Brail e Venezuela querem Bolívia no gasoduto

Lula, Chávez e Kirchner dizem que Bolívia é essencial no projeto do Gasoduto do Sul



Brasil, Venezuela e Argentina consideram que a adesão da Bolívia ao projeto da construção do Gasoduto do Sul é prioritária. Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, da Venezuela, Hugo Chávez, e da Argentina, Néstor Kirchner, decidiram ontem, durante reunião em São Paulo, convidar as demais nações da América do Sul para participar do projeto, em especial o país presidido por Evo Morales.


A incorporação da Bolívia deve ser prioritária, porque é a segunda reserva de gás do continente“, afirmou Chávez em coletiva de imprensa após o encontro.

As reservas de gás da Bolívia só perdem para as da Venezuela. Lula e Kirchner não falaram com os jornalistas. O Brasil está enfrentando problemas com a Bolívia, pois Morales ameaça nacionalizar as reservas de gás, o que pode prejudicar os interesses da Petrobras no país.

Segundo o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, está sendo planejada uma reunião no Brasil, em setembro, com todos os ministros de Energia dos países da América do Sul. Lula, Kirchner e Chávez devem enviar em breve um convite formal para que os demais países do continente ingressem no projeto.

Todos devem ser envolvidos, porque são consumidores, produtores, ou países de passagem do gás“, disse Amorim.

O ministro brasileiro informou que os estudos técnicos sobre a construção do gasoduto que pretende cruzar a América do Sul devem ficar prontos em agosto. Amorim admitiu que houve um pequeno atraso, já que a previsão inicial era concluir esses trabalhos em julho. “Os cronogramas foram ajustados, porque houve, em algum momento, algum tipo de indecisão que atrasou um pouco”, disse.

Chávez garantiu que as reservas de gás da Venezuela são suficientes para alimentar o projeto. Segundo ele, o país possui reservas comprovadas de 150 trilhões de metros cúbicos, o equivalente a 2,5% de todas as reservas de gás do mundo, 50% do continente americano e 80% da América do Sul.

O presidente venezuelano também afirmou que “é muito cedo” para discutir quais serão os preços cobrados pela Venezuela, mas ressaltou que “será muito barato”. Ele lembrou que a gasolina é muito barata na Venezuela e disse que seu país não quer apenas aumentar seus ingressos com esse projeto, mas também fomentar a integração da América do Sul. “Se não fazemos (o gasoduto), em poucos anos, teremos uma grave crise energética no Cone Sul”, reformou.

Chávez explicou que os primeiros recursos para o projeto vieram dos governos envolvidos, mas reconheceu que será necessário investimento privado, inclusive de investidores internacionais. “Para esse projeto, vão sobrar recursos”, afirmou.

R.Landim, Valor

PRESIDENTES SUL-AMERICANOS VÃO NEGOCIAR SUPERGASODUTO

Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio da Silva, da Argentina, Nestor Kirchner, e da Venezuela, Hugo Chávez, se encontrampara tratar do projeto do gasoduto que trará gás natural das reservas venezuelanas até o sul do continente. Segundo algumas fontes, o principal projeto da aliança estratégica entre os três países está emperrado devido à indefinição quanto aos preços a serem cobrados pelo gás e pela falta de informações técnicas para a elaboração do estudo de viabilidade econômica, cuja conclusão está prevista para julho.

O projeto é orçado entre US$ 20 bilhões a US$ 25 bilhões, um valor elevado que só seria sustentável se existissem fábricas usuárias de gás ao longo de todo o trajeto, o que ainda não ocorre.

Os impactos ambientais de um gasoduto cortando a floresta amazônica também não são obstáculo facilmente superável. Enquanto isso, a Petrobrás anunciou que finalizou estudos que confirmaram as reservas descobertas na Bacia de Santos da ordem de 419 bilhões de metros cúbicos.

Segundo o gerente geral de Gás e Energia da estatal, Sidney Granja Affonso, estudos anteriores apontavam para reservas menores, de 260 bilhões de metros cúbicos. O campo gigante vem sendo cobiçado pela Repsol e a Shell, que querem fazer “parceria” com a Petrobrás.

Para o diretor de Comunicações, da AEPET, Fernando Siqueira, “parceria se faz com sócios que agreguem valor”. “Nós temos tecnologia e qualquer banco não desprezará um ativo dessa natureza, como grandes reservas de gás e produção interna”, advertiu. (AEPET)

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