2003 e o fim do Mercado Atacadista de Energia (MAE), estão no programa.


Para Gustavo Gattass, analista do banco UBS Warburg, o risco político é o que mais afeta as ações do setor. "O cenário eleitoral é o senhor dos riscos hoje. Ter o PT ou o PSDB no poder faz uma diferença monstruosa para as elétricas", diz. O setor sofre mais do que outros com as incertezas eleitorais porque ainda é regulamentado pelo governo.


Para as distribuidoras de energia, a grande questão é o reajuste das tarifas em 2003, se o candidato petista for o novo presidente. O partido acredita que essas tarifas já subiram demais.





Comentário do ILUMINA:


Não é "o partido que acredita que as tarifas já subiram demais".


Basta fazer as contas. O gráfico ao lado mostra que uma conta de 200kWh mensais que em 1995 custava R$ 15, hoje custa R$ 42. Se o gasto de 1995 fosse corrigido pela inflação do período, a conta não deveria ultrapassar R$ 28. Há uma diferença de R$ 14 nessa conta a favor das distribuidoras. São R$ 70 para cada MWh. O consumo residencial no país, atualmente 80 TWh, apenas no ano passado, "colaborou" portanto com R$ 5,6 bilhões acima do nível verificado em 1995. A pergunta é:


Para onde foi esse dinheiro? Como tarifas corrigidas acima da inflação geram "baixas rentabilidades"??


Com a palavra os analistas de mercado.



"O governo tem respaldo legal para fazer o que quiser, até baixar as tarifas", afirma Gattass. Para as geradoras, na visão do analista, o mais preocupante é a intenção pública do PT de mudar o modelo atual. Gattass acredita que, no lado da geração, as mudanças são mais difíceis porque as regras atuais estão na lei. Segundo Marcos Severine, do BBA Credistantalt, o novo governo levará tempo para mudar a legislação do setor e precisará de apoio do Congresso para isso. "Não será tão rápido." Segundo Aline Cardoso, analista do Brascan, a Eletrobrás é a empresa que mais perde com um governo petista. "O PT pode usar a estatal para fomentar projetos de energia não tão rentáveis, o que significa redução de lucro da companhia", diz Aline.


AES Sul recorre para manter receita apurada no MAE

Marcelo Flach
, De Porto Alegre


A distribuidora de energia AES Sul, que opera no Rio Grande do Sul, vai recorrer da decisão da 14ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal que tornou sem efeito a liminar conquistada no início de setembro. A medida garantia o direito de contabilizar R$ 373 milhões referentes a receitas com negócios no Mercado Atacadista de Energia (MAE) em 2001.


A discussão judicial começou em maio quando o Despacho 288 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anulou retroativamente os ganhos da AES Sul e de outras empresa do Sul do país que haviam comprado energia de Itaipu e vendido para consumidores livres no Sudeste durante o período de racionamento. O despacho apresenta novas bases de cálculo para a contabilização das vendas para o MAE. Conforme a distribuidora, os negócios foram realizados com base nos regulamentos vigentes na época e concretizados antes do início do racionamento de energia.

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