Assessor de Campos mira política de energia – Brasil Econômico

Comentário: Concordamos com as críticas do Assessor do candidato Eduardo Campos sobre o planejamento. Entretanto, apesar da contundência, como sempre, a origem do problema ficou de fora nessa apreciação.

Na realidade, abandonamos a visão de planejamento baseada em características físicas do nosso sistema para adotarmos uma adaptação que nos faz “palatável” ao “mercado”. Um modelo que implanta a concorrência virtual de energia como se fossemos um sistema de base térmica já está mostrando que não funciona. Por trás está a modelagem de certificados de “garantia física” ao invés da competição real, já que se ela fosse adotada no sistema brasileiro o desastre seria de grandes proporções. Todos com experiência no setor sabem disso, mas as críticas nunca vão a esse ponto.

Outra discordância é a declaração de que ”a sociedade já decidiu que não quer usinas com reservatórios”.  O que a sociedade decidiu é que, enquanto se considerar uma hidroelétrica apenas como uma fábrica de kWh e não como parte de um planejamento regional, é melhor resistir.

Os problemas que estamos passando não serão resolvidos com novos reservatórios simplesmente porque não é possível recuperar a relação reserva/carga que tínhamos no passado. Nem há potenciais com essa capacidade! Se aumentássemos nossos reservatórios com toda a reserva do S. Francisco da noite para o dia, só conseguiríamos aumentar essa relação de 5 para 6 meses de consumo, um índice ainda desconfortável. Sugerimos a leitura do item 3 do artigo http://ilumina.org.br/da-superficie-para-as-entranhas-um-modelo-com-defeitos-geneticos/

 


 

Fonte: Brasil Econômico

O secretário de Infraestrutura de Pernambuco, João Bosco de Almeida, criticou ontem a atuação das instâncias governamentais que deveriam realizar o planejamento energético do país. Para Almeida — que também é assessor para a área de energia do pré-candidato à Presidência Eduardo Campos (PSB) — disse que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) “não funciona” e que a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) deveria ter sua atuação ampliada para além do setor elétrico.

Almeida fez as declarações durante o lançamento do documento“ Visões do Gás Natural”, da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e Consumidores Livres (Abrace), com propostas do setor aos candidatos para presidente. Os representantes do PT e do PSDB, contudo, não compareceram.

“O planejamento energético brasileiro não existe. Temos a empresa de pesquisa para atender ao setor elétrico e temos também o CNPE, que não funciona. Estamos sem planejamento energético para o país e o planejamento elétrico está na cabeça de duas ou três pessoas no governo. Essa discussão tem que ser participativa”, afirmou Almeida.

Segundo ele, questões como a matriz energética precisam ser discutidas por toda a sociedade no âmbito do CNPE, mas, na sua avaliação, o conselho “não existe”, é um “faz de conta”. “Essas coisas têm que ser discutidas na política e não no computador do Tolmasquim  (Maurício Tolmasquim, presidente da EPE)”, alfinetou. Para o representante de Eduardo Campos, a EPE deveria ter o seu papel ampliado para além das questões do setor elétrico. “Poderíamos ter na EPE equipes especializadas em gás e petróleo também”, propôs.

Almeida disse que o país não pode ficar preso às hidrelétricas, uma vez que a sociedade já decidiu que não quer usinas com reservatórios e que será preciso discutir qual será o papel da energia nuclear no futuro. “Tem a questão nuclear, que é delicada, mas não vamos conseguir fugir desse debate”, afirmou. Ele disse que o gás natural também ganhará um papel cada vez mais importante. “A área do gás terá papel fundamental, à medida em que as reservas de grandes reservatórios (de hidrelétricas) não estão podendo responder ao que o país precisa e o clima tem surpreendido com muito mais força do que planejamos”, completou.

Outro participante do debate, o consultor da NatGas Márcio Baltazar, previu que a Petrobras vai se manter por muitos anos na liderança do gás natural. “Mas o Brasil tem que se abrir ao ingresso de novos produtores”, defendeu. Segundo ele, dessa forma, a Petrobras poderá investir no que realmente precisa. Ele espera que a renegociação do contrato com a Bolívia obedeça a critérios de “transparência e realidade de preços”.

Balthazar mencionou o acordo entre Rússia e China no gás natural. “Em 2000, a China consumia 25 bilhões de metros cúbicos de gás natural, no ano que vem consumirá 230 bilhões e, em 2020, 420 bilhões. Isso se chama fazer planejamento energético. Enquanto isso, aqui os produtores têm que vender à Petrobras”.

O professor do Grupo de Economia da Energia da UFRJ Edmar de Almeida disse que “o modelo brasileiro funcionou bastante tempo com somente a Petrobras produzindo e importando gás” e agora essa realidade mudou. “Hoje temos um problema sério, a dependência externa no gás. Ao mesmo tempo, a economia brasileira está cada vez mais viciada em gás. Mas os produtores independentes que olham para o gás como negócio não querem vender para a Petrobras.

Eles querem agregar valor.” Para Edmar Almeida, já existe uma disputa forte pelo gás, pois são muitos interessados para a Petrobras coordenar. “Antes, apolítica energética era fornecer apenas para a indústria, agora é para as termelétricas”, disse ele, que defende um planejamento maior para o setor a cargo do Ministério de Minas e Energia.

 

 

 

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Uma resposta

  1. Prezado Senhor,

    Que o planejamento energético foi extinto no Brasil a partir do governo de FHC isto não é novo, a grande novidade é a afirmação sem nenhum fundamento técnico e sem nenhuma consulta a sociedade, de que “o país não pode ficar preso às hidrelétricas, uma vez que a sociedade já decidiu que não quer usinas com reservatórios”.
    O Brasil é um país que ainda possui um extraordinário potencial hidrelétrico a ser explorado e a frase acima me parece um equivoco sem precedente partindo de uma pessoa da área.
    Quanto a incorporação de usinas ao sistema, deve ser observada a sequência daquela que possui maior relação beneficio/custo para a de menor beneficio/custo, sem a utilização de índices que mascarem a verdadeira relação beneficio/custo, não importando se ela é hidrelétrica com ou sem reservatório, térmica qualquer que seja o combustível, solar ou eólica.
    O importante é que as usinas incorporadas no horizonte do planejamento sejam as de maiores relação beneficio/custo e cumpram o seu papel quando estiverem no horizonte da operação, ou seja ajudem a manter o risco de déficit do critério de 5%.

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