Ambiente Político do país trava novo acordo para o setor elétrico – Valor

http://www.valor.com.br/empresas/4275096/ambiente-politico-do-pais-trava-novo-acordo-para-o-setor-eletrico

O Ilumina não faz clipping de notícias. A reportagem do Valor, por tratar de assunto de grande importância para o setor, pode ser lida (sem análise) no link abaixo.

http://www.duke-energy.com.br/Paginas/DetalheNoticia.aspx?itemListaID=1269

Comentário do Ilumina:

Na nossa opinião, além dos evidentes problemas políticos, temos um grave problema técnico com grandes impactos comerciais. A nosso ver, a solução da confusão política não resolverá o problema do critério de garantia do sistema que está se mostrando esgotado.

Em 2010, num seminário na COPPE/UFRJ com a presença do MME, do CEPEL, do ONS, da PSR, da CCEE e da EPE, o Ilumina chamou atenção para a mudança estrutural que já estava ocorrendo no sistema que exigia uma mudança de critérios.

Trata-se da inexorável e inevitável diminuição da capacidade relativa de regularização do sistema integrado. O gráfico abaixo mostra que esse efeito se estendeu até 2012 (coincidentemente até a edição da MP579). A curva preta é a reserva máxima/carga. A curva vermelha é a reserva máxima/carga*, onde a carga* é a carga total descontada toda geração não hidráulica. Seria a carga “vista” pelas hidráulicas. Como se pode perceber, as tendências lineares são absolutamente paralelas, o que mostra que nenhum critério foi alterado face à diminuição da reserva relativa.

Um interessante artigo que mostra o impacto desse problema em conjunto com os problemas das usinas a gás natural pode ser lido no link abaixo:

https://infopetro.wordpress.com/2015/10/19/a-integracao-truncada-das-termeletricas-a-gas-natural-no-setor-eletrico-brasileiro/

O texto faz uma intrigante pergunta ao se deparar com a descontinuidade observada na participação das térmicas no atendimento da carga, como mostrada no gráfico abaixo:

Seria essa mudança um novo paradigma?

O que isso tem a ver com um novo acordo do setor elétrico?

Tudo, pois se houve uma mudança de critérios ou “paradigmas”, o sistema está operando sob um Custo Marginal mais alto e, segundo o critério definido pelo próprio governo, há um desequilíbrio do custo de operação e do de expansão mostrando que os certificados de energia (Garantias Físicas) precisam ser todos rebaixados.

Isso é um problema político, ou de política energética. Será que os técnicos do setor não sabiam que isso iria ocorrer? O ILUMINA sempre soube e tentou avisar.

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2 respostas

  1. Não faz sentido estabelecer a remuneração das UHE ligadas às garantias físicas, que serão sempre números aproximados derivados de modelos (o próprio nome diz claro “modelo”, ou seja, por melhor que seja serão sempre uma visão simplificada da realidade); a única solução é tipo contrato por disponibilidade; o principio básico hoje ignorado é que no desenho institucional se deve alocar os riscos àqueles agentes com maior capacidade de lidar com eles (é o mais barato para o conjunto) e no caso as UHE não tem nenhuma gestão sobre os riscos hidrológicos cuja gestão vai depender da operação e do ritmo da expansão. É preciso parar, desenhar sistema novo, negociar com os agentes (afinal existem contratos em vigor..) e reformular mais uma vez a modelagem. Onde for possível se introduzir sinais de mercado, ótimo, e onde não for deixar isso claro. Os custos finais serão sempre dos consumidores. Com o crescimento da eólica e da solar, fundamentais se se deseja conter o efeito estufa a situação da gestão dos riscos e da individualização dos custos e benefícios em um sistema interdependente vai ficar ainda mais complexa. Mãos a obra!

    1. Ruderico;

      Fico feliz em ver que você apoia essa ideia que, diga-se de passagem, foi sugerida ao governo em 2003. Como o estilo é autoritário, ninguém soube. O problema da gestão de riscos é que essa atual visão mercantil joga ou para os consumidores ou para os próprios geradores, que são os menos aptos a geri-los. Tudo porque não se admite que, assim como há uma operação centralizada, haja uma gestão centralizada da contratação de MW para garantir MWh. Isso não precisa ser implantado de imediato e nem totalmente. Mas é crucial abandonar esse certificado que não certifica nada. É preciso parar!

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