Com corte de 58% das verbas, estatal de pesquisa energética pede doações – Valor

Análise do ILUMINA: Um estado quebrado e, apesar disso, mal gerido, provoca coisas incríveis.

Nessa semana, descobrimos não haver recursos para passaportes! Agora, o planejamento elétrico não consegue planejar, pois também não tem dinheiro.

Não há como deixar de comparar. O planejamento do setor não começou com a EPE. Na realidade, essa foi uma das funções extirpadas da Eletrobras! Essa é uma das razões da lamentável fala do seu atual presidente dizendo que tinha 40% de gerentes vagabundos sem deixar explicitas essas escolhas!

http://ilumina.org.br/as-entrelinhas-da-gravacao-do-dr-wilson-ferreira/

O caro e ainda carente planejamento da EPE não tem comparação com o realizado pela Eletrobras. A grande diferença é que o planejamento era realizado através da coordenação de comitês colegiados. As empresas participavam do processo, coisa que não ocorre hoje, apesar da obviedade de sua necessidade.

Era perfeito? Claro que não, mas seu custo estava incluído na tarifa, que era quase a metade da atual em valores reais. Desde a data de criação da hoje fragilizada Eletrobras até a perda de suas funções em 1998, a capacidade instalada cresceu de 5.729 MW para 65.209 MW.


 

Claudia Schuffner

Responsável pelo planejamento do setor energético brasileiro, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), atribui ao corte de 58% do orçamento a decisão de fazer um pedido de doações na página da EPE na internet. A empresa pede equipamentos como computadores, notebooks, licenciamento de softwares e até a contratação de empresa especializada para desenvolver o Portal de Eficiência Energética. O pedido foi postado no fim da tarde de segunda-feira.

A estratégia foi colocada em prática depois que a empresa foi alvo de um contingenciamento que reduziu de R$ 34 milhões para R$ 14,3 milhões o orçamento para despesas discricionárias, que não incluem o pagamento de pessoal.

O valor final teve ajuda do Ministério do Planejamento que atendeu a um pedido e adicionou R$ 5 milhões aos R$ 9,6 milhões obtidos inicialmente. O corte foi de R$ 19,3 milhões.

Quem explica é o economista Carlos Henrique Carvalho, chefe de gabinete do presidente da EPE, Luis Barroso, que está fora do país. “Com os R$ 14,3 milhões a EPE mantém o funcionamento, paga contas de aluguel, luz e etc. Mas a gente perde a nossa capacidade de repor equipamentos, de fazer cursos de treinamento, entre outros. E como somos uma empresa de capital humano, se a gente perde isso, perde expertise”, disse.

A empresa não foi econômica. A lista divulgada tem 29 itens que incluem equipamentos (frisando que devem ser novos), bens e serviços que a EPE gostaria de receber como doação. Foram incluídos 208 desktops com configuração avançada e monitores de 23 polegadas com recursos de videoconferência.

Também são pedidos 100 monitores, 26 notebooks e o licenciamento de software Microsoft para um período de três anos cujo valor foi estimado pela própria empresa em R$ 3,3 milhões. As doações estão a cargo do diretor de gestão corporativa, Álvaro Pereira.

O doador alvo, afirma Carvalho, são “empresas que percebam que o planejamento do setor é importante para o país”. Carvalho admite a possibilidade de conflito de interesses já que existe a possibilidade de empresas afetadas por decisões da EPE – responsável por exemplo pelo planejamento dos leilões de energia – ou que participam de processos licitatórios, doarem com a expectativa de benefícios. Caso surjam empresas com essa característica, a EPE só vai receber a doação depois de uma análise jurídica, inclusive dos órgãos de controle, explicou Carvalho.

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3 respostas

  1. Ridículo. É a única coisa que se pode dizer a respeito.
    Caberia lembrar aos Senhores Diretores da EPE um ditado popular aqui do Nordeste: “Quem não pode com o pote não pega na rodia”. Seria mais digno.

  2. Caros companheiros e amigos: Ontem compareci ao TRT para participar na condição de diretor do Senge/Rj de uma audiência de conciliação entre a EPE e os Sindicatos que negociam o ACT na empresa. Os representantes da EPE alegam que não podem oferecer nada a seus empregados. Reajuste de zero porcento, bem como de todos os benefícios. É a imagem do setor elétrico vista pelo lado do planejamento. Na Eletrobrás tivemos um discurso arrogante a la Collor de seu atual presidente. O discurso é de demitir todo mundo de fazer economia, mas acabaram de aumentar os salários dos diretores da Eletrobrás para 129 mil reais. Um salário bastante razoável em tempo de crise. É o triste retrato de nosso setor. Com o atual plano de demissão em curso talvez os últimos remanescentes de uma já fraca memória técnica fique somente uma vaga lembrança.

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