Artigo: A concessionária explosiva

A concessionária explosiva

 

A Light é concessionária de um serviço público: distribuir energia elétrica para seus consumidores residentes na área mais desenvolvida do Estado do Rio de Janeiro, sua capital e redondezas. O contrato prevê que o serviço deve ser contínuo e de qualidade. Para realizar essa tarefa a Light cobra uma tarifa que é das maiores do mundo, conforme já demonstrado por especialistas.

Cabe ao Poder Público fiscalizar essa atividade e, caso as condições não sejam atendidas, aplicar as sanções previstas na legislação. Aos consumidores cabe exigir segurança e o ressarcimento dos prejuízos causados pelos acidentes.

A maior preocupação hoje para os moradores do Rio de Janeiro não é com a falta de energia elétrica – evento mais comum no verão – e sim com a grande quantidade de tampas de bueiros das câmaras subterrâneas da Light que têm “voado pelos ares” em explosões e incêndios perigosos nas ruas da cidade, onde circulam centenas de pessoas e veículos diariamente.

Qual a explicação para esses graves acidentes?

Especula-se que os equipamentos estão obsoletos; não têm manutenção adequada; a empresa mudou muitas vezes de donos nos últimos anos; é mal gerida; distribui seus lucros preferencialmente para os acionistas e não investe na expansão e qualidade dos serviços. Essas são apenas algumas das possibilidades que podem ocorrer separadamente ou em conjunto.

A Light se defende alegando que está sendo “vítima” de sabotagem. Mas o próprio presidente da empresa confessou que existiam 130 câmaras subterrâneas em risco na cidade, número que após a inspeção do CREA-RJ saltou para 1170. A empresa também alega que o subsolo da cidade do Rio é um caos, o que não deixa de ser verdade mas não justifica as ocorrências.

Alguns consumidores mais exaltados já se manifestaram pedindo a suspensão da concessão dada à Light.

Além do CREA-RJ, a ANEEL, a Prefeitura do Rio de Janeiro e até o Ministério Público, são algumas das instituições que já estão se posicionando e tomando providências cabíveis, legais e técnicas. A mineira CEMIG, controladora da Light, apesar de ser uma concessionária conhecida no setor por sua eficiência, está se omitindo em relação a esse problema. A própria Light declara estar empenhada na solução da questão.

O CREA-RJ numa inspeção em câmaras subterrâneas no centro do Rio constatou que algumas estão impregnadas de gás que poderá causar explosões pela simples presença de uma fagulha, coisa comum principalmente em chaves elétricas.

A situação é grave e exige providências imediatas. A cidade do Rio de Janeiro é hoje um centro internacional de grandes eventos, mas mesmo que não fosse, os cidadãos moradores da cidade merecem andar tranquilamente por suas ruas e calçadas.

Dando um crédito à eficiência das providências que estas instituições estão executando, achamos que se deve aguardar um tempo, necessariamente curto, para que resultem satisfatórias e a questão seja resolvida. Findo esse prazo, esperamos que as autoridades sejam firmes em assumir o controle da situação. Afinal o Estado é o principal responsável pelos Serviços Públicos.

 Luiz Pereira

Eng. Eletricista

Categoria