Comentário:
A ANEEL , sob o comando (óbvio) do executivo, inovou na ciência da regulação mundial. Para ela os custos operacionais de qualquer usina podem ser definidos apenas com dois números: A potência instalada e a “garantia física”, essa grandeza inventada no Brasil.
Número de máquinas? Não precisa. Tipo de turbina? Não é necessário. Função da usina dentro do sistema: Para que? Tem reservatório? Para que quer saber?
Vejam que uma usina hidroelétrica passou a ser algo mais simples que um automóvel, pois os diversos modelos têm muitas razões para terem custos operacionais distintos. Nas usinas brasileiras bastam dois números.
Mas, vejam que interessante:
A Usina de 3 Irmãos tem 807,5 MW e 217,5 MW médios de “garantia física”. A receita anual será de R$31,623 milhões. Comparada com ela, outra de Furnas, a usina de Estreito tem 1.048 MW (+30%) e “garantia física” de 495 MW médios (+126%). Segundo a Nota técnica n 385/2012 – SER/SRG/ANEEL que definiu os gastos operacionais de todas as usinas, ela tem um custo estimado em 39.614 milhões.

Ora, se Três Irmãos vai receber R$ 31.643 milhões com 217,5 MW médios de energia, (R$ 145.000/MW médio) esses MW médios devem ser diferentes dos de Estreito, pois lá o MW médio vale só R$ 80.000.
Mais uma jabuticaba brasileira: o MW médio de uma usina de uma empresa vale 55% do MW médio de outra usina da mesma empresa.
Quem disse que kWh é tudo igual?
Isso sem contar com a absoluta falta de transparência sobre o parceiro privado. Quem são? Que expertise têm em operação de usinas? Como se divide o custo com a sempre minoritária FURNAS?
Por Claudia Facchini | Valor
SÃO PAULO – O consórcio formado por Furnas (49,9%) e o fundo de investimento Constantinopla (50,1%) venceu o leilão da usina hidrelétrica de Três Irmãos. O consórcio foi o único que participou da licitação e não ofereceu deságio em relação ao Custo de Gestão dos Ativos de Geração (GAG) teto, fixado pela Aneel em R$ 31,623 milhões.
A Usina de Três Irmãos, que pertencia à Cesp, foi leiloada hoje pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), na sede da BM&FBovespa, em São Paulo.
A vitória do consórcio formado por Furnas, subsidiária da Eletrobras, não foi uma surpresa, já que se esperava que caberia à estatal federal a missão de operar a usina, a primeira relicitada no novo modelo de tarifas adotado pelo governo federal, em 2012.
O fundo de investimento em participações (FIP) Constantinopla é composto por investidores do setor elétrico, cujos nomes não foram revelados até o momento.