Análise do ILUMINA: Não precisa ser um grande especialista. Para entender o que realmente está acontecendo no setor e ler a reportagem do Valor sob outro ponto de vista, basta dar uma olhada nos gráficos.
As linhas azuis são Energias Naturais (ENA, afuências transformadas em MW médio) desde janeiro de 2017 dos 4 subsistemas. As vermelhas são as médias do histórico.

Onde o nosso leitor acha que está o problema?
Bingo! Acertou quem aponta a região NORDESTE, onde está o rio S. Francisco. As afluências estão 72% ABAIXO DA MÉDIA! Vamos repetir: 72% abaixo da média! Os dados das outras regiões não são nenhuma desgraça. Só que, quem ler a reportagem vai ver que, mais uma vez querem culpar São Pedro quando o problema está na incompetência da gestão do setor.
Surpresa? Absolutamente! Os dados do S. Francisco mostram afluências decrescentes desde a década de 90!
Alguém ouviu falar de alguma medida para identificar o que está acontecendo com o rio? Nada!
Pior! Mesmo com um rio que representa 18% da capacidade de reserva do sistema interligado e que mostra mudanças significativas, estamos mantendo o mesmo “certificado” de garantia física (base do modelo vigente) como se nada tivesse acontecido.
E mais! Dada as transferências de grandes blocos de energia entre regiões, uma redução de garantia não afetaria apenas as usinas do S. Francisco. Todas as usinas seriam afetadas! Inclusive térmicas.
E, para fechar com chave de ouro, a proposta de reforma do setor através da Consulta Pública nº 33 de 05/07/2017, que ameaça mudanças atabalhoadas por medida provisória, propõe que essa GF seja adotada como “lastro”. Sem rever o conceito!
Realmente, o Brasil não quer ir a fundo nas questões! É fácil resolver! Basta ligar a bandeira vermelha que todos pensam ser baratinha por estar em R$/100 kWh, mas, na realidade, representa um aumento de mais de 10% na parcela de energia.
Por Rodrigo Polito e Camila Maia | Do Rio e São Paulo
A bandeira tarifária, mecanismo que cobra valor adicional nas contas de luz para sinalizar ao consumidor a necessidade de acionamento de usinas mais caras, pode voltar ao primeiro patamar da cor vermelha em agosto, após dois meses. Esse patamar gera um acréscimo na tarifa de R$ 3,00 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos.
A possibilidade de acionamento do primeiro patamar da bandeira vermelha se deve à ausência de chuvas no mês de julho, fato que influencia as previsões para a primeira semana de agosto, período de referência para a definição da bandeira tarifária. Especialistas e empresas consultados pelo Valor consideram a possibilidade de o preço de liquidação de diferenças (PLD) – preço de energia no mercado de curto prazo – para a primeira semana de agosto, superar o valor de R$ 422 por megawatt-hora (MWh), que configura o primeiro patamar da bandeira vermelha. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciará na sexta-feira a cor da bandeira de agosto.
O grupo Compass, especializado em comercialização de energia, prevê que o PLD para a primeira semana de agosto fique entre R$ 400/MWh e R$ 440/MWh. “A chance de que haja bandeira vermelha cresceu bastante nas últimas semanas”, afirmou Gustavo Arfux, sócio-diretor da Compass.
A comercializadora Ecom Energia trabalha com uma estimativa de PLD de R$ 450/MWh na primeira semana de agosto. “Há uma estiagem muito longa. Depois daquela chuva do fim de maio e início de junho, não foram observadas chuvas significativas no Sul e Sudeste. As vazões estão em recessão. Isso contamina a previsão de água e de geração hidrelétrica, o que demanda maior geração termelétrica [mais cara]”, afirmou o diretor de Inteligência e Risco da Ecom Energia, Carlos Caminada.
O presidente da consultoria Thymos Energia, João Carlos Mello, também espera bandeira vermelha em agosto. Para ele, o valor do PLD deve chegar a R$ 450/ MWh na próxima semana.
A bandeira vermelha foi acionada em abril e maio, mas o grande volume de chuvas registrado no fim de maio acabou ocasionando o acionamento da bandeira verde em junho. Porém, os níveis dos reservatórios não se recuperaram, e os preços vem subindo gradativamente deste então. O PLD desta semana fixado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) para esta semana é de R$ 269,76/MWh em todo o país.
Para o superintendente de gestão do grupo Delta Energia, Reinaldo Ribas, a bandeira tarifária não deveria ter saído da cor vermelha. “O cenário hídrico está muito ruim. Em junho, o modelo fez com que o preço caísse bastante por conta do grande volume de chuvas no Sul no fim de maio, mas o cenário João Carlos Mello, presidente da Thymos Energia: o valor do PLD deve chegar a R$ 450/ MWh na próxima semana Brasil conta do grande volume de chuvas no Sul no fim de maio, mas o cenário continua ruim. Os reservatórios no Sudeste estão em torno de 40% [de armazenamento], o normal seria algo em torno de 60% a 65%. Além disso, junho ficou muito abaixo da média no Sul e Sudeste.”
Um dos motivos que explica essa volatilidade dos preços é o fato de o modelo utilizado estar “muito sensível”, disse presidente da Comerc, Cristopher Vlavianos. “Uma pequena mudança na ENA [Energia Natural Afluente, ou o volume de energia que pode ser produzido de acordo com o regime de chuvas] acarreta uma grande mudança de preços”, explicou. A comercializadora projeta um PLD de R$ 438/MWh em todos os submercados, com exceção do Sul, onde deve ficar em R$ 427/MWh – também acionando a bandeira.
Cecília Lupatini, analista de mercado da Safira Energia, concorda que já era esperado que o comportamento das chuvas no fim de maio e início de junho não fosse um padrão. Ela corrobora as previsões de bandeira vermelha, no primeiro patamar, para agosto. “Como passamos para um mês de estiagem, devemos ter esse impacto em relação aos preços de agosto”, explicou.
Para setembro, a Compass enxerga a bandeira amarela como a mais provável. Naquele mês está prevista a revisão da estimativa de carga (consumo mais perdas) para o país nos próximos anos, com tendência de redução da carga prevista, o que poderá aliviar, em parte o custo marginal de operação (CMO) principal indicador utilizado para o cálculo do PLD.
A expectativa inicial, de acordo com previsões do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) era de bandeira amarela durante todo o período seco atual (de abril a novembro), com acréscimo de R$ 2 a cada 100 kWh consumidos. Em maio, porém, a situação se agravou e a bandeira foi vermelha, no primeiro patamar. No mês seguinte ocorreu o contrário e um aumento de chuvas provocou a bandeira verde em junho, retomando ao patamar amarelo em julho.
Segundo o diretor-geral do ONS, Luiz Eduardo Barata, a expectativa é que os reservatórios do subsistema Sudeste/Centro-Oeste, o principal do país cheguem ao fim do período seco com algo entre 20% e 25% de armazenamento.
Uma resposta
Et la nave va…..
Schetinno, olha os arrecifes sociais!!!!!