COMUNICADO do MME: Democratização da Eletrobras em Bolsa

Análise do ILUMINA:  Dado o nível de contrainformações da nota do ministério, nossos comentários ao longo do comunicado em vermelho. Como se vê, o espírito destrutivo continua. Estamos à beira do abismo fiscal e prestes a ficar sem as instituições que nos construiram.


 

O Ministério de Minas e Energia comunicou hoje, 21, à Eletrobras que proporá ao Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do Governo Federal a redução da participação da União no capital da empresa, com sua consequente democratização na Bolsa de Valores, a exemplo do que já foi feito com Embraer e Vale.

ILUMINA: Democratização? Desde quando venda de controle do estado de uma empresa que construiu o sistema que temos é democratização? Que consulta e estudos foram realizados para tal decisão? A menção da Vale como paradigma leva em conta a destruição do Rio Doce?

A medida trará maior competitividade e agilidade à empresa para gerir suas operações, sem as amarras impostas às estatais. Esse movimento permitirá à Eletrobrás implementar os requisitos de governança corporativa exigidos no Novo Mercado, equiparando todos os acionistas – públicos e privados – com total transparência em sua gestão.

ILUMINA: A única amarra que a Eletrobras teve que enfrentar foram as interferências políticas nos seus quadros. Decisões que evitassem tal invasão estavam disponíveis independente do “Novo Mercado”. Quais foram os prejuízos absorvidos pela empresa para viabilizar projetos da pujante iniciativa privada que não dispensa o BNDES e a parceria com a Eletrobras? Que lucros privados se escondem atrás de tais prejuízos públicos?

A decisão do Ministério foi adotada após profundo diagnóstico sobre o processo em curso de recuperação da empresa.

ILUMINA: Qual foi o grupo político que comandou as decisões que levaram a empresa a essa situação pré-falimentar? O estudo identificou responsáveis? Quem estava no comando do MME? Como o governo atual é do vice do anterior, onde estavam as atuais autoridades? Como votou a sua base na Lei 12783/2013 que quebrou a empresa?

Apesar de todo o esforço que vem sendo desenvolvido pela atual gestão, as dívidas e ônus do passado se avolumaram e exigem uma mudança de rota para não comprometer o futuro da empresa.

Os problemas decorrem de ineficiências acumuladas nos últimos 15 anos, que impactaram a sociedade em cerca de um quarto de trilhão de reais, concorrendo pelo uso de recursos públicos que poderiam ser investidos em segurança, educação e saúde.

ILUMINA: Ineficiências?  É esse o nome que o MME dá à imposição de preços artificiais às usinas e linhas da Eletrobras? Onde estavam as atuais autoridades quando ocorreram as ineficiências agora alardeadas?

Não há espaço para elevação de tarifas nem para aumento de encargos setoriais. Não é mais possível transferir os problemas para a população. A saída está em buscar recursos no mercado de capitais atraindo novos investidores e novos sócios. O governo permanecerá como acionista, recebendo dividendos ao longo do tempo. A empresa passará a dar lucro e não prejuízo, o que beneficiará Estados e Municípios com o aumento na arrecadação de impostos.

ILUMINA: Como conseguir lucro quando a receita das usinas e linhas atingidas pela MP 579 foram reduzidas em 90%. O MME sabe a diferença entre a RAG (Receita Anual de Geração) e a receita efetiva das usinas? Por que o MME não torna público e democrática essa imposição adotada sob a omissão de todos? Por que não confessar que ocorrerão aumentos tarifários? Onde estava a coragem para identificar as reais razões da explosão de tarifa?

A União manterá poder de veto na administração da companhia, garantindo que decisões estratégicas no setor sejam preservadas, tais como os encargos setoriais da CDE e o financiamento de projetos de revitalização do Rio São Francisco. A nova Eletrobrás segue um modelo de êxito adotado em diversos países, como Portugal, França e Itália, que transformaram suas estatais de energia elétrica em grandes corporações que atuam no mundo inteiro e mantêm sua identidade nacional.

ILUMINA: Chega a ser uma piada (de mau gosto) a comparação da Eletrobras privatizada e a EDF. Pelos dados do próprio governo, o déficit de arrecadação apenas do 1º semestre de 2017, foi de R$ 38 bilhões. Onde vão achar a outra Eletrobras para cobrir apenas esse déficit?

Brasília, 21 de agosto de 2017

Assessoria de Comunicação Social

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4 respostas

  1. É, para ser delicado, inusitado que seja anunciada a venda do controle da Eletrobras, sem que se seja oferecido um estudo que indique os custos e os benefícios esperados dessa medida para consumidores, acionistas, o sistema elétrico e sociedade em geral.

    É importante ter presente que o MME vem de anunicar que pretende reconfigurar a regulação do mercado elétrico com uma série de medidas que estão sob consulta pública
    .
    Essas medidas caso sejam implementadas, terão profundos impactos na vida econômico-financeira da Eletrobras e, consequentemente, no valor de mercado de seu controle.

    Há total incongruência entre o objetivo declarado de ëliminar a interferência estatal na vida da empresa e preservação da operação do parque gerador com base em expectativas governamentais .

    Em outras palavras, para livrar não apenas a Eletrobras como todo o sistema elétrico de intervenções governamentais, é preciso libertar o parque gerador dos modelos computacionais que administram economicamente os reservatórios hidrelétricos.

    Fazer caixa pode ser preciso, porém não se pode negligenciar a inteligência alheia.

    Schetinno, não provoque a ira popular!

  2. Roberto,

    O ministro das minas e energia está agindo da maneira mais irresponsável que existe, e ainda tenta enganar o povo com a mesma mentira de sempre, alegando que a privatização vai trazer eficiência e tarifa mais barata, mentira esta difundida desde a época de FHC.

    O artigo do Betinho está mais atual do que nunca, primeiro esses falsos políticos se utilizam das empresas estatais, depois promovem o sucateamento das mesmas e por último alegam aumento de eficiência e redução de tarifa para vender às mesmas a preço de banana e se possível com financiamento do BNDES.

    Só que este senhor que está ocupando o cargo de ministro foi mais longe, ele nem procurou saber o real valor da tarifa que cada usina recebe, após a famigerada MP da Dilma, para propor a privatização da Eletrobrás alegando eficiência e redução de tarifa.

  3. Muito pertinentes seus comentários a essa notícia desastrosa, Roberto. Creio que seja importante o Ilumina não apenas questionar, mas também se posicionar contra essa medida absurda através de uma nota oficial.

  4. É isso aí, Roberto.
    Seus comentários são precisos e pertinentes. Para onde estão levando o Brasil?
    Eh “La Nave Va”, como diria Frederico Felline, Certamente a Nave dos Insensatos.
    Mas, para aqueles que apoiaram e apoiam este (des)governo ilegítimo e sem voto, o que se pode dizer?
    “EU ACHO É POUCO”.

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