As marteladas na Eletrobras I – Registro

A Eletrobras tem uma pendência com a Reserva Global de Reversão (RGR), fundo setorial que foi incorporado pela CDE. Hoje, fragilizada, um dos problemas da empresa é essa dívida de aproximadamente R$ 2,5 bilhões com esse fundo.

Por que?

Em 1998, o governo FHC obrigou a Eletrobrás a usar o fundo para adquirir distribuidoras com dificuldades operacionais e financeiras, que levavam risco à oferta de energia aos consumidores. A RGR, por definicão, tinha outra destinação! Era o recurso para futuras indenizações por investimentos não amortizados. Mas, como separar o “osso” do “filé” no período de privatização da década de 90? 

Naquela época, foram compradas a Companhia Energética de Alagoas (CEAL), a Companhia Energética do Piauí (CEPISA), a Centrais Elétricas de Rondônia S.A. (CERON) e a Companhia de Eletricidade do Acre (Eletroacre). A ideia era que essas empresas fossem privatizadas depois de saneadas, mas isso não ocorreu.

Não é uma coincidência que sejam empresas que servem estados em pior situação econômica e que precisariam de investimentos na ampliação da rede. Claro que, o “mercado” rejeitou esse risco e, como sempre, o estado brasileiro assume o perigo e usa a Eletrobras para deixar apenas as empresas rentáveis para o setor privado.

Depois, já em outro governo, a discutível “governabilidade” fez a política regional exigir nomeações e, mais uma vez, nenhum saneamento ocorreu.

Esse é um bom exemplo de como a fragilização da Eletrobras tem raízes temporais longínquas.

Darcy Ribeiro dizia que A crise da educação no Brasil não é uma crise; é um projeto.

Podemos parafrasear: A crise da Eletrobras não é uma crise; é um projeto.

 

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3 respostas

  1. Caro Roberto
    O mercado não rejeita este risco. Ele precifica-o.
    Quem rejeita a privatizacão destas empresas são as quadrilhas de governadores e deputados fisiológicos que as fazem curral de nomeacão de apaniguados e os interesses corporativistas, A antiga CEMAR é um bom exemplo que gerindo bem mesmo as áreas mais depauperadas encontram um equilibrio economico-financeiro, alem do efeito difuso moralizador que ela provocou sobre os até entãp eternos inadimplentes do poder publico.
    Abraço
    Jluiz

    1. Alqueres;

      É verdade! O texto não tem a intenção de demonizar privatizações quaiquer que sejam. Quer apenas mostrar que, uma vez precificado, caiu sobre a Eletrobras a façanha de fazer com que o preço fosse viabilizado. A partir desse momento, não houve sequer a possibilidade de estabelecer políticas internas da empresa para tentar resolver. O acionista majoritário imediatamente incorporou as decisões, que deveriam ser empresariais, ao conjunto político da “governabilidade”. Apenas considero que a tendência da sociedade brasileira é não procurar a origem do problema. Atua-se sobre os sintomas.

  2. Recomendo a leitura do livro de Tony Judt: Reflexões sobre um Século Esquecido.

    Ele ajuda a compreender o que estamos assistindo não só no Brasil.

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