CMSE eleva risco de déficit de energia no Sudeste em 2015 – Estado de SP

Comentário: O ILUMINA, sem discordar dos comentários feitos sobre a situação de risco de déficit, mostra características preocupantes, mas não tão óbvias como a dependência das chuvas.

O primeiro gráfico é a nossa reserva, medida pelo número de meses de consumo armazenado desde o ano 2000, passando pelo racionamento de 2001. Notem a semelhança das duas pontas do arco em vermelho. O importante a ser observado é que nada no setor elétrico brasileiro acontece de repente. A tendência de declínio já podia ser percebida desde 2008.

O segundo gráfico mostra o detalhamento da curva dentro do círculo, que vai de 2010 até 2014 (setembro).

Nessa segunda figura fica evidente que a mesma situação que preocupa em 2014, ocorreu em 2012, quando esse indicador de reserva atingiu 1,4 meses. Mostra também que o ano de 2012, num ano seco (-13% da média), a reserva despencou em poucos meses, justamente o período seco daquele ano (trecho em vermelho). Apenas em outubro de 2012 as térmicas foram ligadas para preservar o armazenamento.

Além do estímulo ao consumo induzido pela redução tarifária, esse gráfico mostra, mais uma vez, a total relação entre a intervenção do governo e a situação energética atual. Não são eventos desconexos.

É preciso lembrar que 2013 foi um ano médio. Provavelmente, se 2014 ficar abaixo da média a frágil recuperação do período janeiro – julho de 2013 pode não se repetir.  

Os 5% de risco de déficit “garantido” pelo CSME depende das suposições de 95% das afluências futuras melhores do que as mais baixas. Se esse cenário contiver um otimismo infundado, o risco pode ser bem maior.     


LEONARDO GOY – REUTERS

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) elevou para 5 por cento o risco de déficit de energia em 2015 no Sudeste e Centro-Oeste do país, atingindo assim o risco máximo tolerável no sistema. No mês passado, o CMSE estimava esse risco em 4,7 por cento.

Para 2014, o CMSE manteve a perspectiva de que o risco de déficit é zero.

Segundo o coordenador do Grupo de Estudos do Setor de Energia Elétrica (Gesel) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Nivalde de Castro, o aumento do risco significa que, para novembro, a expectativa é de que as chuvas que deveriam abastecer represas de hidrelétricas vão ficar abaixo da média histórica.

“Se a previsão de chuva estivesse acima (da média histórica), o risco se reduziria”, disse.

Castro disse que, na prática, o setor continua dependendo das chuvas. Se elas não vierem, o risco vai aumentando.

“A coisa mais imprevisível do setor elétrico é a chuva. Tem modelagens computacionais que tentam simular isso, mas pode chover em um dia toda a chuva do mês e em um mês não chover a água de um dia”, disse.

Para a região Nordeste do país, o risco de faltar energia em 2015 teve uma ligeira queda, para 0,7 por cento, ante 0,8 por cento na reunião de outubro do CMSE.

O cálculo desse risco de faltar energia é feito levando em conta a geração disponível e uma série histórica de chuvas nas bacias das hidrelétricas.

Na nota, o CMSE afirma que, em outubro, choveu acima do normal na metade sul da região Sul do país, e abaixo do normal nas demais regiões. No Sudeste/Centro-Oeste, por exemplo, as afluências em outubro ficaram em 64 por cento da média histórica.

Categoria

2 respostas

  1. Prezados Senhores,

    Com respeito ao artigo chamamos a atenção para os pontos indicados a seguir:

    1. A elevação do risco de déficit de energia de 4,7 para 5 por cento no Sudeste e Centro-Oeste e a redução do referido risco de 0,8 para 0,7 no Nordeste. Tal discrepância dos riscos das regiões Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste acarreta diferença significativa entre os custos marginais da operação (CMO) entre as referidas regiões, e no nosso entendimento pode ser devido a limitação do sistema de transmissão ou ao modelo matemático (NEWAVE) utilizado;
    2. Quanto ao cálculo do risco de déficit de energia lembramos que ele considera a geração de 2000 séries hidrológicas a partir do histórico de vazões;
    3. Não há o que se falar de risco de déficit em 2014 e sim se terá ou não déficit nos meses restantes, pois neste período é utilizado previsão de afluências e não geração de séries hidrológicas.

    Com respeito ao comentário concordamos que existe uma relação direta entre a intervenção do governo e a situação energética atual quanto ao instante de ligar as térmicas, e chamamos a atenção para o simples fato de que caso fosse observado o valor da vazão regularizada de cada reservatório os níveis dos mesmos seriam bem maiores, desde que as obras incorporadas cinco anos antes no plano de expansão estivessem disponíveis, as térmicas adicionadas no horizonte da expansão estivessem liberadas para gerar, e a carga fosse compatível com a previsão feita cinco anos antes.

    A título de informação lembramos que a vazão regularizada do reservatório da UHE Sobradinho é de cerca 2000 m³/seg, isto significa que se o mesmo estivesse cheio ele poderia manter esta vazão durante cinco anos, que é período correspondente ao período crítico de 1951-1956, valor este cerca de 850 m³/seg maior do que os cerca de 1150 m³/seg liberados atualmente. Este acréscimo de vazão daria cerca de 1700 MW-médios ao longo da cascata a partir da UHE Sobradinho se consideramos uma produtividade acumulada de cerca de 2,0 MW/m³/seg, esta geração poderia ser utilizada para evitar o acionamento das usinas térmicas mais caras.

    Resumindo caso as térmicas estivessem operando de maneira correta segundo a ordem de mérito de maneira a manter a vazão regularizada dos respectivos reservatórios a necessidade de operar as térmicas mais caras seria bem menor.

  2. Roberto, tomo a liberdade de acrescentar às suas observações sobre a primeira figura o fato de que em 2000/2001 estávamos num período de franco crescimento das afluências médias, pois é isto o que mostra o arco em vermelho. Agora, ao contrário, estamos com uma tendência significativamente descendente, o que deve aumentar as preocupações. Esperemos que esta tendência se inverta e este novo período hidrológico que está começando seja mais favorável.

Deixe um comentário para José Antonio Feijó de Melo Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *