Análise do ILUMINA:
A notícia abaixo é a ponta do Iceberg dos problemas que o Brasil conseguiu implantar em seu setor elétrico e que, certamente, irá parar nos tribunais.
- Na figura abaixo, a curva verde é a carga do sistema interligado.
- A curva vermelha dupla é a média móvel de 12 meses, onde se pode ver que a carga parou de crescer desde agosto de 2014 e, na realidade, apresentou um ligeiro decréscimo.
- A linha reta vermelha é uma visão do crescimento médio da carga e, principalmente, é a representação das expectativas que justificaram os investimentos, entre os quais, a usina de Jirau da reportagem.
- A área azul é a energia que deixou de ser consumida com a mudança causada pela recessão e também pelo aumento tarifário adotado com as bandeiras tarifárias. Ao contrário do marketing, as bandeiras representam aumentos de mais de 20% sobre o preço do kWh.
- Em valores aproximados, a frustração de consumo nos últimos 24 meses foi de 48 TWh (48.000.000.000 kWh).
- Assumindo um preço médio de R$ 280/MWh, isso significou o sumiço de aproximadamente R$ 14 bilhões no faturamento esperado do setor.

- Como o Brasil trata o seu mercado livre como um mercado spot, (cujos contratos médios giram no entorno de 2 a 4 anos) toda a responsabilidade de garantias de receita de longo prazo está nos contratos das distribuidoras.
- Portanto, dadas as decisões tomadas nos últimos 20 anos, colhe-se o que se plantou.
É evidente que o modelo precisa ser profundamente alterado, mas, estamos no Brasil e os advogados agradecem.
Jirau diz que calote pode inviabilizar operações
Hidrelétrica alega que inadimplência das distribuidoras de energia põe em risco a continuidade das obras
André Borges,
O Estado de S.Paulo
08 Setembro 2016 | 05h00
BRASÍLIA – A usina de Jirau, quarta maior hidrelétrica do Brasil, corre o risco de paralisar suas operações ou até mesmo suspender a continuidade de suas obras por conta de um calote que levou das distribuidoras de energia. O problema de Jirau foi detalhado pela concessionária Energia Sustentável do Brasil (ESBR), em carta enviada na semana passada à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
No documento entregue ao diretor-geral da Aneel, Romeu Rufino, o diretor-presidente da ESBR, Victor Paranhos, detalha a incapacidade da empresa em honrar seus compromissos financeiros e diz que “a situação atual chegou ao limite”, por causa do calote dado pelas distribuidoras, uma dívida que, até agosto, chegava a R$ 35 milhões.
Somado aos repasses mensais que a ESBR tem obrigação de fazer à Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), órgão que faz a liquidação financeira do setor, o rombo da concessionária ultrapassa R$ 168 milhões, dívida que cresce mensalmente.
A ESBR afirma que há meses tenta sensibilizar a agência sobre a dívida e a situação de suas contas, mas a Aneel permanece “inerte” e em “reiterado silêncio” sobre o tema, sem apontar saída definitiva para o caso.
Inadimplência. Em agosto, a concessionária informou à CCEE não ter dinheiro para pagar a conta de R$ 59,7 milhões que vencia até o dia 19. Por isso, a empresa chegou a ser declarada inadimplente para Câmara, uma situação que, caso persista, pode resultar em multa, bloqueio de operações ou até mesmo desligamento da usina.
“Nenhum dos pedidos formulados pela ESBR foi apreciado por essa agência reguladora, ao passo que os prejuízos decorrentes da inadimplência das distribuidoras se avolumam mensalmente, ao ponto de, como visto, ter colocado em sério risco a continuidade das operações da companhia”, afirma a concessionária no documento.
Em construção no rio Madeira, a 120 quilômetros de Porto Velho, em Rondônia, a usina de Jirau tem previsão de concluir a instalação de suas 50 turbinas até o fim deste ano, estrutura que tem capacidade de gerar 3.750 megawatts (MW) de energia, o suficiente para atender mais de 10 milhões de residências. Até o mês passado, 45 máquinas já estavam em operação.
A ESBR decidiu cobrar da Aneel a edição de uma medida cautelar administrativa, para que suspenda os aportes financeiros que a concessionária é obrigada a fazer à CCEE, limitada ao valor acumulado dos atrasos existentes, além de novas dívidas que possam surgir. Procuradas pela reportagem, a Aneel e a CCEE não se manifestaram sobre o assunto. A concessionária também informou que não iria comentar o caso.
Uma resposta
Roberto,
A energia não consumida indicada na área azul foi decorrente, também, do uso incorreto recursos hidrelétricos, do não acionamento das térmicas mais baratas a partir do instante em que as mesmas eram necessárias, da MP 579 de 09/2012 coincidente com o acionamento das térmicas disponíveis, gerando esqueletos que em parte foram transferidos para a tarifa.
Isto é uma das aberrações produzidas pelo modelo criativo do setor elétrico implantado por FHC e mantido na sua essência por Lula e Dilma.