A termelétrica e os obstáculos

Os entraves da termelétrica

AUTORIZAÇÃO Agência Nacional de Energia Elétrica não recebeu pedido oficial do Grupo Bertin para unificar 5 térmicas em uma só

Angela Fernanda Belfort, Jornal do Commercio, PE, com Agência Estado

O empreendimento da termelétrica do Grupo Bertin – um aporte de R$ 2 bilhões e potencial de lançar no ar anualmente 8 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) – tem outros entraves, além dos ambientais. Apesar de já ter anunciado o investimento em Suape, resultado da união de cinco projetos, a empresa ainda não formalizou junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) o pedido para concentrar a produção das térmicas movidas a óleo em um único empreendimento.

Em 2008, a empresa venceu o leilão da Aneel para implantar cinco térmicas em quatro Estados: Alagoas (2), Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará que têm como prazo contratual o ano de 2013. Essas cinco térmicas agora estão dando origem a Suape III, considerada a maior unidade a motor erguida no mundo, cuja capacidade é de gerar 1452 megawatts (MW) de energia. O investimento faz parte da empresa Star Energy, braço energético do Grupo Bertin.

Todo empreendimento do setor elétrico precisa da autorização da Aneel. A assessoria de imprensa da agência informou ontem que a Aneel até tem conhecimento do projeto da térmica Suape III, mas não recebeu até agora um pedido de formalização do novo formato.

Sobre isso, a assessoria de imprensa do Grupo Bertin argumentou que a autorização da Aneel deve estar saindo nos próximos dias. A empresa diz que, inicialmente, pediu uma autorização ao Operador Nacional do Sistema (ONS) e ao Ministério de Minas e Energia. Ainda segundo o grupo, o ONS deu um parecer favorável a implantação do empreendimento, o que significa que a energia a ser gerada poderá entrar no sistema a partir do Complexo de Suape. Questionado sobre o fato de ter anunciado no Palácio um empreendimento que ainda depende de permissão, o governo – que se pronunciou por meio do secretário de Imprensa, Evaldo Costa –, argumentou que acredita na aprovação. “O governo de Pernambuco tem convicção de que pleitos dessa natureza já foram apresentados à Aneel outras vezes e atendidos”, disse.

POLÊMICA

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Mauricio Tolmasquim, colocou mais polêmica nos investimentos do Grupo Bertin. Ontem, ele informou que o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) está avaliando se os projetos termoelétricos do grupo poderão entrar em operação. “O CMSE está analisando se os projetos entrarão em operação ou se as térmicas serão cassadas”, disse o executivo, que participou de um evento promovido pela Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), em São Paulo. De acordo com Tolmasquim, a análise envolve as seis térmicas da companhia que deveriam ter entrado em operação em janeiro deste ano. A cassação das concessões não tem relação com o empreendimento anunciado para Pernambuco, que tem como prazo contratual a entrada em operação prevista para janeiro de 2013.

A assessoria de imprensa do Grupo Bertin informou, por meio de nota, que mantém em dia todos os seus compromissos assumidos no setor de energia (seis usinas A-3 e 15 usinas A-5) com investimento total de R$ 6 bilhões, dos quais R$ 1 bilhão de capital próprio. Com relação às térmicas atrasadas, a empresa conseguiu 173 dias de prazo a mais para esses empreendimentos entrarem em operação. Parte (101 dias) foi concedida com recursos junto à Aneel e outra parte (72 dias) por meio de decisões judiciais.

A empresa também garantiu que, em cumprimento à legislação, efetuou as compras de lastro que garantem a recomposição de energia, caso o mercado precise. Significa dizer que ela comprou uma disponibilidade de energia, que poderá ser gerada por outras empresas para entrar no lugar da geração das térmicas atrasadas. Ainda de acordo com a nota, a nova previsão de entrada das usinas atrasadas é o primeiro semestre de 2012 e o andamento de suas obras são acompanhadas pela Aneel.

Governo analisa situação das térmicas da Bertin, diz Tolmasquim

Executivo não vê risco para abastecimento em atraso de projetos em decorrência de excedentes de 5 mil MWmed previsto para 2013

Alexandre Canazio. da Agência CanalEnergia, Operação e Manutenção

O atraso de seis usinas térmicas da Bertin, que deveriam ter entrado em operação no começo do ano, e de outras 15, previstas para 2013, não preocupa o governo, em decorrência dos excedentes por volta de 5 mil MW médios previstos para 2013 e 2014. A análise é do presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim. “O problema é do empreendedor e não sistêmico”, disse o executivo após participar de reunião na Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base nesta quinta-feira, 15 de setembro, em São Paulo.

Ele disse, no entanto, que o governo está analisando a situação e não está descartada a cassação das outorgas dos projetos. “As autoridades competentes vão aplicar as regras”, frisou o executivo, referindo-se à Agência Nacional de Energia Elétrica e o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico.

Esta semana, a Bertin informou uma reestruturação de cinco projetos, que estavam espalhados por quatro estados nordestinos. A empresa vai construir um único projeto a óleo combustível de 1.452 MW em Pernambuco a um custo de R$ 2 bilhões. As usinas são correspondentes ao leilão A-5 de 2008. Outros dois projetos do mesmo certame foram vendidos à MPX Energia por cerca de R$ 184 milhões. Os projetos comercializados no leilão A-3 de 2008, devem entrar em operação apenas em 2012.

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